terça-feira, 6 de março de 2012

Psicologia Cristã em questão - A carta do CPPC


Com o objetivo de ampliar o debate que venho tentando promover através deste blog e Twitter sobre a relação entre psicologia e religião, reproduzo abaixo, na íntegra, uma carta pública escrita pela diretoria do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC) e publicada no início deste mês no site da entidade:

Prezados profissionais membros do CPPC,

No CPPC temos aprendido a conjugar e fazer conviver ciência psi com a fé cristã há mais de 30 anos, e estamos convictos de que, apesar de tensões que aparecem, não é necessário e não é bom subordinar uma à outra. Em nossa declaração de fé consta que cremos que tanto a verdade revelada quanto a verdade científica vêm de Deus. Assim entendemos que a Ciência da Psicologia e da Psiquiatria tem direito a existir como tal, e a Fé Cristã também tem o direito de existir como tal. Então, quando um cristão como nós se dedica à prática profissional da psicologia ou psiquiatria, o que ele faz será boa ciência, boa psicologia/psiquiatria; ele não criará uma "psicologia cristã" ou “psiquiatria cristã”, mas será um bom cristão e um bom psicólogo/psiquiatra.

Para exemplificar: nós não recomendamos utilizar o tempo e o espaço de uma sessão terapêutica para orações, estudos bíblicos, apelos, profecias, imposição de mãos e outras práticas comuns nas igrejas. Inclusive porque o evangelho nós recebemos de graça, e a psicologia/psiquiatria foi uma formação profissional que cursamos, da qual tiramos o sustento para a vida. Outro motivo para não fazê-lo é que a posição de psicoterapeuta já é por si só uma posição de poder na relação; mesclá-la com um atendimento "em nome de Deus" iria levar o terapeuta a assumir uma posição por demais empoderada, que tende a fazer mais mal do que bem para o paciente. Nos casos em que houver questões espirituais a serem tratadas, achamos melhor propor, caso o paciente concorde, que ele procure um pastor, um padre, ou uma igreja para tratar de sua "sede espiritual". 

Isso não quer dizer que não sejamos cristãos: Amamos nossos pacientes, colegas de ONGs ou alunos, oramos a Deus por eles, pedimos ao Senhor que nos ajude em nosso trabalho psicológico. Mas no contato profissional nos esmeramos no exercício da psicologia/psiquiatria, em manejar bem os conceitos, técnicas, intervenções, sintomas, significados, transferências, medicações, campanhas, cada um de acordo com sua linha de formação e atuação.

Escrevemos isso para ilustrar porque acreditamos que não é adequado falar que praticamos "Psicologia Cristã/Psiquiatria Cristã", como se fosse uma ciência diferente da que aprendemos nas universidades. Não é. O diferencial nesse caso somos nós, as pessoas que a praticam – nós é que somos cristãos. Mas mesmo como cristãos, somos profissionais da área da saúde, onde praticamos a Psicologia/Psiquiatria, sem adjetivos. Sei que alguns irmãos e irmãs se apresentam de modo diferente, mas não concordamos com essa postura.

A própria Bíblia nos orienta, como em 1Pe 2.11-17, a “manter vosso procedimento exemplar no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação,” e também recomenda o respeito às autoridades legalmente constituídas.

Neste sentido, ao mesmo tempo em que pertencemos a uma associação de psicólogos e psiquiatras cristãos, não procuramos utilizar nossa fé como arma em conflitos. Quanto às questões que envolvem psicologia/psiquiatria e fé, não nos furtamos ao diálogo acadêmico e científico: transformamos estas questões em pesquisas, dissertações e teses, escrita de artigos e livros, participação em fóruns de debate, cursos, palestras e aulas em diálogos interdisciplinares. Sem preconceito nem contra nem a favor, promovemos encontros, congressos, simpósios e debates, atuamos em ONGs, na saúde pública, em campanhas educativas, participamos de esforços de socorrismo. Os resultados destes esforços respaldam nosso diálogo com os conselhos profissionais e ambientes acadêmicos, como por exemplo, a respeito da importância da fé para a saúde, que não pode ser negligenciada.

