terça-feira, 14 de maio de 2019

Em defesa do livre pensamento nas universidades

Como reação aos absurdos cortes nos orçamentos das universidades federais e também às levianas críticas ao mundo acadêmico que tem circulado pelas redes sociais, inúmeras reportagens, abaixo-assinados e manifestações se esforçaram em mostrar à população como as universidades são úteis para a sociedade. Sem dúvida alguma este é um esforço louvável, haja vista que, de fato, nas universidades brasileiras - especialmente nas públicas - são realizadas pesquisas que contribuem ou poderão contribuir, no futuro, para a solução de inúmeros problemas ambientais e sociais. Por outro lado, algo que me incomoda muito nesta defesa da utilidade da universidade e da pesquisa acadêmica é que por vezes ela obscurece uma outra função absolutamente fundamental das universidades que é promover a busca pelo conhecimento como um fim em si mesmo. E esta busca não é necessariamente útil no sentido de servir para curar alguma doença, favorecer a produção de alguma patente ou gerar lucro para alguma empresa. A utilidade de uma parte significativa da pesquisa acadêmica é, "simplesmente", ampliar o entendimento que o homem tem de si mesmo e do mundo que o cerca. E isto não é pouco. E não é nada simples.

Desde sua origem, as universidades sempre foram espaços de livre pensamento, locais onde onde os mestres e aprendizes podiam fazer perguntas e buscar respostas sobre o que bem entendessem. A própria ideia de "universidade" se relaciona à essa busca por uma compreensão ampla, total, universal do próprio homem e do mundo. Isto está na origem, na evolução e na própria "alma" das universidades. O grande problema, no atual contexto brasileiro, é que as pessoas que ocupam o poder e que decidem como serão aplicados os recursos educacionais, não vêem as coisas desta forma. Para eles, as universidades se resumem a espaços inúteis e amorais, onde pessoas que estudam coisas desnecessárias andam nuas, usam drogas e fazem "balbúrdia" - seja lá o que isso for. Como no fatídico episódio do "golden shower", no qual uma cena desagradável foi utilizada para representar todo o carnaval brasileiro, imagens de nudez, balbúrdia ou flagrantes inutilidades (leia-se: capas de dissertações e teses da área de humanas) tem sido utilizados para representar as universidades brasileiras. Generalizações e interpretações indevidas são invocadas e disseminadas a cada momento, colocando em xeque a utilidade e a pertinência das universidades e das pesquisas acadêmicas. 

O que estas pessoas de mente estreita não conseguem ver é que as universidades não são e não devem ser apenas espaços de formação profissional mas também, e  fundamentalmente, espaços de livre pensamento sobre o mundo - inclusive sobre os governos, o que certamente incomoda nossos atuais governantes, que demonstram pouquíssimo apreço tanto ao pensamento quanto à liberdade. Na visão dessas pessoas, a universidade deve se limitar à sua função "técnica", capacitando profissionais para o mercado de trabalho; no entanto, como bem aponta Nuccio Ordine no fantástico livro A utilidade do inútil - Um manifesto, "privilegiar exclusivamente a profissionalização dos estudantes significa perder de vista uma dimensão universal da função formativa da educação: nenhuma profissão poderia ser exercida de modo consciente se as competências técnicas que ela exige não estivessem subordinadas a uma formação cultural mais ampla, capaz de encorajar os alunos a cultivarem autonomamente seu espírito e a possibilitar que expressem livremente sua curiosidade. Equiparar o ser humano exclusivamente com sua profissão seria um erro gravíssimo: em todo ser humano há algo de essencial que vai muito além de seu próprio 'ofício'. Sem essa dimensão pedagógica, ou seja, totalmente afastada de qualquer forma de utilitarismo, seria muito difícil, no futuro, continuar a imaginar cidadãos responsáveis, capazes de abandonar o próprio egoísmo para abraçar o bem comum, expressar solidariedade, defender a tolerância, reivindicar a liberdade, proteger a natureza, defender a justiça...". 

Não podemos permitir que estas pessoas de mente estreita - que não entendem o que são e para que "servem" as universidades e a educação de uma forma geral - determinem aquilo que é relevante ou útil e aquilo que não é. As universidades não podem - e não irão - perder aquilo que mais fortemente as constitui, que é o livre pensamento, que é a possibilidade de refletir e estudar sobre o que se quiser, independente de qualquer utilidade. Aliás, o que é utilidade? Para nossos governantes atuais, a utilidade parece estar relacionada a um retorno econômico-mercadológico de determinada pesquisa ou atividade - "se gerar dinheiro, é útil", pensam -, mas eu acho a definição do professor Ordine muito mais interessante: útil é tudo que nos ajuda a nos tornar melhores. Deste ponto de vista todas as pesquisas, de todas as áreas, são úteis porque nos fazem (ou tem o potencial de nos fazer) pensar - e pensar nos torna melhores. Isto significa, por sua vez, que tudo aquilo que parece inútil aos olhos dos nossos atuais governantes (o que inclui desde a pesquisa nas áreas de ciências humanas e sociais até a literatura e a arte) tem sim uma importante utilidade: expandir a nossa mente e o conhecimento humano. Como aponta o professor Ordine, "nesse contexto brutal [ele se refere à Europa, mas podemos facilmente estender sua análise para o Brasil atual], a utilidade dos saberes inúteis contrapõe-se radicalmente à utilidade dominante que, em nome de um interesse exclusivamente econômico, está progressivamente matando a memória do passado, as disciplinas humanísticas, as línguas clássicas, a educação, a livre pesquisa, a fantasia, a arte, o pensamento crítico e o horizonte civil que deveria inspirar toda a humanidade. No universo do utilitarismo, um martelo vale mais do que uma sinfonia, uma faca mais do que um poema, uma chave de fenda mais do que um quadro; porque é fácil compreender a eficácia de um utensílio, enquanto é sempre mais difícil compreender para que podem servir a música, a literatura ou a arte" - e também a universidade, eu acrescentaria.

