segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Psicofobia ou psiquiatriafobia?


Segundo matéria publicada anteontem na Folha de S. Paulo, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) está se mobilizando com o objetivo de criminalizar a Psicofobia. Mas o que é Psicofobia? Primeiro, vamos à explicação oficial, da ABP. Para eles, Psicofobia designa o preconceito contra portadores de doenças ou transtornos mentais. Trata-se de um neologismo, provavelmente criado pela associação. De acordo com a proposta de alteração do Código Penal, encampada pelo Senador Paulo Davim a partir da mobilização da ABP, será considerado crime, com pena de 2 a 4 anos, qualquer ação que dificulte ou impossibilite o acesso ao trabalho e à educação aos portadores de transtornos ou deficiências mentais. De uma forma mais ampla, a proposta criminaliza qualquer atitude preconceituosa e discriminatória com relação aos "doentes mentais". 

Colocando as coisas desta maneira, quem se colocaria contra tal proposta? Acredito que ninguém, pois acho difícil alguém, com um mínimo de bom senso, se colocar a favor do preconceito aos portadores de transtornos mentais. No entanto, a coisa é mais complexa. Analisando a definição de Psicofobia da ABP surgem, de cara, duas questões essenciais: o que é um transtorno mental? Quem são os portadores de transtornos mentais? Aqueles que já leram um pouco sobre a história das classificações psiquiátricas, sabem que o que é definido oficialmente como transtorno mental já mudou diversas vezes. Vários comportamentos que eram encarados e tratados como transtornos o deixaram de ser enquanto outras questões passaram a ser consideradas patologias. O DSM-5 vem aí em 2013 pra modificar ainda mais o que hoje é considerado transtorno mental. Tendo em vista esta característica metamórfica das categorias psiquiátricas, um questionamento se faz necessário: o que os defensores da criminalização da Psicofobia entendem por transtorno mental? 

Em um artigo denominado “O código penal e a psicofobia”, o presidente da ABP Antônio Geraldo da Silva aponta que cerca de 20% da população brasileira (mais de 40 milhões de pessoas) é portadora de algum transtorno mental, como a “esquizofrenia, bipolaridade, dislexia, autismo, ansiedade, transtornos alimentares e síndrome de Down”. Percebe-se que o que é entendido por “transtorno mental” engloba um amplo espectro de “problemas”, que vão desde a ansiedade e a dislexia até o autismo e a Síndrome de Down. Mesmo um leigo é capaz de compreender que são problemas muito diferentes, em vários sentidos. Uma Síndrome de Down é completamente diferente de uma Síndrome do Pânico, muito embora os psiquiatras biológicos modernos tendam a considerar ambas como distúrbios genéticos e cerebrais. Mas convenhamos: existem diferenças significativas entre os dois problemas. Chamar ambos de "transtorno mental" implica ignorar significativas distinções entre estas categorias. Mas isto é assunto para outro post.

Em outro artigo (“Psicofobia é crime”), publicado no jornal O Globo, Antônio Geraldo da Silva aponta para um crescimento tanto da incidência dos transtornos mentais quanto do preconceito com relação à seus portadores Segundo ele, combater o preconceito contra doentes mentais é tão necessário hoje, afirma, quanto o enfrentamento do preconceito contra negros, homossexuais e mulheres. Para ele, “se não se deve debochar ou subestimar de doenças como o câncer (...) também não há razão para as doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que elas pedem e seus portadores exigem". Aponta ainda para a existência de "várias formas de preconceito, entre elas a própria negação da doença como algo menor ou passageiro”.

É este aspecto da criminalização da Psicofobia que realmente me preocupa. A indefinição do que é transtorno mental é "café pequeno" diante da possibilidade de se criminalizar o questionamento à Psiquiatria. Este aspecto da questão fica evidente no final da 
"Carta de Esclarecimento à Sociedade sobre o TDAH, seu diagnóstico e tratamento" (analisada aqui), quando a ABP, referindo-se àqueles que questionam a existência e legitimidade do diagnóstico de TDAH, afirma  que "fornecer informações equivocadas e ocultar dados científicos bem documentados é dificultar. ou retardar o acesso da população ao diagnóstico ou a tratamento, é a expressão de uma das mais perversas formas de discriminação social: a Psicofobia". A expressão "informações equivocadas", no caso, parece se referir à informações discordantes ou alternativas à Psiquiatria oficial.