Ao longo de tantos anos, o Senhor tem nos ajudado a crescer e discernir melhor essa relação. Ainda temos mais coisas a aprender, mas quanto à auto-denominação, nós sugerimos apresentar-nos primeiramente como profissionais. É verdade que somos psicólogos/psiquiatras e somos cristãos, assim como podemos também dizer que somos casados ou solteiros, pai/mãe de filhos, etc., e não estará errado se nos apresentarmos assim. Mas observem que a recomendação bíblica é para que sejam vistas nossas boas práticas (obras), não palavras, argumentos ou bordões.

Sabemos que dependemos de Deus para todas as áreas de nossa vida, e cremos não só que Ele existe, mas também que é bom para todos os que dele se aproximam. Que nosso bom Deus, portanto, nos ajude a sermos bons profissionais neste mundo caótico, trazendo assim bom testemunho da sua bondade onde estivermos!

Agora pergunto a você, querid@ leitor@ deste blog: qual sua opinião sobre esta carta? E como você enxerga a relação psicólog@s-religião? Gostaria muito de saber o que você pensa...


Comentários
23 Comentários

23 comentários:

Anônimo disse...

Eu náo sou psicologo, mas sou Teologo em 2 ano, e admiro a clareza de detalhes em que foi retratado tal afirmação acerca de haver uma nova ramificação da psicologia ou psiquiatria, ou seja, a cristã, eu sei que esse fato ha muito vem acontecendo e que não é de hoje que há essas especulações,porém, gostei muito do que foi dito atravéz dessa carta, fico feliz em saber que há verdadeiros cristãos atuando nesta area, que sabem discernir trabalho de fé,sinto que esse é o melhor caminho a ser seguido, fazer o melhor é sempre o melhor caminho independente da area que esta atuando.

Anônimo disse...

Assim como disse o autor da carta, não há uma psicologia cristã, mas sim pessoas cristãs. Não é porque somos psicólogos que não podemos ter nossas próprias crenças, mas é necessário lembrar que as minhas crenças são minhas e não posso querer que o outro as tenha também, por isso concordo que não há a possibilidade de usar da relegião durante os atendimentos, além de ser contra a ética também pode ser discriminatória.

biakomatsu disse...

Eu não sou psicóloga, nem psiquiatra. Sou paciente de uma psiquiatra. Sou espírita, tenho mediunidade e acredito que independentemente de religião, o profissional deve no mínimo respeitar a crença de cada paciente. Se ele crer em Deus e na fé como um instrumento de salvação ele será capaz de compreender coisas que aconteceram em minha vida por exemplo, basta conferir o meu blog. Em minha casa, antes de ser expulsa pelo meu pai, a tensão chegava ao extremo. A única soluçao que me permitia dormir era colocar no rádio bem baixinho músicas religiosas, que afastavam de mim os maus espíritos, que me perturbavam para que eu não dormisse. Eu ouvia vozes, sentia-os me cutucando, via vultos e podia sentir a quentura de sua energia se "encostasse" neles... Eu ficava em pãnico. Como reação eles usavam meu pai que ficava mais furioso e fora de si, andando de um lado pro outro do lado de fora do meu quarto trancado à chave (eu vivia com medo), querendo arrombá-la por causa das músicas, que mal davam para ser ouvidas de fora. Minha mãe sempre o contia. Como os médicos explicariam esse episódio se não acreditassem nas minhas palavras? Caso se interesse, a história completa está no blog http://biakomatsu.blogspot.com/
Tenho a intensão de escrever um livro que possa ajudar outras famílias através de minhas experiências. Se algum psicólogo/psiquiatra se interessar em participar com orientações e conhecimentos, estou aberta a parcerias. Fala-se muito em violência doméstica, mas pouco nos impactos sobre os filhos. Eles ficam tão cegos que não percebem que estão adoecendo aqueles a quem deveriam proteger.