terça-feira, 12 de março de 2019

Por que os turistas tiram tantas fotos?

Os turistas, em geral, tiram muitas fotos - e eu, quando viajo, também. Mas eu fico me perguntando sobre o porquê disso e a única resposta que me vem à mente é que tiramos muitas fotos porque não confiamos em nossa memória. E de fato temos razões para não confiar. As ciências cognitivas há décadas apontam para as limitações e falibilidades de nossas lembranças: com o passar do tempo nós esquecemos grande parte do que vivenciamos, especialmente os detalhes, e ainda alteramos em nossa mente aquilo que de fato ocorreu, seja acrescentando coisas que não ocorreram - são as chamadas falsas memórias - seja eliminando ou distorcendo coisas que ocorreram - saiba mais no post A ilusão da memória. Isto talvez ajude a explicar essa obsessão dos turistas por registrar tudo o que vivenciam. Não creio na explicação simplista de que tais pessoas tiram muitas fotos para se exibirem nas redes sociais, pois muitas das fotos - a maioria, eu arriscaria dizer - jamais são compartilhadas, sendo apenas armazenadas. No meu entender, nós turistas temos medo de esquecer as experiências pelas quais passamos e por isso tentamos transformar vivências essencialmente subjetivas - e portanto frágeis e imperfeitas - em registros objetivos - e portanto seguros e precisos. A grande questão é que nossa memória, independente do que façamos ou queiramos, continuará sendo frágil e imperfeita, como nós próprios.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Destruindo o cérebro para curar a mente: uma história ilustrada da psicocirurgia

A lobotomia é entendida atualmente como um procedimento terrível, antiético e desumano, que nunca deveria ter existido; no entanto, após ser criada, na década de 1930, a técnica foi quase imediatamente compreendida como o melhor e mais científico tratamento disponível para pessoas com graves transtornos mentais - tanto que seu criador foi agraciado, no ano de 1949, com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia. As alternativas à lobotomia, na época, incluíam a terapia por choque insulínico, que consistia na indução do paciente ao coma pela aplicação de uma grande dosagem de insulina, e a piroterapia, também chamada de malarioterapia, que envolvia a inoculação do parasita da malária no paciente de forma a gerar terríveis febres - em ambos os casos acreditava-se que após o paciente se restabelecer, do coma e das febres, ocorreriam melhoras em seu estado mental e comportamental. Tais terapias podem parecer igualmente terríveis, mas também elas foram amplamente entendidas como "avanços" ao que existia anteriormente, tanto que o criador da malarioterapia, o médico-psiquiatra Julius Wagner von Jauregg (1857-1940) foi, do mesmo modo, agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina, em 1927. Já a lobotomia, chamada inicialmente de leucotomia pré-frontal, foi desenvolvida pelo médico neuro-psiquiatra português Antônio Egas Moniz (1874-1955), sendo aplicada pela primeira vez em 1935, na cidade de Lisboa, em Portugal.

Dr. Fulton com a "lobotomizada" macaca Becky
O procedimento, que consistia na destruição de parte dos lobos frontais dos pacientes foi fortemente inspirado em  experimentos feitos com animais entre o final do século XIX e o início do século XX - com destaque para aquele realizado pelos pesquisadores norte-americanos Carlyle Jacobson e John Fulton, da Universidade de Yale, que danificaram os lobos pré-frontais de duas chimpanzés, Becky e Lucy, e puderam observar significativas mudanças de comportamento,  especialmente em Becky: antes agitada e agressiva, a macaca tornou-se quieta e pacífica, sem que, aparentemente, sua memória e inteligência fossem afetadas. Este experimento foi apresentado, juntamente com outros trabalhos semelhantes, no II Congresso Internacional de Neurologia, que ocorreu em Londres entre os dias 29 de Julho e 02 de Agosto de 1935. Moniz estava presente nesta apresentação e após ela ser finalizada conta-se que ele teria se levantado e questionado os pesquisadores, diante de todos os presentes, se o mesmo procedimento não poderia ser aplicado em humanos para tratar certas doenças mentais. Embora a mitologia criada em torno dessa cena sugira que a ideia da leucotomia tenha surgido neste preciso momento, ela já havia sido aventada por Moniz nos anos anteriores e conectava-se totalmente à sua concepção de "doença mental" como algo inteiramente orgânico, produto de uma rede cerebral danificada. A apresentação de Jacobson e Fulton serviu, assim, mais como confirmação de suas ideias do que como fonte de inspiração. De toda forma, o ponto central de seus questionamentos, que foi tomando corpo ao longo dos anos, era o seguinte:  se a mente é criação do cérebro, por que não intervir diretamente no cérebro para curar a mente?

