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quinta-feira, 12 de março de 2009
Psicologia no cinema
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Responsabilidade: isso existe?
Cada dia mais, psicólogos e psiquiatras são convocados pela mídia e pela justiça a explicar (e justificar!) ações a primeira vista inesplicáveis, como a de Paula Oliveira ou da quadrilha que empurou o casal do penhasco no Rio de Janeiro. O risco destas explicações profissionais é retirar da pessoa a responsabilidade sobre o ato que cometeu, deslocando esta responsabilidade para a criação, os genes ou o cérebro: "Não fui eu, foi minha amígdala!", "Darwin me levou a fazer isso!" "Meus pais me batiam, por isso eu sou assim!". Reproduzo abaixo um trecho do espetacular livro Tábula Rasa (2002), do psicólogo evolucionista Steven Pinker, que trata deste assunto:"Algo saiu muito errado. Estão confundindo explicação com absolvição. Ao contrário do que insinuam os críticos das teorias das causas biológicas e ambientais do comportamento, explicar um corportamento não é desculpar quem o executou (...) Se o comportamento não é totalmente aleatório, há de ter alguma explicação; se o comportamento fosse totalmente aleatório, não poderíamos responsabilizar a pessoa em nenhum caso. Portanto, se alguma vez responsabilizarmos pessoas por seu comportamento, terá de ser a despeito de qualquer explicação casual que julguemos cabível, independente de ela invocar genes, cérebro, evolução, imagens da mídia, dúvida sobre si mesmo, criação ou convívio com mulheres briguentas. A diferença entre explicar um comportamento e desculpá-lo é captada no ditado "Compreender não é desculpar", e foi salientada de diferentes modos por muitos filósofos, entre eles Hume, Kant e Sartre. A maioria dos filósofos acredita que, a menos que uma pessoa seja realmente coagida (ou seja, se alguém apontar uma arma para sua cabeça), devemos considerar suas ações livremente escolhidas, mesmo se forem causadas por eventos no interior do seu crânio" (p. 250)
Esta questão é complexa! Tem inúmeras implicações teóricas (relativas aos conceitos de livre-arbítrio, escolha, etc), bem como consequencias práticas. A questão da imputabilidade de uma pessoa é séria e já foi amplamente discutida no Direito. No Brasil são inimputáveis absolutos (ou seja, não podem ser penalmente responsabilizados em nenhuma circunstância) os menores de 18 anos e inimputáveis relativos (ou seja, que podem ser responsabilizados dependendo da análise caso a caso na justiça) pessoas portadoras de doença mental. Como em quase tudo nas ciências humanas, tais conceitos são vagos e aleatórios: o que separa a criança de um adulto ou uma pessoa "normal" de uma portadora de doença mental? Em que momento uma criança torna-se adulto e passa a responder pelos seus atos? Com 16, 18 ou 21 anos? E em que ponto do contínuo "normalidade-anormalidade" situam-se os inimputáveis relativos? Por exemplo: uma pessoa diagnosticada com o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), ansiosa com uma prova e que mata o professor, é culpada ou a culpa é do seu transtorno? Na minha opinião a responsabilidade é da pessoa. E vocês, o que acham?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Psicólogo ou formado em Psicologia?
Podem atirar as pedras. Vou falar mais uma vez sobre o Big Brother Brasil. Mas o fato é que, apesar de ser um produto visando meramente os índices de audiência (e a publicidade decorrente destes índices), o BBB oferece para os psicólogos - em especial os sociais - um laboratório em termos de relacionamentos humanos em grupo. Queiram os intelectuais-que-odeiam-tudo-que-o-povo-gosta aceitarem este fato ou não! Muitos experimentos clássicos de psicologia social forjaram situações como as criadas no BBB. Como diz o psicólogo Felipe Epaminontas (do blog Ciência e Psicologia) , "prender vários estranhos em um ambiente fechado e ficar os observando na maior parte do dia é uma idéia que me fascina muito, mas infelizmente tal projeto de pesquisa seria facilmente rejeitado em qualquer comitê de ética". Já que a Globo não tem nem um pingo de ética (vide a prova do Quarto Branco, que está sob investigação do Ministério Público pela suposta prática de tortura), mas, pelo menos, os participantes se submeteram voluntariamente ao programa, que mal há em "dar uma espiadinha".
O primeiro exemplo que me vem à cabeça é Luiz Gasparetto, apresentador do extinto programa Encontro Marcado, da Rede TV. Segundo a Wikipedia, Gasparetto é "um psicólogo de formação, médium psicopictográfico e apresentador de televisão". Tenho arrepios só de ler!!! Este cidadão - que mistura psicologia de botequim com espiritismo - é meu colega de trabalho? O fato de ter formado em um curso de Psicologia faz de Gasparetto um psicólogo? Oficialmente sim, afinal ele deve ter o diploma de Bacharel, mas, na boa, não consigo vê-lo desta forma.. terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Addiction is a choice?
Excelente esta reportagem da Globo News sobre a dependência de internet (ou, como eles, chamam, o "vício em conexão"). Mas o mais interessante na matéria é a entrevista com o psicólogo americano Jeffrey Schaller, autor do polêmico livro "Addiction is a choice". Ele defende a idéia de que comportamento (aquilo que a gente faz) é uma coisa e doença (aquilo que a gente tem e que se expressa em nosso corpo) outra. E os vícios/adições seriam, na sua concepção, comportamentos e não doenças (como apontam o CID-10 e o DSM-IV). Assim, o que chamamos de dependência de álcool e drogas, de sexo, de internet, etc. não passa de um comportamento auto-destrutivo baseado na escolha do indivíduo. Para ele, neste caso, não há doença alguma. Tudo é uma questão de escolha! Por alguma razão, aquela atividade - mesmo que gere conseqüencias graves - tem um sentido para aquela pessoa, preenche alguma coisa. Por isso a pessoa "escolhe" continuar repetindo tal comportamento (Skinner explica!). O que o autor problematiza, na verdade, é uma velha discussão: qual a responsabilidade do indivíduo adicto em seu próprio "tratamento" (ou mudança de comportamento)? Porque uma coisa é verdadeira: muitos indivíduos se escondem sob o rótulo de DOENÇA para se fazerem de coitadinhos e não mudarem. Certamente este rótulo retira a responsabilidade do indivíuo sobre seu problema, mas será que simplesmente não existe esta história de dependência? Será que tudo é uma questão de escolha? Pensando desta forma, voltamamos à velha história de que o indivíduo que não consegue abandonar ou modificar seu comportamento não tem "força de vontade" e é um "fraco". O ponto de equilíbrio nesta discussão é que ao mesmo tempo em que o indivíduo tem um problema (e já está mais do que provado que há um mecanismo cerebral de recompensa que acaba por gerar uma dependência de determinada substancia ou comportamento) há a responsabilidade da pessoa sobre sua própria vida. O problema é que às vezes falta motivação. Mas aí já é outra história...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Sumi, mas não morri...