Anônimo disse...

Excelente texto.

Anônimo disse...

ola,sou estudante de psicologia,e sou Cristão.minha opinião é que a psicologia é insuficiente para RESTAURAÇÃO do homem.ela o compreende,diagnostica seua problemas,mas não os cura!dificilmente vc vera relatos de um ex-viciado que largou as drogas,ou de alguem com profunda depressão q se libertou só com a ajuda da psicologia...JESUS disse:sem mim nada podeis fazer.a biblia diz:se o filho te liberta,verdadeiramente seras livre!em contato com outros profissionais da area de ongs comtra as drogas eles dizem ser um caso perdido e q a psicologia so pode consientizar,e fazer a prevenção do uso,mas q um depente é praticamente um caso perdido,q pode apresentar melhoras momentaneas.Não desprezo a psicologia,é um estudo magnânimo,e como uma ciencia aberta,que está em constante crescimento e formação,devia aceitar o cristianismo sim,pois é um forte aliado,e tem só ajudado a melhora de pessoas.vejam o caso da psicologa MARISA LOBO a que ponto chegou o conselho regional de psicologia,ai sim ja é preconceito em excesso....vejam no google!

Xandrovisk disse...

Sou estudante de Psicologia e meu interesse por ela surgiu primeiramente do contato com a religião, de modo que sempre me interessou investigar como estas duas manifestações de conhecimento se articulavam.
Em minha opinião esta carta da CPPC foi bastante clara e de grande ética nos princípios que sugere. Não despreza a psicologia nem a religião, ao contrário, complementa a ambas sem as misturar como uma coisa única ou mesmo como uma extensão uma da outra: o contato (que invariavelmente ocorre) se dá pelo ser humano que é o profissional e não pela criação de uma nova ciência nem de um novo dogma.

Acho interessante ressaltar que essa carta chegou até o ponto onde poderia chegar já que a sociedade atual não é capaz (e talvez um dia eu tenha deme contentar que nunca o seja) de unificar as crenças, muito embora grande parte delas tenham por preceito o culto a um Deus único e soberano da criação. Aqui corro o risco de ser criticado mas pergunto: se para tantas há um Deus único e soberano, por que o diálogo entre as crenças se mostra tão difícil? Muitas vezes exploramos essa questão tão largamente apenas para chegar a uma simples conclusão: porquê gosto é pessoal, cada um tem o seu.
Vivemos num periodo de variedade tal que mesmo a física experimental debate se a realidade objetiva se estrutura em cordas ou em loop, e temos aí grande número de representantes de ambos os lados.

Na psicologia temos a mesma coisa quando pensamos nas abordagens teóricas que fundamentam as práticas profissionais. No fundo é porquê cada uma das "Psicologias", das ciências e das religiões não detém toda a verdade, mas um fragmento dela.

Se é difícil unir crenças (e ciências) que tem uma base tão semelhante, difícil também seria unir ciência e religião que a despeito da história nos mostrar que ambas já caminharam juntas, mostra também que em determinado momento houve uma separação. Sou um entusiasta, porém, e espero que um dia ambas possam caminhar juntas novamente.

Posto isso, encerro minha linha de raciocínio com a opinião de que devem ser organizados, de momento, muito mais debates que integrem a religião (seja qual for) à psicoterapia no tocante ao significado que o cliente faz de suas crenças e como ela pode servir de rede de apoio para o bom andamento terapêutico, sendo assim, uma articulação útil, muito mais do que tentar unir ciência e religião que, de momento vivem um periodo de plenas descobertas que, creio, causará muito mais fragmentação antes de poder começar a pensar em unificação.

Hlacerdas disse...

Boa tarde a todos.

Penso que é uma relação bastante complicada. Pelo que li da carta, percebi trata-se de uma comunidade cristã, em primazia.