A utilização da expressão Psicofobia no contexto desta Carta aponta, na minha opinião, para um outro objetivo, mais oculto e não tão nobre, da cruzada em prol da criminalização da Psicofobia. Podemos entendê-la como uma estratégia da ABP de enquadrar todos aqueles que questionam certas categorias e as classificações psiquiátricas de uma forma geral, como preconceituosos com relação aos portadores. Neste  sentido, a Psicofobia se converteria numa Psiquiatriafobia e o que estaria em jogo não seria propriamente o preconceito com relação aos portadores, mas o "preconceito" com relação à Psiquiatria oficial. Talvez, com todo esse movimento, a associação pretenda eliminar, se não através do debate, mas via legislação penal, qualquer questionamento ou controvérsia com relação às classificações psiquiátricas. 


Enfim, se esta proposta de criminalizar a Psicofobia servir estritamente para punir aqueles que impedem ou dificultam o acesso ao trabalho ou à educação aos portadores de transtornos mentais, podem contar com o meu apoio. Ainda que questione a utilização vaga da expressão "transtornos mentais", não teria grandes motivos para me colocar contra. No entanto, se tal proposta implicar na blindagem da Psiquiatria oficial contra qualquer crítica, como se criticá-la significasse desmerecer o sofrimento das pessoas, aí não tenho como ser a favor. Afinal, a Psiquiatria, como a Psicologia, é um campo repleto de incertezas, desconfianças, controvérsias e disputas. Colocar os "pacientes" como se fossem coletes à prova de balas, indica talvez mais um medo de ser atingido do que um desejo de proteger aqueles que precisam. É claro que eu posso estar enganado, mas se estiver não me critiquem, ou estarão cometendo uma das formas mais cruéis de Psicofobia, que é o preconceito contra psicólogos...



Comentários
26 Comentários

26 comentários:

Anônimo disse...

Uau, para um ramo da medicina que só foi se revestir de alguma utilidade terapêutica há poucas décadas, tendo, antes, sido responsável por algumas das maiores transgressões aos direitos humanos de que já se teve notícia na história, essa campanha parece até nobre. Soa até como um "mea culpa" diante de um passado tão sujo, tendo em vista que os primeiros a legitimar a violenta segregação desses "estrangeiros da razão" foram os próprios psiquiatras. Com certeza, vejo muita verossimilhança naquilo que escreve o colega em seu artigo. A face boa - combater o preconceito, apesar da vaga definição de transtorno mental - não consegue disfarçar aquilo que compreendo como o real desejo dessa campanha: revestir de maior credibilidade as práticas psiquiátricas, que sofrem crítica constante da sociedade, diante de sua megalomania medicalizante.

testando lol disse...

Concordo contigo e completo dizendo que a postura do Antônio Geraldo da Silva, quando falou no programa "Participação Popular" sobre esse tema, é de total ignorância quanto ao caráter falível do ser humano, desconsiderando a possibilidade de ser totalmente absurda a afirmação: 20% da população é portadora de transtorno mental.

Anônimo disse...

Muito interessante a discussão em torno da tal "psicofobia". No entanto, a partir de onde é dito no texto,

"Informações equivocadas, no caso, parece se referir à informações discordantes ou alternativas à Psiquiatria oficial."

ocorre uma perda do sentido lógico da narração, aparecendo uma série de opiniões e inferências sem grandes fundamentos acerca da tal proposta. No trecho acima citado aparece a palavra "parece", mostrando claramente que se trata de uma inferência do autor. No decorrer do texto, novamente opiniões, com o autor reconhecendo, muito responsavelmente, as emitir.

Assim, importa considerar que tal interpretação tem cunho tendencioso, na medida em que o autor dá uma conotação no sentido de defender que a lei serviria como uma estratégia da psiquiatria de impossibilitar a crítica às suas categorias diagnósticas, que é a área de atuação do autor do texto.

Anônimo disse...

Porém, assim como "transtornos mentais", por mais que seja uma categoria geral, engloba condições extremamente diversas, também o termo "psiquiatria" é integrado por diferentes profissionais e diferentes abordagens, muitas das quais, inclusive, tentam se aproximar daquelas desenvolvidas no cerne da psicologia. Diversos psiquiatras atuam com abordagens psicanalíticas, cognitivo-comportamentais, existenciais-fenomenológicas, etc. Desse modo, é um equívoco considerar a classe "psiquiatria" como sendo um todo homogêneo e, mais ainda, imputar-lhe uma tentativa coordenada de defesa do uso de medicamentação, da taxação de transtornos em categorias fixas, enfim, tudo aquilo que o autor, nesse e em outros textos seus, proclama.

