terça-feira, 22 de julho de 2008

Resenha: O segredo

Divulgado pela pseudo-revista Veja como “o maior fenômeno de auto-ajuda da história”, este livro, baseado em um filme de mesmo nome e conteúdo é, na minha opinião, uma das maiores besteiras editoriais da história (1). Bata no liquidificador 1kg de psicologia barata, acrescente 500g de física quântica de botequim, adoce com muito (mas muito mesmo) misticismo de segunda categoria e... Pronto! Beba à vontade mas prepare-se para a azia.

Mas vamos direto ao ponto. O Segredo é a lei da atração. Esta lei, apresentada como uma verdade absoluta e inquestionável, “começou nos primórdios dos tempos. Ela sempre existiu e sempre existirá” (2); “é a lei que determina a completa ordem no Universo, cada momento de sua vida e cada coisa que nela você vivencia. Não importa quem você é ou onde está: a todo-poderosa lei da atração dá forma a toda a sua experiência de vida ao ser posta em ação pelos seus pensamentos” (pág. 5). Questiona Boc Proctor, um dos entrevistados para o livro: “por que você acha que 1% da população ganha cerca de 96% de todo o dinheiro que circula? Você acha que isto acontece por acaso? Isto é planejado assim. Esse 1% entende algo. Eles entendem O Segredo, e agora você está sendo apresentado a ele” (pág. 6). Ou seja, a maioria das pessoas do mundo não tem condições mínimas de sobrevivência apenas porque não conhecem O Segredo. Mas não se preocupe: você vai conhecê-lo agora. Prepare-se!

Bem, o Segredo é que os “pensamentos são magnéticos e tem uma freqüência. Quando você pensa, os pensamentos são emitidos no Universo e magneticamente atraem as coisas semelhantes que estão na mesma freqüência. Tudo o que é emitido volta para a fonte – você” (pág. 25). Desta forma, se você pensa coisas boas, o Universo (Deus, quem falou em Deus?) devolve coisas boas para sua vida. Pensamentos viram coisas: “sua realidade atual ou sua vida atual é resultado dos pensamentos que você tem”. Assim, se você deseja dinheiro, amor, saúde, sucesso, um colar de diamantes ou o príncipe encantado, basta pensar positivamente. O universo, como o gênio da lâmpada de Aladim, está sempre pronto para atender todos os seus pedidos (pág. 45). Não importa o quão grandes e ambiciosos sejam: para o universo não há diferença entre 1 real e 1 milhão, entre uma pessoa qualquer e a pessoa que você quer, entre a cura de uma gripe a cura da AIDS. Peça o que você quiser...

Mas não adianta só pedir. É preciso acreditar, mas acreditar que você já tem o que você quer. É o que chamo de Princípio do Auto-Engano: engane-se profundamente que o Universo acreditará em você e fará com que seu desejo se torne realidade. Se você acreditar que é rico, o universo conspirará para que você se torne. Espere sentado. Apenas peça e acredite. Deixe o “como” por conta do universo. Pense “o que” você quer, peça, acredite e receba feliz. Como afirma Joe Vitale, outro entrevistado para o livro, isto é fácil e divertido: “É como ter o universo como seu catálogo. Você folheia e diz: ‘Eu gostaria de ter essa experiência, esse produto, uma pessoa como essa’. É você fazendo seu pedido ao universo” (pág. 48). Peça, acredite e receba. Eis o incrível Segredo. Meu Deus, por que eu não pensei nisso antes? Agora minha vida vai mudar...

Talvez. Mas o melhor mesmo é correr atrás do que queremos ao invés de ficar esperando que o universo nos dê tudo de mão beijada. Neste caminho, pensar positivamente com certeza ajuda, mas não é o suficiente. Até a autora de O Segredo, Rhonda Byrne, teve de fazer um filme e escrever um livro para conseguir o que tanto queria: ganhar dinheiro, muito dinheiro. Por que com a gente seria diferente?

