quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Psicologia na TV - Lie to me


Na edição passada da revista Veja, foi publicada uma interessante reportagem ("A mentira tem pernas curtas") sobre a nova série da Fox "Lie to me", que estréia dia 29 de Setembro (Terça-Feira) às 22 horas. De acordo com a revista:

Ao explorar as possibilidades da linguagem corporal na detecção de mentiras, Samuel Baum, o roteirista e criador de Lie to Me, recorreu à melhor fonte possível. Professor aposentado da Universidade da Califórnia em São Francisco, Paul Ekman, consultor científico da série, rodou o mundo nos anos 60, do Brasil à Nova Guiné, com o objetivo de comprovar uma ideia que então ia contra a visão de seus pares: a de que as expressões faciais não são mero reflexo da cultura de cada povo, e sim um componente da naturezahumana. Ekman identificou mais de 10 000 variações da fisionomia e determinou como cada uma se relaciona aos diferentes estados emocionais. Mais recentemente, ele se devotou ao estudo daquilo que chama de microexpressões. No contato social, as pessoas se autocondicionam desde cedo a mascarar o que sentem – alguém pode exibir um sorriso, embora esteja sentindo raiva. Só que, em razão da atividade involuntária de alguns de seus músculos, a face estampa as emoções reais de forma instantânea. Em questão de décimos de segundo, a pessoa consegue alterá-la. Ekman criou um programa de computador para treinar pessoas na detecção dessas mudanças rápidas – programa, aliás, que os personagens de Lie to Me usam. A série aborda ainda outra fonte de pistas sobre os mentirosos analisada à exaustão por Ekman: o gestual. Há exemplos engraçados da exibição involuntária dos chamados "emblemas" – gestos que têm um significado preciso em cada cultura – por figurões da política. Em momentos de irritação, o presidente americano Barack Obama e o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld deixaram escapar (ainda que de forma disfarçada) nada menos do que os dedos médios em riste.

Interpretado pelo inglês Tim Roth com algo daquele jeitão rabugento do protagonista de House (vivido por outro inglês, Hugh Laurie), Lightman não hesita em usar seus conhecimentos para manipular os outros, mas cai nas lorotas da filha adolescente. Da mesma forma, sua assistente mais experiente parece cega aos sinais gritantes de traição por parte do marido. Mentir e ser vítima da mentira, afinal, são decorrências da vida – no primeiro episódio da série, informa-se que uma pessoa mente em média três vezes em dez minutos de conversa. Uma grande sacada de Lie to Me é não enveredar pelo moralismo. Não se pode perder de vista, afinal, que a dissimulação tem seu papel, digamos, civilizatório. Pode substituir a violência franca na resolução de um conflito. "A mentira é uma forma de inteligência, transmitida de pais para filhos desde cedo", diz o neurologista Benito Damasceno, da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Poucos, contudo, são tão hábeis em percebê-la quanto um Cal Lightman.


Parece interessante! Abaixo o trailer do primeiro episódio.


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