Uma coisa é o reconhecimento da fé no que diz respeito ao bem estar do sujeito, o que retrata uma posição externalizada, ou seja, independente de qual seja a crença do sujeito, se há ali um quadro de estabilidade, o quê ou onde o sujeito se apoia é indiferente. Outra coisa, é o reconhecimento da fé no que diz respeito a esse mesmo bem estar, porém, da única e da própria fé, de forma que a posição não é externalizade e sim, o contrário, pois, o profissional parte da própria crença, unicamente, e a utiliza ou sugere como tratamento, conforme nos expõe a seguinte parte da carta:

"Nos casos em que houver questões espirituais a serem tratadas, achamos melhor propor, caso o paciente concorde, que ele procure um pastor, um padre, ou uma igreja para tratar de sua "sede espiritual".

Uma coisa não depende da outra e menos ainda estão relacionadas, enquanto profissionais.

Ah sim, meu nome é Hudson e sou graduado em psicologia com enfase clínica pela PUC.

Priscila disse...

Bom dia, não sou psicologa nem psiquiatra, mas sou cristã!
E concordo totalmente com a carta, a escolha da religião, crença, isso é pessoal, é puro pré-conceito isso, quando o profissional é espirita, batuqueiro ninguém fala nada agora quando se trata de ser um cristão ai tem coisa errada?
Ser cristão e ser um profissional é diferente, na minha opinião apartir do momento que qualquer profissional levar para sua profissão, seu trabalho suas crenças pessoais deixou de ser profissional.

Anônimo disse...

Boa noite!

Não sou psicólogo nem psiquiatra, mas me desculpem antecipadamente: achei uma prepotência desde que se trata achar um diferencial ter uma crença cristã. Penso que qualquer profissional independa de etnia (grupo cultural)para exercer sua profissão, já que seus atos são pautados pela ética profissional enquanto a exerce e vários outros sistemas de valores também estariam então em execução. Ser ateu, budista, espírita, homossexual...não seriam um diferencial? Acho muito tendencioso e pessoal criar um grupo adepto de alguma crença em conjunto com uma ciência tal como a psicologia e usar o "slogan" dela como um algo a mais.

Lucas disse...

Muito pertinente esta discussão. Acredito que o assunto foi bem tratado por meio desta carta.
Minha opinião parte do princípio de que antes de qualquer religião, devemos ter fé e acreditarmos em nós mesmos e nos outros. Isto sim condiz com a profissão de um psicólogo.

Lucas Bezerra - Psicólogo clínico
www.lucasbezerra.com.br

rearaujo disse...

A carta foi muito esclarecedora.
Sou cristã e estudante de psicologia e percebo que muitas pessoas tentam misturar as coisas. Temos que ser profissionais e a questão da fé em Deus vem antes disso, é uma característica minha, uma crença. Já a psicologia é minha profissão, não podemos misturar as coisas, como dar estudo bíblico na terapia e nem fazer terapia no culto da igreja.
Psicologia cristã não é uma nova psicologia ou nova teoria, mas apenas tacharam assim por ser exercida por cristãos, o que é totalmente equivocado.

Anônimo disse...

Boa noite...
Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo blog. Sou estudante de psicologia e sempre que posso estou acompanhando as postagens e tenho refletido sobre alguns assuntos discutidos aqui o que tem sido de grande valia para mim.
Agora, acerca do texto posso dizer que o achei simplesmente fantástico. Não frequento nenhuma igreja e nem tenho me apegado a nenhuma religião no momento, apesar de ter crescido em meio à doutrina cristã (Católica). Mas, mesmo que fosse religioso continuaria a concordar com tudo o que fora exposto. Penso que durante o processo terapêutico o profissional precisa utilizar como base a ciência que fundamenta sua profissão, e não preceitos religiosos que podem, OU NÃO, serem partilhados pelo paciente. A final de contas, a ciência psicologia, assim como a psiquiatria, não surgiu da noite para o dia. Ao contrário, são anos de estudos e investimentos os mais diversos para chegarmos aonde chegamos. E o mais interessante do texto é mesmo perceber que os próprios profissionais do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos reconhecem a necessidade de separar sua atuação profissional da religião. Até reconheço que a religião pode sim ser eficaz em algumas situações. Porém, não deve em momento algum ser acrescida ao “espaço” da terapia, pois isso descaracteriza nossa atuação junto aos nossos pacientes.