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1- E, como toda besteira moderna, O Segredo já gerou filhotes. Após seu lançamento, inúmeros livros surgiram como que pequenos Aliens: “A lei da atração – O Segredo colocado em prática”, “A lei universal da atração”, “Peça e será atendido”, “Muito além do segredo”, “Verdades e mentiras sobre a lei da atração”, “Seu desejo é uma ordem”, “A ciência de ficar rico” (relançamento que inspirou O Segredo), etc.

2- Como algo que sempre existiu começou “nos primórdios dos tempos”? Se sempre existiu nunca começou, não é mesmo?
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

Matheus disse...

uhhuuhahuaa, adorei. É interessante como as pessoas gostam de acreditar em ilusões e religiões achando que sua vida vai mudar. Muita gente deve ficar frustrada depois de acreditar por muito tempo nesse livro/filme. É foda mesmo.

Henrique Abrantes disse...

Este livro mexe com o imaginário das pessoas, pensar que tudo o que você quer pode ser realizado é algo extraordinário. Na minha opinião elas acreditam nessas histórias porque tem a necessidade de esperança, esperança que um dia sua vida pode mudar ou que algo muito bom vai acontecer.
Sem essas crenças e principalmente sem essa esperança, a vida não teria graça.

Anônimo disse...

Uma grande besteira é um individuo egocêntrico e achista como o infeliz que publica este post trata-se de um frustado bacharel em psicologia tentando impor uma opnião desclassificada que fechou as portas do mercado de trabalho a ele,obrigando o mesmo a criticar inutilmente um livro de primeira qualidade que esmaga seus pensamentos e textos exdruxulos e mediocres.Não me comportarei como os bajuladores acima que são uns parasitas sociais assim como o blogueiro,seus comportamentos criticos denotam a intelectualidade deles.Por fim oh mediocre criatura que escreve essas inúteis postagens use essa sua psicologia de quinta para ajudar se livrar deste complexo do Eu somente eu.

Rodrigo Caetano Rahmeier disse...

Uau, depois do anônimo, fica difícil se expressar, contudo, porém e todavia, creio que exteriorizar ou acreditar em algo (seja este algo o que for) fora do corpo, como subterfúgio para alívio, ou busca de soluções assim como realização de necessidades e desejos, é um costume/hábito social muito antigo. Quando não se entendia quando e porquê chovia, tinhamos que rezar/orar/ritualizar para que a água simplismente caísse do céu, contudo, as vontades eram mais básicas, concernentes a manutenção orgânica da vida. Alguém na tribo percebeu que poderia se dar bem com essa história de tentar controlar a natureza, como consequência o resultado seria de ser capaz de manipular a própria espécie. As tradições verbais, ou seja, a tradição de contar/transmitir enredos e façanhas dos heróis e dos relações públicas das divindades da natureza, serviam para reafirmar os feitos e modular ainda mais os laços de dependência social. Logo, sozinhos não teríamos condições de realizar praticamente nada, aí nasce a sinequanon para esperar no Outro (seja lá o que este outro representasse) a solução, a resposta, a orientação, ou seja, o que deveria ser feito. Aqui ponto crucial para tudo, quem supostamente controlava a natureza, começou a exigir certos rituais, como forma de merecimento das gratificações externas à própria existência. Ninguém até hoje foi capaz de provar por A+B, a origem da vida, ou a fonte da existência, os homems através das instituições da fé, acabou ironicamente deturpando os deuses que representam, fazendo que muitos começassem ou nem iniciassem a processar cognitivamente a fé, em acreditar em algo além da ciência (se o mundo da idade média - idade das trevas - era de deus, hoje o mundo é da ciência). Dicotomias podem ser ultrapassadas, opções podem ser criadas, por exemplo, poderia existir uma nova categoria semântica entre ateu e agnóstico... entre DEUS E CIÊNCIA. No que concerne à esperança, à expectativa que algo melhore ou mude, hoje não temos tão somente instituições especializadas no assuntos (religiões), todos querem se tornar Xamãns, esses livros best-sellers fico com o pé atrás, gostei do blog Maurício, assim nem perco tempo de ler tal "obra". Pra terminar pessoalmente penso que a fé e a esperança, são atitudes extraordináriamente lindas !