No livro "Ética na inteligência artificial" (Ubu, 2023) o cientista social e professor de filosofia Mark Coeckelberg apresenta e analisa, com uma linguagem simples porém rigorosa, as principais questões éticas e sociais relacionadas ao campo da inteligência artificial - como os problemas da privacidade, da responsabilidade, do enviesamento, dentre muitos outros. E como se trata de um livro introdutório, ele também se preocupa em definir os principais conceitos desse campo, desde "inteligência artificial" até "aprendizado de máquina" e "ciência dos dados". Trata-se de um excelente livro para quem deseja se aproximar desse tema super atual e entender os principais usos, problemas e potencialidades das tecnologias de Inteligência Artificial.
Trecho do livro: "A IA está relacionada a um tipo de inteligência e pensamento humano: o mais abstrato, de caráter cognitivo. Esse tipo de pensamento se provou muito bem-sucedido, mas tem suas limitações e não é o único tipo de pensamento a que podemos ou devemos recorrer. Precisamos de pessoas perspicazes e máquinas inteligentes, mas também precisamos de intuições e know-how que não podem ser completamente explicitados, além de sabedoria prática e virtude para responder a problemas e situações concretas e decidir nossas prioridades. Tal sabedoria pode ser abastecida por processos cognitivos abstratos e análise de dados, mas também tem como base experiências corporificadas, relacionais e situacionais no mundo, na lida com outras pessoas, com a materialidade e com o nosso ambiente natural. Nosso sucesso em enfrentar os grandes problemas do nosso tempo provavelmente dependerá de combinações entre inteligência abstrata - humana e artificial - e sabedoria prática concreta, desenvolvida com base na prática e na experiência humanas, de caráter situacional e concreto - incluindo a nossa experiência com a tecnologia. Seja qual for a direção do futuro desenvolvimento da IA, o desafio de aperfeiçoar esse tipo de conhecimento e aprendizado é nosso. Os seres humanos devem fazer isso. A IA é boa em reconhecer padrões, mas não se pode delegar sabedoria às máquinas". (Último parágrafo do livro, pgs 183 e 184)