Fulvio P. Lima disse...

Olá, gostaria de dar-lhe os parabéns por essa iniciativa, com certeza nos despertará para o debate.
Pois bem, vamos ao tema.
Sem dúvida ele é muito polêmico, e claro, quando se destaca "pontos de vista".
Sabemos que a psicologia nasceu da filosofia num momento que com todo o seu saber, com todo o seu potencial de pensamento, a filosofia não conseguia trazer entendimento sobre alguns aspectos da vida do homem - enquanto ser humano. A psicologia vem com o objetivo de centrar o ser humano, equilibrar suas emoções e sentimentos, fazê-lo entender o mundo em que vive, mas muito mais, ser entendido por aqueles que vivem com ele neste mundo.

Eu pergunto: "qual o problema de se usar o termo - psicologia cristã?

Se a própria psicologia se divide, se ela mesma se abre para uma diversidade de atuações, porque não pode haver a psicologia cristã?"

Ela se divide por exemplo em: Psicologia e arte, Psicologia cognitiva, Psicologia comunitária, Psicologia do consumidor, Psicologia dos desastres, Psicologia do desenvolvimento, Psicologia Educacional, Psicologia escolar, Psicologia dos Esportes e dos exercícios, Psicologia da família,
Psicologia hospitalar, Psicologia institucional, Psicologia internacional, Psicologia jurídica (forense), Psicologia médica, Psicologia militar, Psicologia da mulher, Psicologia da reabilitação, Psicologia da religião, Psicologia da saúde, Psicologia social, Psicologia do trabalho, Psicologia do trânsito, Psicologia comportamental, Psicanálise, etc.

Quando um paciente se submete a ser tratado por um psicólogo muitas vezes nem imagina que este profissional segue uma linha de atuação - uma abordagem - ou seja, este profissional segue aquilo que ele crê. Alguns Freud, outros Jung, outros Rogers, etc., alguns atuam no comportamental pois não acreditam na interferência do inconsciente, outros são psicanalistas, pois não veêm no comportamento uma forma de ajudar a pessoa, tudo está diretamente ligado ao seu inconsciente, outros não atuam levando em consideração este inconsciente e nem tão pouco aquele comportamento, acreditam que a abordagem tem que ser centrada na pessoa, enfim, há uma diversidade psicológica.
Continua.........

Fulvio P. Lima disse...

Continuando...
Quando estou com uma úlcera vou a procura do tratamento por um médico gastro, se estou com uma fratura, procuro um ortopedista, se o paciente é criança, o médico é um pediatra, se é idoso, um geriatra, se quero um tratamento com medicamentos procuro um médico alopata, senão quero usar medicamentos, procuro um homeopata, se estou com um problema de falta de pagamento do alguel de imóvel de minha propriedade e que coloquei em locação, procuro um advogado civil, se o problema é penal, um advogado criminalista, se devo impostos, um advogado tributarista, então indago: "qual o problema de se declarar um psicólogo cristão, ou que como psicólogo sua crença é a cristã?"

Se algum profissional, não importa a área que atue, disser que é 100% imparcial, me perdoe vou dizer que não acredito, todos fazem uso do seu viés em algum momento, claro que não o usam 100%, mas que o usam isso sim o fazem, então, penso que dizer ou não que se é um psicólogo cristão, que se faz uso de uma psicologia cristã, vejo isso apenas como uma distração, uma forma velada de discriminação da fé, principalmente quando se proibe, e é impressionante como neste país quando não se conhece sobre o assunto, opta-se logo pela proibição, porque não pela educação, porque ao invés de proibir não ensinamos, disciplinamos, mostramos que existem outras opções.