Anônimo disse...

Portanto, a questão é mais ampla, muito mais do que considerar, conforme a interpretação do autor, que seja uma estratégia da psiquiatria para se "blindar a críticas".

Porém as considerações continuam.

Anônimo disse...

Essa suposta "blindagem" a que o autor se refere não faz sentido, do ponto de vista jurídico. Crimes de injúria, como a homofobia, só existem se forem praticados contra alguém pessoalmente, ou contra grupos de pessoas que sejam pessoalmente ofendidas. Dessa forma, por exemplo, dizer que os homens homossexuais compõem um grupo mais suscetível a doenças venéreas que grupos de casais heterossexuais não é, de maneira alguma, uma demonstração de homofobia (embora grupos de defesa dos direitos dos homossexuais, sem o devido conhecimento de causa, tenta ir contra informações do tipo, inclusive sem se preocupar com o estado de saúde das pessoas que eles dizem defender, uma vez que tais dados epidemiológicos podem se reverter em benefícios no cuidado, prevenção e tratamento dos grupos abarcados pelas tais pesquisas). Esse tipo de informação não pode ser considerada "homofóbica" pois ela não tem o intuito de ofender os homossexuais, não diz respeito a algum deles pessoalmente, de modo que um ou outro se sinta ofendido pessoalmente com a informação, além de fazer parte da liberdade democrática de discutir quaisquer informações, desde que com a ressalva do respeito mútuo.

Anônimo disse...

Desse modo, a discussão em torno da legitimidade das categorias classificatórias não incorre, legalmente, naquilo que é chamado de "psicofobia".

Tendo levantado tais considerações, gostaria de reiterar alguns aspectos da retórica do autor, a título de possibilitar nele um engrandecimento da capacidade argumentativa, não por uma estima direta por ele, mas por entender que raciocínios bem fundamentados são escassos no mundo atual e que seria vantajoso se mesmo poucas pessoas se interessassem por exercitá-lo. Assim, o autor deveria atentar para o fato de sua análise ser deveras parcial, sendo que seria um exercício talvez muito proveitoso, e talvez também agradável, que ele próprio procure encontrar os pontos específicos onde sua posição não possui fundamento argumentativo e passa a ser mera opinião forçada, em uma tentativa de dar uma coloração à questão diferente daquela que ela de fato contém, bem como analisar as bases que levam o raciocínio levantado a entrar em desacordo com os fundamentos da racionalidade e lógica.

Anônimo disse...

Por fim, considerei digno de nota especial o sofisma presente na forma como o fato de a categoria "transtornos mentais" ser questionada em função da heterogeneidade das condições por ela englobadas. O fato de existir uma categoria geral não significa que todos os constituintes delas sejam idênticos. Caso fosse, não haveria necessidade de uma categoria geral que as compreendesse. Por exemplo, se tenho um conjunto A, que contém os elementos x, y e z, só faz sentido englobá-los em tal grupo se, de fato, x, y e z forem diferentes entre si. Caso no grupo A só esteja contida a categoria x, então sempre que falar em A, estarei me referindo a x, e, logo, ao invés do conjunto funcionar como categoria geral, ele estará assumindo identidade com x, ou seja, A = x.

Anônimo disse...

Na verdade, quando se coloca diferentes transtornos sob uma classificação, se atenta para algo que tenham em comum, como, no caso citado, serem transtornos que afetam a "mente", ou o "comportamento", ou sejam transtornos abordados pela "psicologia", "psiquiatria", etc. Não estou aqui defendendo qual desses grupos é o correto, mas simplesmente chamando atenção para que os elementos são agrupados em função daquilo que tem em comum (e certamente Síndrome de Down e Síndrome do Pânico tem, pelo menos, 'algo', seja o que for, em comum, segundo o que podem ser agrupados). Dessa maneira, chamar atenção para o fato de elementos diferentes fazerem parte do mesmo grupo é um erro patente.

Anônimo disse...

Além disso, ainda sobre o mesmo ponto, tal abordagem que afirma a heterogeneidade dos elementos da categoria geral "transtornos mentais" como ponto de partida para se questionar a chamada "psicofobia" poderia ser comparada a alguém que questionasse a homofobia por considerar que sob a denominação de "homossexuais" existe uma grande diversidade de indivíduos e práticas sexuais.

Ou seja, o texto, embora bem escrito, é ingênuo em algumas partes, tendencioso em outras, e fraco em argumentos no todo.

Felipe Stephan Lisboa disse...