Procedimento da leucotomia pré-frontal
De volta à Portugal, Moniz decidiu colocar em prática esta ideia e no dia 12 de Novembro de 1935, pouco mais de três meses após o famoso Congresso - e com a colaboração fundamental do neurocirurgião Pedro Almeida Lima -, realizou a primeira leucotomia, que passaria a ser chamada por ele também de "psicocirurgia" por se tratar de uma intervenção realizada no cérebro cujo objetivo era alterar a psiquê, isto é, a mente do paciente - uma "neurocirurgia", por outro lado, não tem e nunca teve esta pretensão, limitando-se a remover ou reparar as partes doentes do cérebro. Pois a primeira paciente (ou poderíamos dizer vítima?) foi a Sra. M, uma mulher de 63 anos profundamente deprimida, ansiosa e paranoica que, após ser anestesiada, teve dois pequenos furos feitos em seu crânio na parte superior, nos lados direito e esquerdo, e uma certa quantidade de álcool absoluto introduzida com uma injeção - a ideia era que essa substância "neurotóxica" destruísse as conexões celulares do lobo frontal. Posteriormente, Moniz optou por substituir a aplicação de álcool pela utilização de um instrumento chamado por ele de "leucótomo", que consistia de uma cânula com 11 centímetros de comprimento que era introduzida nos pequenos buracos feitos no crânio e movimentada de um lado para o outro, destruindo, assim, uma parte da substância branca do cérebro - não por acaso a expressão leuco-tomia significa, literalmente, "corte no branco", isto é, na substância branca. O procedimento foi oficialmente apresentado ao mundo através de uma monografia publicada por Moniz em 1936 com o título Tentatives opératoires dans le traitement de certaines psychoses [Tentativas operatórias no tratamento de certas psicoses]. Nesta monografia, além de descrever a nova técnica, Moniz apresentou uma avaliação dos primeiros 20 pacientes submetidos à cirurgia, observando que sete haviam se curado ou melhorado significativamente, sete haviam apresentado alguma melhora e seis permaneceram como estavam anteriormente. Estes dados foram interpretados, à época, como um sucesso retumbante do tratamento - a grande questão é que nenhum avaliação rigorosa e de longo prazo foi feita, o que teria demonstrado uma série de danosos efeitos colaterais da cirurgia. Além disso não fica claro em sua avaliação o que significa cura ou melhora significativa. Como questiona o famoso neurologista Oliver Sacks no livro Um antropólogo em marte, "o que se havia alcançado nunca foi a 'cura' é claro, mas um estado dócil, um estado de passividade tão (ou mais) distante da 'saúde' quanto os sintomas ativos originais, e (ao contrário deles) sem a possibilidade de ser resolvido ou revertido". De acordo com o psiquiatra Jeffrey Lieberman, autor do livro Psiquiatria: uma história não contada, esta "docilidade" obtida pela psicocirurgia se tornou facilmente perceptível nas instituições manicomiais de todo o mundo. "Durante séculos, o padrão da trilha sonora dos manicômios era composto por um barulho e uma agitação contínuos. Agora o ruído turbulento fôra substituído por um silêncio mais agradável", aponta o autor, ao que poderíamos questionar: agradável para quem, Dr. Lieberman?

Procedimento da lobotomia transorbital
Mais à frente, o procedimento criado por Moniz  foi aperfeiçoado, e banalizado, pelo neuropsiquiatra norte-americano Walter Freeman (1895-1972), sem dúvida alguma o principal responsável pela popularização da psicocirurgia nos Estados Unidos e no mundo - e também, alguns diriam, por seu posterior declínio. Inicialmente, Freeman, em parceria com seu colega James Watts (1904-1994), um habilidoso neurocirurgião da Universidade George Washington, se utilizou de uma técnica semelhante àquela empregada por Moniz em Portugal, realizando a primeira leucotomia nos Estados Unidos no dia 14 de setembro de 1936. Após realizá-la sem grandes modificações nos dez anos seguintes, Freeman acabou por desenvolver uma técnica própria, bem mais grotesca mas também menos invasiva, mais barata e mais rápida, chamada por ele de lobotomia transorbital - procedimento que Watts não viu com bons olhos e que acabou por selar o fim da produtiva parceria entre os dois pesquisadores. Nesta nova técnica, praticada pela primeira vez em 1946, um instrumento de metal pontiagudo semelhante a um picador de gelo era introduzido com a ajuda de um martelo logo acima da órbita ocular - daí o nome transorbital - e movimentado de um lado para o outro, destruindo, assim, partes do lobo frontal do cérebro - isto após o paciente ser submetido a uma série de aplicações de eletrochoque até perder a consciência, procedimento que servia ao mesmo tempo como anestésico e como parte do tratamento, misto de lobotomia e eletrochoque. Esta técnica, ao contrário daquela praticada por Moniz, poderia ser realizada sem assepsia e em qualquer lugar, e não exclusivamente em um hospital. E foi justamente o que fez Freeman, que circulou por todo os Estados Unidos realizando lobotomias a bordo de uma van batizada posteriormente de Lobotomóvel. Estima-se que Freeman tenha realizado, sozinho, 3500 das cerca de 40 mil lobotomias praticadas nos Estados Unidos.