terça-feira, 25 de novembro de 2008
Psicologia na TV - Parte 2

quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Não dá para competir - Volume 8
Notícias imbecis, manchetes idem - p.3

Saiu ontem no site português Exame Informática:
E se o telemóvel substituir o psicólogo?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Fábio Assunção vai pra Rehab
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Ensaio sobre a nossa cegueira

OBS: A crítica de Pablo Vilaça do filme, como sempre, é excelente.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Não dá para competir - Volume 7

segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Lançamento - Mentes Perigosas

Ana Beatriz, acusada por muitos acadêmicos invejosos e pouco (ou nada) lidos, de superficial e popularesca, é, na minha opinião, uma ótima divulgadora do campo “psi”. Ainda que não tenha a genialidade dos grande divulgadores científicos (Carl Sagan, Stephen Jay Golud, Richard Dawkins, Antonio Damásio, etc), a autora atinge seu objetivo (alertar e explicar à população sobre as psicopatologias) sem precisar recorrer ao insuportável porém disseminado "academiquês", linguagem hermética e ininteligível, utilizada por intelectuais - comumente psicanalistas - que, inseguros quanto ao próprio conhecimento, escrevem de forma a gerar nos leitores um estranho comportamento: quanto menos eles entendem o que está escrito, mais admiram o escritor. Devem pensar: “se eu não estou entendendo o texto é porque eu sou burro; e se eu sou burro é porque o escritor é inteligente”. E assim, estes intelectuais são colocados no Olimpo acadêmico e idealizados para todo o sempre... NOT!!! (como diria Borat).