Caro anônimo, toda análise é parcial, inclusive a minha. Falo de um ponto de vista. Em nenhum momento pretendi apresentar a "realidade como ela é". Não sou dono da verdade, dei apenas minha opinião. Um abraço. Felipe

Felipe Stephan Lisboa disse...

Concordo com esta sua crítica. Quando falo "Psiquiatria" me refiro à psiquiatria biológica, cujo discurso permeia o DSM, manual oficial da Psiquiatria no mundo. No post chamo esta vertente de "psiquiatria oficial".

Felipe Stephan Lisboa disse...

Concordo com esta crítica, caro anônimo (por sinal, seria bem mais interessante se vc se identificasse e "desse a cara a tapa", como eu fiz. Fazer críticas anonimamente é muito fácil). Com o argumento sobre a diferença entre Síndrome de Down e Síndrome do Pânico quis ressaltar somente a dificuldade em definir o que é transtorno mental. E isto vale tanto para a Psiquiatria quanto para a Psicologia. Concordo que da forma como eu coloquei, parece q critiquei a ABP por esta indefinição, quando estava simplesmente problematizando uma questão importante na área de saúde mental. Minha crítica à ABP é outra... Agradeço por suas críticas. Vou pensar a respeito de tudo o que vc disse...

krystal disse...

Concordo, plenamente, com você, Felipe, especialmente com esse trecho:
"Talvez, com todo esse movimento, a associação pretenda eliminar, se não através do debate, mas via legislação penal, qualquer questionamento ou controvérsia com relação às classificações psiquiátricas."
Em minha opinião, é possível que esse movimento seja uma tentativa de blindagem a qualquer crítica à psiquiatria oficial e, em meu entendimento, toda categorização psiquiátrica deve ser, permanentemente questionada. Por que? Entre outras razões, um parente esteve em um hospital psiquiátrico em meados dos anos 80 e ele perdeu o controle do esfíncter ao ser colocado na camisa de força; e a família desesperada, que esperava acolhimento do hospital, ao invés disso, obteve essa triste notícia. A quem reclamar? A quem recorrer? A ninguém porque a figura do médico era soberana e inquestionável. Esse parente faleceu tendo em seu histórico um único surto psicótico. Em qual categoria ele deve ser colocado? Onde está o limite entre a sanidade e insanidade?
Um abraço.

krystal disse...

Informações adicionais: o único período em que ele tomou medicamento foi durante a internação e alguns meses após a internação. Ele passou, praticamente, uma vida inteira sem tomar remédio psiquiátrico algum.

Anônimo disse...

Caro Felipe,

não entendas como um ataque pessoal a minha argumentação contrária a ti, mesmo porque em momento algum ela te tem por objetivo pessoalmente, mas as tuas idéias. Ademais, não têm por objetivo causar-te qualquer dano, mas possibilitar que repenses algumas de tuas idéias, ainda que as repenses apenas para te certificares da exatidão delas e, assim, mantê-las, dessa vez com mais veemência e segurança.

Porém, exatamente por serem as idéias os verdadeiros alvos de qualquer crítica por mim proferidas, e jamais pessoas, creio justificado o meu intuito de permanecer anônimo. Quem sou, não interessa, mas sim as idéias que profiro. E estas, meu caro, faço questão de apresentar em sua máxima vivacidade e em todas as suas cores, sendo que, perto delas, garanto-lhe, minha face pareceria insípida e de muito menor importância.

Agradeço a atenção de ler aquilo que escrevi e os comentários. A minha única intenção é a de mostrar que, muitas vezes, caímos em silogismos e sofismas sem perceber, justamente porque tais raciocínios tem a teimosa característica de parecerem sempre se revestir de verdade, dando-nos a falsa sensação de estarmos pisando em solo firme, quando na verdade em muito nos falta a base.

Ass. Anônimo

Anônimo disse...

O lado do solo firme, caro Anônimo sofismático, é que muitos profissionais da medicina tem aplicado laudos de determinados distúrbios inventados (pois não têm etiologia definida nem evidências de existência neurofisiológica) mal olhando o paciente, em sua maioria crianças. Agem em poucos minutos, "carimbando na testa" delas que são tal e qual coisa, e dá-lhe medicação (muitas delas comprovadamente nocivas, mas instituições médicas procuram ocultar o fato, de maneira criminosa). Por tanto, Anônimo sofismático, caso queira ser levado a sério por alguém, se apresente.
Ass.: outro Anônimo (pois minha face também não tem a menor importância)

Maríndia disse...