Relato de paciente refratário ao tratamento com a psicocirurgia
No entanto, com a chegada dos anos 50 a psicocirurgia entraria em um rápido declínio, praticamente desaparecendo ao final desta década - o que é comumente atribuído à criação e disseminação de uma nova modalidade de tratamento biológico: os remédios psiquiátricos ou psicofármacos. No entanto, seria um tanto simplista atribuir o declínio da psicocirurgia exclusivamente à ascensão dos psicofármacos, pois certamente muitos outros fatores estiveram em jogo. Dentre eles é importante apontar que a psicocirurgia acumulou, ao longo do tempo, uma série de controvérsias. Na verdade, desde que foi inventada em 1935 a técnica sempre foi alvo de inúmeras críticas, tanto técnicas quanto éticas. Com relação aos aspectos técnicos, foram se acumulando na literatura médica relatos e descrições de inúmeras complicações pós-operatórias como hemorragias, infecções, alterações significativas no afeto e na personalidade e até mesmo mortes. Em seu início a psicocirurgia era realizada apenas em caráter excepcional - Moniz, por exemplo, só prescrevia e realizava a cirurgia quando todas as demais alternativas haviam falhado -, no entanto, com a banalização do procedimento realizada por Freeman, a cirurgia passou a ser realizada de forma cada vez menos criteriosa em um número cada vez maior de pessoas com os problemas mais variados e, com isso se multiplicaram relatos de problemas decorrentes de sua aplicação e também análises críticas ao procedimento. Com a entrega do Prêmio Nobel a Moniz, em 1949, a situação da psicocirurgia só piorou: mais e mais controvérsias e críticas foram se acumulando, especialmente em relação aos seus aspectos éticos. Hoje sabemos que o procedimento foi utilizado não somente como forma de tratamento mas também, em muitos manicômios, como mecanismo de "docilização" dos pacientes, como estratégia de punição para o "mau comportamento" e como método de estudo do cérebro, a despeito de todas as diretrizes éticas para a pesquisa com seres humanos existentes naquele momento. De toda forma, para além de um método visto atualmente como algo essencialmente negativo, a psicocirurgia foi uma tentativa, dentre outras, de lidar com o desafio da doença mental. Aos olhos atuais ela pode parecer estúpida e cruel, mas, como aponta João Lobo Antunes, neurocirurgião português e biógrafo de Moniz, "todo olhar para trás é inevitavelmente deformado pelos óculos do tempo que se vive".

Egas Moniz foi o segundo pesquisador a ganhar o Prêmio Nobel de Medicina por trabalhos relacionados à área da Psiquiatria, O primeiro foi  Julius Wagner-Jauregg (1857-1940), premiado em 1907 (na imagem ele está de paletó preto, à direita). Julius foi o criador da piroterapia por infecção de malária, um procedimento que consistia em infectar o paciente com malária de forma a gerar febres (daí o nome: piro = fogo). Na imagem um paciente recebe uma injeção com o parasita causador da malária.  Fonte da imagem: Science
Egas Moniz, criador da angiografia e da leucotomia pré-frontal. Recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1949. Fonte: Crônicas Professor Ferrão

Nota portuguesa de dez mil escutos confeccionada, em 1989, em homenagem a Egas Moniz. Fonte: CMjornal
Imagem em perfil da primeira angiografia cerebral realizada no Brasil por Augusto Brandão Filho sob orientação de Egas Moniz, durante sua visita ao país, em 1928. O procedimento foi desenvolvido por Moniz anteriormente à criação da leucotomia e é utilizado até hoje. Fonte: Gusmão (2002)



http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2002000200030
Walter Freeman realizando uma lobotomia transorbital no meio de várias pessoas.