Psicologia Espacial

Astronautas ganham psicólogo online
BOSTON – Seu trabalho é perigoso e seus colegas dependem de você para ficar vivos. Você não pode se afastar desses colegas, não vê sua família por meses – até anos – e a comida não é boa. E esqueça de dar uma volta para tomar um ar. Sem dúvida, a aventura do vôo no espaço pode sempre ser estressante, isolador e depressivo. Por isso, cientistas estão trabalhando para dar aos computadores a possibilidade de oferecer o entendimento – se não todo o conforto – de um terapeuta humano, antes que problemas psicológicos e conflitos interpessoais comprometam a missão. Testes clínicos no projeto de US$ 1,74 milhão e quatro anos para a Nasa, chamado Estação Espacial Virtual, devem começar em Boston no próximo mês. O novo programa não tem nada do HAL, de “2001: uma Odisséia no Espaço”. A interação entre o astronauta e a Estação Espacial Virtual é menos sofisticada e mais benevolente. No projeto, patrocinado pelo National Space Biomedical Research Institute, um terapeuta gravado em um vídeo guia o astronauta por uma terapia bastante usada na depressão chamada “tratamento de resolução de problemas”. A gravação ajuda os astronautas a identificarem as razões para sua depressão. O programa, então, ajuda-os a fazer planos para lutar contra a depressão, baseados nas descrições que os astronautas digitam sobre seus problemas. Os astronautas também podem aprender estratégias para lidar com conflitos por um jogo interativo e até mesmo ler livros de psicologia. Apesar de ser direcionado a astronautas, os líderes do projeto acreditam que ele poderia ajudar os pacientes da Terra que não vão a um terapeuta por causa do custo ou do orgulho, ou por viverem em áreas rurais com poucos psicólogos.
Ainda sobre este assunto comenta o psicólogo behaviorista Felipe Epaminontas em seu excelente blog Ciência e Psicologia:
Eu sempre quis ir ao espaço, mas pra que enviariam um psicólogo ao espaço? Bom, de acordo com o Universe Today, eu já tenho uma desculpa para isso! O fator psicológico dos astronautas é de grande preocupação atualmente para a NASA, principalmente quando se pensa em viagens de longa duração à Lua e Marte. A grande preocupação é a possibilidade de depressão e conflitos interpessoais. Em outro planeta, se ocorre algum desentendimento entre você e seu colega, não há como excluí-lo de sua vida. Se sentir saudades, não dá para voltar para casa. Em caso de acidentes, não existem serviços de emergência. Um estudo já está sendo feito na Terra em que voluntários passam vários dias isolados do resto do mundo realizando tarefas, com o objetivo de encontrar os principais desafios psicológicos do isolamento e maneiras de superá-los. Desafio que pode ser comparado aos grandes navegadores deixando seus continentes pela primeira vez. Mas nem tudo são tragédias: ao passar muito tempo no espaço ou andando pela Lua, alguns astronautas (ex. Russel Schweikart, Apollo 9; Edgar Mitchell, Apollo 14) relataram uma sensação de euforia e uma espécie de “conexão cósmica” com o universo. Um estado semelhante ao de monges budistas (ou algumas pessoas sobre efeito de LSD?). Será efeito da falta de gravidade no cérebro? Ou resultado de experiências tão diferentes?
Esta nova "possibilidade" de atuação profissional não deve vingar no Brasil. Estamos como sempre estivemos, por fora da corrida espacial em andamento no mundo. Com relação à atuação online já temos algumas experiências (ver aqui, aqui e aqui), embora o CFP proiba qualquer trabalho psicoterapêutico não-experimental mediado por computador (ver Resolução n° 12 de 2005) e tenha instituido, através da Resolução n° 6 de 2000, a Comissão Nacional de Credenciamento e Fiscalização dos Serviços de Psicologia pela Internet. De acordo com a primeira resolução citada (12/2005):
São reconhecidos os serviços psicológicos mediados por computador, desde que não psicoterapêuticos, tais como orientação psicológica e afetivo-sexual, orientação profissional, orientação de aprendizagem e Psicologia escolar, orientação ergonômica, consultorias a empresas, reabilitação cognitiva, ideomotora e comunicativa, processos prévios de seleção de pessoal, utilização de testes psicológicos informatizados com avaliação favorável de acordo com Resolução CFP N° 002/03, utilização de softwares informativos e educativos com resposta automatizada, e outros, desde que pontuais e informativos e que não firam o disposto no Código de Ética Profissional do Psicólogo e nesta Resolução.
CFP versus Vaticano
Antes do CFP eu já havia publicado e me manifestado sobre a recém-lançada resolução do Vaticano que exige a avaliação, por psicólogos, da orientação sexual de candidatos a sacristia. Hoje (dia 3 de Novembro) finalmente o CFP se posicionou: Um documento divulgado pelo Vaticano na última quinta-feira (30), anunciando a decisão de recorrer a psicólogos para avaliar se os candidatos a entrar nos seminários da Igreja Católica são homossexuais foi repudiado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Pelo menos no Brasil, os psicólogos não poderão avaliar pessoas para essa finalidade, sob pena de infringirem o Código de Ética da categoria e a Resolução 001/99 do CFP, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.Apesar de considerar preconceituosa a posição, o Conselho não desconhece a soberania do Vaticano em definir suas normas internas. Contesta, isto sim, que a Igreja recorra aos psicólogos para respaldar esta posição e ignore os avanços dos movimentos sociais em todo o mundo, que defendem o direito à livre orientação sexual.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Psicologia e Homofobia