Nossa, esse artigo foi muito bem colocado! Tirou as palavras da minha boca! Parabéns! Concordo plenamente!

Joana Amaral disse...

Comentário que fiz sobre o seu artigo no "A psicofobia é um crime; e quem é responsável pelo doente mental?", de Fátima Oliveira
http://talubrinandoescritoschapadadoarapari.blogspot.com.br/2012/10/a-psicofobia-e-um-crime-e-quem-e.html
....
Um artigo meio ruim das pernas, reflete a briga de mercado da psicologia com a psiquiatria, sendo que nunca é demais lembrar que a psiquiatria é da área das ciências humanas e não das ciências da saúde! E hoje no Brasil, psicólogos desejam afastar os psiquiatras do atendimento ao doente mental!!!!
Psicofobia ou psiquiatriafobia?
http://psicologiadospsicologos.blogspot.com.br/2012/09/psicofobia-ou-psiquiatriafobia.html

Felipe Lisboa disse...

Prezada Joana, gostaria de fazer alguns esclarecimentos. Minha intenção não foi de forma alguma afastar as pessoas dos psiquiatras. Considero estes profissionais (que sim, tem grande relação com as ciências humanas, mas não deixam de ser profissionais da saúde) tão importantes quanto qualquer outro profissional da área da saúde. Neste post, mnhas suspeitas (que não são acusações) foram dirigidas à ABP e não aos psiquiatras de uma forma geral. Da mesma forma que "critiquei" a ABP, em outros momentos do blog, critiquei o CFP. Pode até ser que a "briga" do CFP com a ABP seja devido à questões mercadologicas. Não é o meu caso. Não considero, por exemplo, que terapia é mais efetiva que medicação. Ambos tratamentos podem ajudar muito, conforme o caso. No caso de transtornos podemmentais graves as medicacões são indiscutivelmente úteis e representam um enorme avanço frente aos tratamentos anteriores. Minhas principais críticas no blog são contra a pretensão da psiquiatria biológica de explicar e tratar os sofrimentos humanos, reduzindo-os a meras disfunções cerebrais. Esta é uma crítica filosófica, não mercadologica. No caso do post em questão, acho importante ressaltar tratar-se apenas de suspeitas, talvez (e espero que) equivocadas, não de acusações. Um abraço

Anônimo disse...

Não há na argumentaçao do senhor Felipe Lisboa sofisma como afirma o anônimo pelo simples fato de que o esquema lógico do sem nome não se aplica a argumentaçao de Felipe.As categorias diagnósticas da psiquiatria se baseiam em Kraepelin,na opinião do conselho da APA e em algumas estatísticas compiladas no DSM,não em nenhum descobrimento sobre o funcionamento do cérebro,órgão que os psiquiatras verdadeiramente desconhecem.O Tratamento por medicamentos apenas se dá para satisfazer os interesses da industria de remédios,esta última suborna os médicos.Lembremos o que disse Voltaire:''Os médicos receitam remédios de que sabem pouco,para doenças de que sabem ainda menos,a pessoas de quem não sabem nada.

Aquele que se utiliza de jargão filosófico ao argumentar,como a palavra sofisma,deveria conhecer um pouco mais um pensador como Kant,que afirmou:o nosso entendimento aplica categorias à realidade e estas sempre se colocam como um véu que nos impede de enxergar a realidade.Não me aprofundarei aqui sobre as categorias kantianas,apenas as utilizei como exemplo de um esquema de pensamento que impede o conhecimento.

Por último o exemplo dado por este sujeito sem identidade ajuda mais ao Felipe do que a si,pois todos sabem que debaixo desse outro diagnósticos criado pela psiquiatria existe mesmo uma diversidade incrível de criaturas e o preconceito tem mais haver com a negaçao dessa multiplicidade,já que a psiquiatria do sec XIX queria mesmo era enquadrar os invertidos sexuais todos num só dignóstico para tratá-losde forma cruel,não para esclarecer alguma coisa ou para combater o preconceito.Quem afinal não sabe reconheer a diferença entre uma LOUCA e um pai de família que pelas caladas se encotra com travestis?Caso queiram rotular-me,posso ser a LOUCA.

ESPELHODALMA disse...