Instrumentos utilizados por Walter Freeman na realização da lobotomia transorbital. Fonte: 4thwavenow



Walter Freeman e James Watts analisam uma imagem de Raio-X antes de uma operação psicocirúrgica. Fonte: Wikipedia
Ilustração do tipo antes/depois de um homem submetido à lobotomia. Afirma a legenda sobre o caso 123, antes da operação: "Perplexo, incapaz de resolver um simples problema". Dez dias após a operação:  "Ele não estava mais incomodado com suas obsessões e parecia bastante satisfeito consigo mesmo". O livro  Psychosurgery In The Treatment Of Mental Disorders And Intractable Pain, publicado por Freeman em 1950, está repleto de ilustrações e casos como esse.
Walter Freeman em seu "Lobotomóvel", utilizado nas viagens que fez pelos Estados Unidos realizando lobotomias. Fonte: Quacks & Hacks

Cena do filme Um estranho no ninho (One flew over the cuckoo's nest, EUA, 1975). Baseado no livro homônimo do escritor Ken Kesey e vencedor de inúmeros prêmios Oscar, este filme tornou-se um marco na luta antimanicomial ao expor o terror vivido por inúmeros pacientes em instituições asilares. Dentre os tratamentos retratados pelo filme - utilizados muitas vezes como punições por "mau comportamento" - estão o eletrochoque e a lobotomia. Embora tenha sido lançado num momento em que a lobotomia já não era mais praticada, ele trouxe à tona a desumanidade deste procedimento.

Cena do filme Nise - O coração da loucura (Brasil, 2016), que retrata o trabalho da renomada psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905-1999) à frente da "Seção de Terapêutica Ocupacional" no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Rio de Janeiro. Tendo iniciado seu trabalho neste local em 1944, Nise sempre se colocou frontalmente contra tratamentos psiquiátricos populares na época, como o eletrochoque e a lobotomia, defendendo a utilização da arte, em especial da pintura, como atividade terapêutica. Em 1952, ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, espaço dedicado à exposição e ao estudo das obras produzidas pelos pacientes do hospital. Este museu encontra-se ativo até os dias atuais. Fonte da imagem: Academia Brasileira de Cinema

CENAS FORTES: video de Walter Freeman aplicando a lobotomia transorbital em uma paciente

Referências consultadas para a elaboração deste post:
Livro: Egas Moniz - Uma biografia - João Lobo Antunes (Civilização Brasileira, 2013)
Livro: Psiquiatria: uma história não-contada - Jeffrey Lieberman (Martins Fontes, 2016)
Livro: Um antropologo em marte - Oliver Sacks (Companhia das Letras, 1995)
Livro: Mente e cérebro - Lauren Slater (Ediouro, 2004)
Artigo: The early argument for prefrontal leucotomy - L.  Boettcher e S. Menacho
Artigo: Psychosurgery, ethics and media - J. Caruso e J. Sheehan

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Wundt finalmente traduzido para o português!

Embora seja considerado o pai da psicologia científica e experimental, Wilhelm Wundt (1832-1920) é praticamente desconhecido pelos estudantes e professores de psicologia no Brasil. Algumas de suas ideias são conhecidas aqui apenas indiretamente - e com uma série de distorções - através dos livros de introdução e de história da psicologia. Mas até bem recentemente nenhum texto ou obra do autor tinha sido traduzido para o português, quase 100 anos após sua morte. Pois esta situação começou a mudar com o lançamento, em 2018, do livro A fundamentação da psicologia científica, uma pequena compilação de textos de Wundt organizada e traduzida diretamente do alemão pelo professor Saulo de Freitas Araújo, uma das maiores autoridades mundiais na obra de Wundt. Saulo atua como professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (onde eu tive a honra de ser seu aluno) e também como diretor do Núcleo de Pesquisa em História e Filosofia da Psicologia Wilhelm Wundt (NUHFIP/UFJF). Em 2013 ele foi contemplado com o prêmio Early Career Award, concedido pela divisão de História da Psicologia da Associação Americana de Psicologia (APA). O pesquisador foi o primeiro sul-americano a receber esse importante prêmio e isto ocorreu especialmente devido aos seus estudos sobre a obra de Wundt. Sua Tese de Doutorado, transformada no livro O projeto de uma psicologia científica em Wilhelm Wundt - uma nova interpretação (publicado em 2016 nos Estados Unidos com o título de Wundt and the Philosophical Foundations of Psychology: A Reappraisal) era, até o ano passado, a principal fonte confiável de informações sobre o pensamento de Wundt em português - além, é claro, de inúmeros artigos e capítulos de livro escritos pelo pesquisador. Pois agora temos em nossa língua pátria não apenas publicações sobre Wundt mas também um livro com escritos deste importante e pioneiro psicólogo, um pensador muito conhecido embora pouquíssimo lido e estudado - basta compará-lo, por exemplo, a Freud e Skinner.

