quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eu sou meu cérebro? - Parte 2

Uma leitora deste blog deixou um comentário, no final deste post, dizendo o seguinte: "Desculpe- me a ignorancia, mas li e reli e nao consegui entender... se eu nao sou o meu cérebro... quem eu sou?". Não se trata de ignorância, querida leitora. Esta é realmente uma questão importante. Para respondê-la, disponibilizo abaixo o interessante video "Você não é o seu cérebro", legendado em português, no qual o filósofo norte-americano Alva Noë discorre sobre o assunto. 

Comentários
3 Comentários

3 comentários:

Emerson disse...

Pensando bem, pode ser que nós sejamos nosso cérebro.
Imagine a seguinte situação: alguma coisa acontece e eu tenho que amputar meu braço. Meu braço não sou eu. Acontece alguma coisa, e eu tenho que retirar o coração e viver com um coração mecanico. Eu continuo vivo, o meu coração não sou eu.
Se por acaso meu cérebro parar de funcionar. Não haveria forma de substituir ele, mantendo o meu ''EU''. De certa forma, eu sou meu cérebro. (ACHO)

Favor, responder a esse comentario.

Felipe Lisboa disse...

Emerson, não tenho como discordar de você. Sem nosso cérebro definitivamente não somos nada. O cérebro, sem dúvida, é necessário, imprescindível até, para formar o que somos, mas não é suficiente. As relações com as outras pessoas e com o mundo são, também, absolutamente fundamentais. O casos dos "meninos-lobo" comprovam esta afirmação. Não basta ter um cérebro para aprender uma linguagem e adquirir funções cognitivas superiores. É neste sentido que alguns filósofos e sociólogos apontam para a importância de um entendimento do cérebro como um órgão inserido em um corpo (embodied) e em um contexto social e histórico (embedded). Veja aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Embodied_embedded_cognition A descoberta da neuroplasticidade reforça ainda mais esta perspectiva, tendo em vista que o cérebro atualmente é entendido como passível de mudança, sendo moldado, em grande parte, pelo ambiente. Em função disto tudo, na minha perspectiva, seria equivocado dizer que nós somos o nosso cérebro. Sem ele, a vida (e tudo o que somos) não é possível. No entanto, "somente" ter um cérebro não é suficiente para nos tornarmos os seres complexos que somos. Este cérebro precisa ser moldado pelas nossas relações e pelo mundo. Nós somos muito mais do que um cérebro: somos seres complexos em constante interação com o mundo e com as outras pessoas. Esta é minha visão. Um grande abraço.

Anônimo disse...

Oi, talvez esse seja o comentário mais tolo que alguém possa fazer, não sou formada em nada, não sou nada além de uma adolescente que tem umas questões idiotas ás vezes.. Mas tem uma coisinha que tá me tirando o sono faz uns dias já. Eu estava pensando justamente sobre isso, eu sou meu cérebro? Acredito que seja, como o Emerson disse mais acima, concordo. Mas qual parte exatamente sou eu? Porque não sei vocês, mas ás vezes uma parte do meu cérebro ataca verozmente uma questão cuja outra parte já formou "sua opinião" e é absolutamente contraria sabe? Ás vezes tenho um pensamento como: quanto odio de tal coisa ou de tal pessoa, e a parte que teve este pensamento considera bastante sensato mas aí acontece que a parte do meu cérebro que pensou isso é imediatamente delatada por uma outra, que acha essa ideia totalmente absurda. E é como se luzes vermelhas ligassem e um alarme começasse a soar bem alto dentro da minha cabeça, dizendo que não é boa coisa, que não está certo, que é muitíssimo errado. E aí? Qual sou eu? A que pensou que determinada atitude de alguém me deu todo o direito de odiá-la ou a parte que discorda? Ou a parte mediadora, a que cabe decidir o que é mais certo? Não li nada a respeito, entrei nesse blog por acaso. Se isso for loucura, me avisa que eu procuro tratamento kk -Jhesse