Com todo respeito aos "entendidos no assunto" me coloco a inteira disposição como vitima desse crime onde sou hostilizada desde adolescente twndo como unico protetor meu falecido pai que conviveu 28 anos com uma pessoa depressiva e assim compreendeu a complexidade de comprreender sem rotular marginalizar e excluir sua primeira filha aqui defendendo que vivo em carcere privado sem direito a conviver com minha neta de 7 anos pela propria genitora que roubou o direito de exercer minha maternidade alegando disturbio de comportamento a 31 anos atrás onde até hoje aos quase 48 anos convivo com ameças,agressões psicologicas sem falar no isolamento onde não sou bem vinda a nenhum encontro familiar.Busquei a Defesoria Pública na Bahia onde lá me disseram que não podem obrigar porque lá só fazem conciliações.E ao dar uma paçoca a minha neta quando dela me aproximo por amor ela ao abrir me perguntou:está envenenado.Pergunto aos senhores que aqui expões suas teses que se ponham no meu lugar nunca fui agressiva e nem me considero ameaça para a sociedade muito menos para essa "familia" que jamais tever sequer bons olhos e pela sua ignorancia mesclada com os desamor e porque não falar em desumanidade e doses de crueldade onde até fui banida do ultimo adeus ao meu pai Fred Soares que me escondeu sua doença cancer de pancrea que me ninou desde os 4 anos até os 12 ano onde gerou uma animosidade co a genitora e assim comecei minha perigrinaçao por consultorios psiquiatricos da velha guarda aqui da Bahia.E com meu cid.F20.0 e F30.1 estou aqui disposta a ir a Brasilia sim defender minha integridade fisica, emocional e psicologica e como cidadã Brasileira que pago meus impostos e vivo no mesmo endereço a 10 anos e onde o proprio Ministério Público e a Rede de Proteção a Mulher descaracterizam e desqualificam meus processos pelo simples fato de ter um disturbio mental violando assim o direito de defesa.Faço aqui um acampanha a todos que assim como eu sofre esse tipo de crime que entrem em contato comigo para abrir uma "Denuncia Coletiva" já que o Ministerio Publico da Bahia alegou tal critério.Meu email:vanuziacarneiro2009@hotmail.com e meu tim (71)9199-1354 Vanuzia Carneiro Salvador-Bahia 28 de novembro de 2012 ás 07:02 horario de Brasilia.

Anônimo disse...

Bem, bem...

Tem uma hipótese mais simples que ninguém levantou: que ao propor a referida lei, a ABP ao mesmo tempo rouba a bandeira política de seus adversários e passa da posição de maior perpetrador de abusos para a de defensor dos doentes mentais.

Nada mais compatível com a melhor tradição psiquiátrica do morde-e-assopra.

Anônimo disse...

Que tal perguntar ao paciente?sou um deles...fiquem a vontade!

Anônimo disse...

A p$icofobia que interessa a psiquiatria é a do dinheiro. Eles querem mais gente indo aos consultórios e pagando o dízimo mensal para pegar a receita. Lidar com gentinhas, essa é uma tarefa árdua para quem tem distúrbios mentais, lidar com psiquiatras diletantes e canalhas do “Brasiu”.

marcio costa rodrigues disse...

Sou bipolar, tenho doutorado e fui demitido da Embrapa em 2006 pelo meu comportamento. Fui vítima de diagnóstico errado tanto de psiquiatra qto de psicólogo, me diagnosticaram como depressivo. Até meu advogado trabalhista percebeu meu comportamento 'alterado' e questionou se eu não necessetava de auxílio. Tanto o rh da embrapa, qto o juiz trabalhista me trataram como um delinquente. Mais, tarde fui vítima de mais erros tanto de portadores de crp, qto crm. Acha q ele(a)s renhecem os erros? Me desculpem, mas hoje sei mais de bipolaridade q um psicólogo q me atendeu recentemente.
Acho q o fundamental é aprovar a lei, não temos nada hoje. Pra vcs. com crp ou crm q nos atendem, é fácil. Continuaremos a encher seus consultórios,independente desta lei, vcs ganharão o de vcs.. Qto a nós, na próxima semana podemos perder mais um emprego.
Pior, mesmo aprovados em um concurso, podemos ser barrados pelo exame de sanidade mental, ou numa entrevista de trabalho. É muito cômodo pra quem e tem o seu garantido, ficar discutindo idiossincrasias de crp ou crm, enquanto nós pacientes vivemos cotidiniamente a angústia do amanhã pelo estigma imposto..
Nesta discussão os principais interessados parecem ficar em segundo plano. Necessito tanto de medicação qto de terapia, para ter qualidade de vida. Deixemos as vaidades pessoais de lado, os principais prejudicados com a demora na aprovação da emenda não tem crp o crm. Q tal ouvi-los um pouquinho?