quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Um breve comentário sobre o filme "Vampira humanista procura suicida voluntário"

Sasha é uma jovem vampira no mínimo diferente. Seria possível dizer até que ela tem uma anomalia ou - porque não? - um transtorno mental: ela se importa com os seres humanos e não consegue matá-los para se alimentar, o que deixa sua família vampírica extremamente frustrada e preocupada. E por conta desse "transtorno" ela se alimenta apenas do sangue extraído de pessoas mortas por seus pais - em um processo de autoengano semelhante ao que nós fazemos quando comemos um bife nos "esquecendo" temporariamente que aquela carne é o resultado da morte de um animal. Pois essa é a história do incrível filme canadense "Vampira humanista procura suicida voluntário" (2023), dirigido pela cineasta Ariane Louis-Seize e recém-incluído no catálogo da Netflix. O que eu acho mais fascinante nessa história é que ela deixa bem claro como as noções de normalidade e de patologia dependem fundamentalmente do contexto em que a pessoa vive. E no contexto criado pelo filme, ser uma vampira humanista é visto, especialmente por sua família, como algo anormal, doentio, patológico e que, portanto, precisa ser tratado ou curado, de forma a enquadrar a pessoa à tal "normalidade". Sério, não deixem de assistir esse filme precioso lá na Netflix!

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