Nesta semana somos surpreendidos com a decisão da Cãmara máxima do judiciário deste país, quando decide que o aborto é a melhor opção para as crianças que estão sendo geradas e não possuem cérebro. Quantos destes senhores, conhecedores de todo saber jurídico, possuem cérebro e não fazem uso dele como se esperava que usassem, pergunto: "não deveriam ser abortados também, afinal, não atendem as necessidades para as quais deveriam estar atendendo, pelo menos, para parte da população."

Enfim, não concordo com a posição do CPPC, perderam uma grande oportunidade de sair em defesa da fé de forma clara, dos profissionais que são associados dessa entidade, como eu, na verdade, acredito que estejam com medo de qualquer censura ou represália por parte do CFP, e dizem que a ditadura e a censura acabou.

Estou em formação, não tenho dúvidas que minha área de atuação será a psicologia cristã, não abro mão dessa nomenclatura, e com isso, não digo que vou incutir em meus pacientes a minha fé, mas não vou também negá-la, não preciso ser como um Pedro quando negou a Cristo, quero que meus pacientes saibam em que acredito e que não vou me conformar com este mundo, mas que quero me transformar pela renovação do meu entendimento, para poder experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para a minha vida, e com isso, sei que tudo de bom que me acontecer, será extendido àqueles que se submeterem aos meus cuidados profissionais, e nisto que creio.

Abs., a todos e boas postagens.

Fulvio P. Lima
email: fulvio.psico@gmail.com
Graduando em Psicologia
Bacharel em Direito
Pastor e Professor de Teologia
Conselheiro espiritual a mais de 15 anos

Anônimo disse...

acho que independente de religião , apesar que tem várias pregando o falso ensino, as pessoas devem se conscientizar que toda sabedoria adquirida provém de deus procurar fazer como ele disse e não como a gente quer

DaniFilth disse...

Sou Daniel Brum, estudante de psicologia do 7º Período, de Ipatinga - MG, Acho que estes "Pseudo Psicólogos" estão cada vez mais alienados, ser Cristão não contribui com a prática psicológica, e se dizer cristão não faz mais do que criar barreiras para o cliente, pois, o que deve ser levado em consideração para um atendimento psicológico não devem ser as crenças religiosas, fatores culturais dos profissionais, e sim do CLIENTE.

A relação direta e prática da religião com a psicologia é que a religião fornece potenciais clientes para o psicologo. Acredito que a bíblia não seja uma boa fonte bibliográfica para se fundamentar ou embasar uma ciência. Eu me questiono, e para o atendimento aos clientes que não são cristãos, como os "Pseudo Psicólogos Cristãos" irão abordar? Como o cliente ficaria nesta relação? Fico triste por estas pessoas, por este movimento que só faz a Psicologia regredir como ciência. O determinismo da religião deve ficar guardadinho na igreja. Se entrar no consultório, que não seja pelas mãos do psicólogo.

Carla disse...

Boa tarde a todos,

Meu nome é Carla e sou psicóloga e cristã (evangélica).

Li não só a carta, mas também todos os comentários até agora, achei muito interessante e necessário este debate, penso que deveria ser ampliado. Nós psicólogos estamos com necessidade de pensar sobre este tema, sobre os benefícios e malefícos de colocar Ciência e Religião juntas no consultório, e se estamos preparados para isto. Atendi durante os últimos oito meses, dependentes químicos, numa clínica evangélica, foram atendimentos psicológicos, mas que no decorrer da conversa não tinha como fugir de questões espirituais, pois 90% dos internos eram evangélicos, e a maioria insistia em falar de suas experiências expirituais, em atribuir suas "quedas" a intervenções malignas. E creio que que o ser humano é um ser físico, mental e espiritual, não vejo sucesso no tratamento de um dependente químico só pela medicina, ou só pela psicologia ou também por um aconselhamento espiritual. É necessário uma visão global de todo o ser, porém não quero afirmar que todo médico tem que ser psicólogo e também pastor, ou todo pastor terá que estudar medicina e psicologia, mas podemos ser humildes e tratar de acordo com nossa área de atuação e encaminhar para o médico e ou para o pastor quando a questão não estiver ao nosso alcance. Ter a visão de um todo não é necessário um super psicólogo que orienta, aconselha e medica seus pacientes. Nós só orientamos as pessoas a entrar em contato com suas emoções, a avaliar suas atitudes, a se repensar como pessoa... e isto é tão grande, tão profundo. Converte-las a fé cristã é para o Espírito Santo, e Ele é perfeiro nisso. Quero deixar claro que as pessoas que atendi nesta clínica, não as inibe hora nenhuma de falar de suas questões espirituais, de usar os personagens bíblicos para se expressarem, e até usei várias metáfora bíblicas quando eles mesmo citavam, para ele se repensarem, se questionarem. Usei falar de Deus como criador de todas as coisas, mas não precisei evangéliza-los para tratar psicologicamente deles.
Termino falando novamente, este debate de ser ampliado, vejo que existe essa demanda entre nós cristãos psicólogos.