Só faltava essa:
Vaticano cria teste para identificar e banir gays
O Vaticano anunciou que irá adotar testes psicológicos para identificar tendências homossexuais em candidatos a padres. A decisão faz parte de um documento recém divulgado. As novas regras de orientação aos vocacionados inclui uma série de características que, identificadas no candidato, significam a sua reprovação ao sacerdócio. Aprovado pelo Papa Bento XVI, os testes devem ser aplicados em seminários católicos, mas o Vaticano informou que a submissão ao teste é voluntária. No conjunto de características listadas como impróprias para ser padre estão "estranhas tendências homossexuais", "identidade sexual incerta" e "excessiva rigidez de caráter", além de "forte dependência afetiva. Segundo o Vaticano, além da homossexualidade, a incidência de padres pedófilos também contribuiu para a criação e adoção dos testes. O documento com os testes é intitulado "Diretrizes para o Uso de Psicologia e Formação na Admissão dos Candidatos ao Sacerdócio". Em um dos anunciados contidos nele, uma frase ressalta: "erros no discernimento das vocações não são raros". A Igreja trata a homossexualidade, no documento, como "defeito." Está escrito: "a identificação dos defeitos antes do sacerdócio vai ajudar a evitar muitas experiências trágicas". Os testes serão executados por técnicos habilitados (psicólogos) e pretende identificar “imaturidade grave” e desequilíbrios de personalidade, os mesmos que a igreja atribuiu aos homossexuais.
Agora só falta criar um teste para identificar pedófilos...
OBS: ainda bem que no Brasil o CFP lançou a Resolução n°1 de 1999, que "Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual," afirmando, dentre outras coisas, que "os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados", muito menos "colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades". Infelizmente esta resolução não impediu alguns "pecados" por parte de alguns "profissionais".
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Psicologia em Cordel

quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Psicologia dos Simpsons
Curta da Semana - O bispo

Este video conta a história de Artur Bispo do Rosário (1909-1989), artista plástico e interno da Colônia Juliano Moreira. Quem o apresenta é Fernando Gabeira, isto é, o antigo Fernando Gabeira - o da tanguinha, da defesa da maconha, o combatente, o engajado e liberal; não o novo, este babaca sem opinião que se aliou à direita (PSDB e DEM/PFL) na tentativa de vencer as eleições municipais do Rio de Janeiro. Se deu mal: foi vender a alma pro DEMo, se fudeu! Bem feito!!! De qualquer forma, este video, da década de 80, é muito bom...
Dia Nacional do Livro

sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Novo livro do Yalom!!!