Esta obra de Wundt dá início à série Clássicos da Psicologia da editora Hogrefe, que pretende publicar obras de importantes autores da tradição psicológica que ainda não possuem tradução direta para a língua portuguesa. A obra é composta por dois textos produzidos na fase de maturidade do pensamento de Wundt e que ilustram muito bem as duas faces de sua psicologia: de um lado a psicologia experimental, baseada nos processos psicológicos individuais e do outro a psicologia dos povos, baseada nos processos psicológicos coletivos. O primeiro texto, denominado "Sobre a definição da Psicologia" foi inicialmente escrito em 1895 e publicado como um artigo no ano seguinte; no entanto, a versão final deste texto, reescrito inúmeras vezes ao longo da década seguinte, foi publicada somente em 1911 como o segundo capítulo do segundo volume de sua obra Kleine Schriften. Neste texto, Wundt tenta definir e delimitar a área da psicologia, diferenciando-a de outras áreas afins, como a filosofia e a fisiologia. Já o segundo texto, denominado "Introdução [à psicologia dos povos]" foi publicado no ano de 1900 como uma introdução geral ao primeiro volume de sua grande obra Völkerpsychologie que, em sua forma final, acabou contando com dez volumes. Neste texto Wundt resume os principais pontos de sua proposta de uma psicologia dos povos, oposta, embora complementar, à psicologia dos indivíduos. Como afirma Saulo na introdução do livro, "o projeto psicológico de Wundt previa a perfeita integração das duas psicologias em uma psicologia geral, de cunho mais abstrato que ele nunca chegou a concretizar. Assim, a relação entre a psicologia individual e a psicologia dos povos permanece até hoje mal compreendida e pouco estudada". A tradução da presente obra pode, quem sabe, estimular o estudo de Wundt no Brasil. Uma dificuldade, certamente, é que grande parte de sua obra permanece disponível apenas na língua alemã, o que afasta muitos potenciais pesquisadores. Uma outra dificuldade é que mesmo para aqueles que compreendem o alemão, a escrita de Wundt não é nada simples. Como afirma Saulo ao comentar sobre a dificuldade que teve ao traduzir Wundt, "seu estilo é típico da alta cultura alemã do século XIX: longos parágrafos, com períodos igualmente longos intercalados por muitas orações subordinadas, algo bem distante do alemão contemporâneo". No final de sua excelente introdução, que inclui desde dados biográficos até uma análise panorâmica da obra de Wundt, passando também por comentários relativos à tradução, Saulo comenta: "ao final, espero ter sido o mais fiel possível, se não à letra, pelo menos ao espírito de Wundt. E ainda que todo tradutor seja, em alguma medida, um traidor, espero que minha traição não tenha sido imperdoável. Seja como for, tendo em vista que o público lusófono poderá finalmente entrar em contato com as ideias centrais de um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da psicologia científica - ainda que com mais de 100 anos de atraso - ela está a meu ver, ao menos justificada". Com toda certeza, Saulo! E que venham outros livros...

Wundt em seu laboratório na Universidade de Leipzig. Criado em 1879, este foi o primeiro laboratório dedicado ao estudo dos fenômenos psicológicos.
Fonte da imagem: Institut für Allgemeine Psychologie - Universität Leipzig (1908)



Sugestões de leitura: 

Livro: O projeto de uma psicologia científica em Wilhelm Wundt: uma nova interpretação
Tese: A fundamentação filosófica do projeto de uma psicologia científica em Wilhelm Wundt
Artigo: Uma visão panorâmica da psicologia científica de Wilhelm Wundt

Com um buraco na cabeça: uma história ilustrada das trepanações

Foto minha de dois crânios trepanados, disponíveis no
Museu Arqueológico Rafael Larco Herrera, em Lima/Peru
Na visita que fiz ao Peru, em 2017, além de conhecer a magnífica "cidade perdida" de Machu Picchu, pude observar de perto, em excelentes museus de Lima e Cuzco, inúmeros crânios trepanados pelos Incas e por outros povos pré-colombianos que viveram na região. Caso você não saiba, a trepanação - ou craniotomia, na terminologia médica contemporânea - consiste na cirurgia de remoção de um pedaço do crânio. Trata-se do mais antigo procedimento cirúrgico conhecido, praticado em todas as partes do mundo ao longo da história, do período Neolítico até os dias atuais. O primeiro crânio "furado" foi encontrado pelo frade beneditino Bernard de Montfaucon (1655-1741) na região de Cocherel, na França, em 1685, mas este achado não foi entendido, naquele momento, como sendo um crânio trepanado. Outros crânios semelhantes foram encontrados nos séculos XVII e XVIII, mas os buracos foram interpretados como sendo o resultado da ação de armas, lesões acidentais ou alterações feitas após a morte, e não de um procedimento cirúrgico intencional feito com a pessoa viva - e provavelmente sem anestesia! O primeiro crânio a ser amplamente reconhecido como um caso de trepanação foi "descoberto" apenas em 1865 pelo arqueólogo e explorador norte-americano Ephraim George Squier (1821-1888). Durante uma visita à Cuzco - narrada em detalhes em seu livro Peru: incidentes de viagem e exploração na terra dos Incas, lançado em 1877 - Squier recebeu um presente inusitado de sua anfitriã local: um "belo" crânio trepanado, advindo de um cemitério Inca. Como ele descreve na página 456 deste livro, a "senhora Zentino", uma rica colecionadora de artes e antiguidades peruanas, "foi gentil o suficiente para me conceder [o crânio] para investigação e ele tem sido submetido à avaliação dos melhores cirurgiões dos Estados Unidos e da Europa e considerado por todos como a mais notável evidência de cirurgia entre aborígenes descoberta neste continente" - mais especificamente da cirurgia de trepanação, que, segundo ele "é um dos mais difíceis processos cirúrgicos". Ainda de acordo com Squier, tal procedimento não teria sido feito pelos Incas com uma serra, mas sim com algum dispositivo semelhante a um buril, que é um instrumento de metal pontiagudo utilizado para talhar pedras. Esta hipótese de Squier de fato foi confirmada: sabe-se atualmente que os Incas utilizavam certos instrumentos de metal, denominados "tumi", na realização das trepanações.