Anônimo disse...

Sou psicólogo e creio que a Psicologia Cristã é só mais um tipo de diferenciação que vemos todos os dias, contudo temos uma visão meio preconceituosa a respeito dela por que nossas instituições religiosas, como tantas outras instituições encontram-se em declínio de popularidade. Em uma aula de graduação, minha professora comentou sobre uma psicologia budista, na qual existiam diversos elementos psíquico de avaliação, em contrapartida, desvalorizava claramente a fé cristã. Creio que em nossos estudos sobre a dinâmica psicológica temos que adotar um posicionamento crítico, mas capaz de avaliar pontos positivos e negativos, e manter uma posição de relativismo. Observo que muita coisa inadequada ocorre no contexto "psi", mas isto é um fenômeno geral, e cabe aos conselhos e profissionais lutarem para que os limites entre psicologia, religião, valores morais grupais e institucionais não gerem um trauma secundária à uma subjetividade em sofrimento.
Obs. : Gosto muito de seu blog.
williamgualberto88@hotmail.com

Felipe Hautequestt disse...

Para quem ficou com preguiça de ler isso tudo, eis o meu resumo da carta do CPPC:

"A gente entende que não deve misturar psicologia e religião. A gente entende que não deve falar de psicologia cristã. A gente entende que o nome da nossa associação causa uma porção de mal-entendidos, inclusive entre os próprios membros. A gente entende que este grupo serve apenas para reunir pessoas que calharam de ter duas características em comum: calharam de ser ser, por acaso, psicólogas e cristãs. A gente entende até que, em vez dessas duas, as características poderiam ser quaisquer outras, por exemplo: Psicólogos-Que-Gostam-de-Couve-à-Mineira ou Psiquiatras-Que-Usam-Relógio-de-Pulso.
A gente entende tudo isso. E entende também que é justo o contrário de tudo isso que a gente dá a entender. Mas, por favor, não fiquem bravos com a gente!"

Anônimo disse...

sou pastor ,tenho visto casos de pessoas que por nao entender a situaçao que as envolve que nao somente sejam espirituais mas tambem por atitudes ou comportamentos que precisam ser esclarecidos.vejo que a parceria crista e psicologia podem trazer resultados beneficos associados em uma etica construtiva em prol de duas dimensoes(espirituais e sentimentais)resultando na liberdade da alma.

Anônimo disse...

A psicoligia nao atende aos rigores cientificos para ser considerada uma ciencia. Isso ė uma falácia. Ela é mais uma religiao travestida de ciencia. Leiam o artigo artigo disponivel no link a seguir: http://solascriptura-tt.org/SeparacaoEclesiastFundament/PsicologiaEIgrejaEvangelica-TAMcMahon.htm

Ivaldo Ferreira disse...

eu queria saber; qual a relação da psicologia no contexto cristão?
diga por favor

Ivaldo Ferreira disse...

tenhe outra que eu queria sber; qual a influencia no contexto historico com relação a construção da psicologia;me responda por favor