quinta-feira, 12 de novembro de 2009

"Fuck you" e o paradoxo do preconceito


Ouvindo o CD novo da cantora Lily Allen (It's not me, it's you), me encantei com uma música que ao mesmo tempo que é tão meiga tem um título bem agressivo: Fuck You. Fui ver a tradução e descobri que tem uma letra bem interessante. Posteriormente descobri que esta música tem sido usada em campanhas contra a homofobia e o preconceito de uma forma geral. Poderia, perfeitamente, servir de recado para nossa "amiga" Rozângela Justino, a "psicóloga missionária" que diz converter gays e que foi punida pelo CFP em Agosto deste ano (saiba mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Mas a música também retrata um paradoxo: aqueles que lutam contra o preconceito, em última instância, nutrem preconceito contra o preconceituoso e muitos acabam, inclusive, sendo extremamente intolerantes com o intolerante. A letra é brilhante ao expressar este paradoxo. Ao mesmo tempo que a "narradora" da música questiona aqueles de "mente pequena", "racistas", "cabeças-duras", "malvados" e com um pontos de vistas "medievais" (que não acham "normal ser gay" e cujas "palavras não querem dizer nada") e se sente desanimada, enjoada e cansada com todo o ódio que estas pessoas guardam, no refrão ela manda, carinhosamente, todos estes preconceituosos se fuder e complementa: "Vá se fuder, muito, muito mesmo / Porque odiamos o que você faz / Odiamos a sua turma / Por favor não se aproxime (...) Ninguém quer sua opinião". Enfim, ela odeia os que tem ódio... Complexo, não?
Comentários
1 Comentários

Um comentário:

Alice disse...

Muito interessante seu texto, gostei muito mesmo. Hoje em dia falta respeito em vários segmentos. Somos passionais, amamos. E defendemos com unhas e dentes aquilo que amamos. Temos como exemplo o futebol com as brigas de torcida. PRecisamos ter paixão sim, ela nos move, mas respeitando cada indivíduo com sua crença, cor, opção sexual, time do coração, região do país, etc, etc...