Instrumentos utilizados pelos Incas nas trepanações
Fonte: artigo Preconquest Peruvian Neurosurgeons
Após regressar desta viagem, Squier teve sua "descoberta" apresentada aos membros da Academia de Medicina de Nova York e a plateia, de uma forma geral, se mostrou extremamente incrédula com relação às hipóteses de que a cirurgia teria sido feita com a pessoa viva e de que esta pessoa teria sobrevivido ao procedimento - afinal, se no próprio século XIX a trepanação ainda tinha uma baixíssima taxa de sobrevida (cerca de 10%), como acreditar que os "primitivos" Incas, há mais de 2000 anos, conseguiriam realizá-la de forma bem-sucedida? Para resolver este impasse, Squier levou o famoso crânio até a França para que ele pudesse ser analisado por Paul Broca (1824-1880), um dos mais célebres antropólogos e craniologistas do século XIX - e que também foi responsável pela descoberta de uma área do cérebro especificamente relacionada à linguagem, atualmente chamada de Área de Broca. Após uma análise minuciosa, concretizada com a publicação do artigo Trépanation chez les Incas [Trepanação nos Incas], Broca concluiu que o "buraco" encontrado no crânio repassado a ele por Squier teria sido o resultado de uma "avançada cirurgia", realizada com a pessoa ainda viva - e que provavelmente esta pessoa teria falecido uma ou duas semanas após tal procedimento, como indicariam certos sinais de inflamação encontrados por ele (de acordo com um estudo recente este provavelmente foi o destino de 30 a 50% dos Incas submetidos à trepanação, um índice de mortalidade surpreendentemente baixo, haja vista a complexidade e os riscos envolvidos no procedimento). Além disso, Broca especulou a respeito do motivo ou dos motivos para a realização das trepanações. Inicialmente ele imaginou que este procedimento estaria relacionado a rituais religiosos de expulsão de demônios do corpo, mas posteriormente passou a aventar a possibilidade de alguns usos terapêuticos. A grande questão é que qualquer especulação com relação aos motivos para a realização de trepanações em comunidades antigas e ágrafas, caso dos Incas, será exatamente isso: uma especulação. Uma investigação dos motivos para a trepanação só pode ser feita, basicamente, de duas formas: através da análise histórica de comunidades ou sociedades com tradição escrita que realizavam o procedimento - caso, por exemplo, da Grécia Antiga, onde os médicos hipocráticos praticavam a trepanação para tratar ferimentos e lesões na cabeça; e também através da análise antropológica de comunidades que praticam ou já praticaram tal procedimento - caso, por exemplo, de algumas comunidades no Pacífico Sul, que ainda hoje realizam trepanações com o objetivo de tratar desde fraturas, epilepsias e dores de cabeça até a "loucura". Pode ser que as comunidades antigas, não somente as pré-colombianas, tenham feito trepanações por estes ou por outros motivos.  Jamais saberemos de fato. Por outro lado, o que já se sabe com grande confiança é que as trepanações foram realizadas ao longo de toda a história da humanidade, seja em rituais religiosos seja no tratamento de doenças neurológicas ou transtornos mentais - e até hoje continuam sendo praticadas. Os métodos certamente mudaram; em comum permanece apenas a intenção de fazer um buraco na cabeça.

Veja abaixo a galeria de imagens sobre as trepanações.

Livro clássico de Squier, publicado em 1877, sobre a viagem que fez ao Peru na década de 1860. Na página 457 ele expõe a famosa ilustração do crânio trepanado a ele doado pela senhora Zentino, e faz ainda algumas breves considerações sobre a descoberta.  Fonte: Arquive.org





Famosa ilustração do crânio trapanado "descoberto" por Squier no Peru em 1865 - na verdade, ele foi presenteado com esta descoberta. Fonte: Archive.org
Instrumentos de trepanação utilizados no século XVII. Esta ilustração está incluída na obra The surgeons mate, or Military and domestique surgery, escrita pelo cirurgião militar inglês John Woodal (1570-1643) e publicada em 1639. Fonte: Wikipedia
Quadro "A extração da pedra da loucura", do pintor holandês Hieronymus Bosch (1450-1516). A pintura representa uma cirurgia realizada durante a Idade Média que consistia na retirada de uma pedra que acreditava-se causar a loucura. Fonte: Museu do Prado
Instrumento de trepanação utilizado durante o período do Renascimento (séculos XIV a XVI). Gravura de Peter Treveris (1525). Fonte: Wikipedia
Instrumentos de trepanação utilizados no século XVIII. Disponível no Germanisches Nationalmuseum Nürnberg. Fonte: Wikipedia
Ilustração de uma cirurgia de trepanação feita no século XIX. A autoria é do cirurgião, anatomista e neurologista Charles Bell (1774-1842) . Fonte: Wikipedia

O maior defensor contemporâneo do uso terapêutico e espiritual da trepanação foi um livreiro holandês chamado Bart Huges, falecido em 2004, que fazia alegações pseudocientificas de que o procedimento poderia ser utilizado para se atingir um nível mais elevado de consciência além de tratar uma série de problemas mentais, como as psicoses. No ano de 1965 ele fez uma célebre auto-trepanação utilizando uma furadeira elétrica, procedimento retratado nesta foto. Se tiver coragem, assista ao video de sua auto-trepanação aqui. Fonte da imagem: Imgur
"Vote Feilding - Trepanação para a saúde nacional": Cartaz utilizado por Amanda Feilding em suas campanhas para o Parlamento inglês em 1979 e 1983. Amanda, que é diretora da Fundação Beckley, defende publicamente, há décadas, a realização de trepanações como forma de aumentar o bem-estar e a saúde das pessoas - ela própria se auto-trepanou na década de 1960. Leia uma entrevista com Amanda no site Vice.

Ilustração do procedimento da craniotomia, versão contemporânea das antigas trepanações. Esta cirurgia é realizada por neurocirurgiões em casos de aneurisma, tumores, hematomas cerebrais e fraturas no crânio. Como aponta este site, "um dos principais objetivos da craniotomia é aliviar o cérebro, quando submetido à pressão elevada". Atualmente, o pedaço de crânio retirado é geralmente substituído por uma placa de titânio. Fonte: Steve Hughes Visuals

Dois importantes livros sobre a história das trepanações. Ambos possuem na capa a famosa imagem de Squier.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Imagens da frenologia

No post anterior eu apresentei e analisei a frenologia, uma teoria extremamente popular sobre o funcionamento da mente e do cérebro no início do século XIX. No presente post eu gostaria de trazer uma série de imagens sobre a frenologia que ilustram com brilhantismo o que foi e como se desenvolveu esta ciência, hoje vista como pseudociência. Algumas das imagens abaixo são facilmente encontráveis em sites como o Wikipedia, já outras (a maioria) eu acessei e retirei diretamente das obras originais publicadas ou no século XIX ou no início do século XX - felizmente elas estão disponíveis no maravilhoso site archive.org. Logo abaixo de cada imagem eu incluí algumas breves informações, além da indicação da fonte primária de onde a retirei. Clique na imagem para vê-la em detalhe.

Franz Joseph Gall (1758-1828), criador da frenologia, discutindo sua teoria com colegas em meio à sua enorme coleção de crânios e modelos de cabeça.
Gravura satírica de Thomas Rowlandson, 1808. Fonte: Wellcome Collection


Gall medindo a cabeça de uma elegante mulher sem sua peruca. Gravura satírica de E. F. Lambert, 1823. Fonte: Wellcome Collection



Acredita-se que esta gravura retrate o famoso frenologista George Combe (1788-1858) fazendo uma apresentação para uma distinta platéia em sua casa, em Edimburgo, na Escócia. Combe é autor do principal best-seller frenológico do século XIX, The constitution of man (1828), que vendeu mais de 350 mil cópias entre 1828 e 1900 - só para ter uma noção do que isto significa, cabe apontar que a famosa obra A origem das Espécies, de Charles Darwin, vendeu apenas 50 mil cópias entre 1959 e 1900).  Esta gravura satírica é atribuída a J. Lump e L. Bump, obviamente nomes ficticios. Fonte: Wellcome Colection

Grandes nomes da frenologia: Gall, Johann Gaspar Spurzheim (1776 -1832), George Combe (1788-1858) e Orson Squire Fowler (1809 -1887)
Fonte: How to read character : a new illustrated handbook of phrenology and physiognomy - Samuel Roberts (1883)



Mapa frenológico de Combe, com 35 "órgãos" ou faculdades mentais - Gall, originalmente, identificou 25.
Fonte: A system of phrenology - George Combe (1839)


"Conheça a si mesmo": propaganda do The phrenological journal and Science of Health, periódico norte-americano publicado entre 1839 e 1911.
Fonte: Reminiscences of Dr. Spurzheim and George Combe - Nahum Capem (1881)
Craniômetro e pinças: equipamentos frenológicos para medição de crânios (ilustração). Fonte: Elements of phrenology - George Combe (1828)

Equipamentos frenológicos para medição de crânios (foto). Fonte: Scottish Museums Federation





Análise craniológica: uma mãe genuína versus uma mãe não confiável. Fonte: Vaught's practical character reader - L.A. Vaught (1902).
Análise craniológica: um pai genuíno versus um pai não confiável. Fonte: Vaught's practical character reader - L.A. Vaught (1902).
Olhos, bocas, queixos e cabeças "não confiáveis" versus "honestos". Fonte: Vaught's practical character reader - L.A. Vaught (1902).

Psycograph: máquina frenológica para "leitura" de crânios patenteada nos Estados Unidos por Henry Lavery em 1905. Fonte: Museum of Quackery

Saiba mais sobre o tema no post Reavaliando a frenologia à luz do século XXI