Sinopse do livro: Por trás das nossas angústias, vive o fantasma da morte. Embora as religiões cumpram o papel de nos oferecer uma resposta para nossa existência, sobre a morte todas as nossas construções são imaginárias. A morte não deve ser temida. De certa forma, somos todos imortais, uma vez que algo de nós se transmite aos que nos rodeiam e aos nossos herdeiros por meio do que Yalom chama de propagação. Este livro se propõe a ser um guia acessível a todos aqueles - tanto leitores comuns quanto psicoterapeutas - que desejam fazer uma reflexão mais aprofundada sobre os mistérios que para cada um de nós abriga o futuro e o destino.
OBS: não sei se vocês sabem, mas o livro "Quando Nietzsche chorou" foi adaptado para o cinema. Ainda não o assisti pois estou com medo de o filme ter destruido um belíssimo livro - o que é muito comum - mas fica a dica! O filme já chegou às locadoras...

terça-feira, 21 de outubro de 2008
Psicólogos Midiáticos - Volume 1

Em função do sequestro das garotas de Santo André e de seu trágico desfecho com a morte da jovem Eloá Pimentel, vários psicólogos foram chamados pela mídia a dar declarações, principalmente sobre o ex-namorado-sequestrador Lindemberg Alves. A seguir algumas delas:
- Ao namorar uma garota bem mais nova, a relação de poder certamente é bem mais fácil. Não é uma relação de troca, como num relacionamento comum. Como ele não sabe ouvir "não", tem um perfil ciumento e acabou tendo uma atitude desproporcional quando tudo acabou - diz Cristina.
Segundo a psicóloga, foi o ciúme de Alves que o levou a tentar controlar a situação, fazendo com que Eloa mudasse de idéia sobre o fim do relacionamento.
- Ele tentava fazê-la entender que ainda gostava dela, mas acabou ficando acuado e perdendo o controle, numa reação típica de desespero - resume.
Colegas que preferem não se identificar contam que ouviram reclamações de Eloa sobre o relacionamento de três anos que manteve com Alves. Ela se queixava com as amigas do ciúme excessivo do namorado, que praticamente queria mantê-la longe da rua ou de qualquer contato social no bairro. Descrita como uma menina doce no trato, Eloa chama a atenção pela beleza. Morena, de cabelos negros, ela poderia até provocar ciúme nas outras meninas, mas, ao contrário, despertava a simpatia de todos os alunos da Escola Estadual Professor José Carlos Antunes.
- Sempre que alguém precisa de alguma coisa, ela é a primeira a ajudar - comentou Paulo Henrique Monteiro da Silva, de 15 anos, amigo de escola de Eloa.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Pesquisas brilhantes, psicólogos fascinantes!

Você sabia que o psicólogo Geoffrey Miller, da Universidade do Novo México, levou o prêmio IgNobel 2008 na categoria Economia por um estudo publicado em novembro passado na revista "Evolution and Human Behavior"? Nele, usando dados de 18 voluntárias, ele mostrou que dançarinas de striptease ganham mais dinheiro no pico de seu período fértil.
Saiba maiores informações sobre esta fundamental descoberta (talvez a mais importante já feita pelo homem) na reportagem do site G1:
Strippers no período fértil ganham até 50% mais nas gorjetas
Uma questão que intriga os cientistas há séculos - fêmeas da espécie humana passam ou não por um período de cio? - acaba de receber uma contribuição inesperada: a das strippers. Pesquisadores americanos descobriram que elas ganham quase 50% mais gorjetas quando estão no auge de seu período fértil, o que indicaria que a platéia é capaz de detectar esse período de alguma forma.
Geoffrey Miller e seus colegas da Universidade do Novo México relatam, em estudo publicado na revista científica "Evolution and Human Behavior", os dados obtidos de 18 dançarinas de strip-tease. Por meio de um site, elas passaram para os pesquisadores informações sobre seu ciclo menstrual, seus horários de trabalho e seus ganhos durante um período de 60 dias.
O ciclo de fertilidade feminina corresponde ao ciclo menstrual, ao longo do qual os óvulos são liberados e colocados em posição para serem fertilizados. O que os pesquisadores viram é que havia uma correlação entre as gorjetas mais altas e o ponto desse ciclo onde a chance de fecundação do óvulo é máxima.
Nesses períodos ideais para conceber, as dançarinas ganhavam cerca de US$ 335 por cinco horas de trabalho, enquanto o ganho médio era de US$ 260. O pior desempenho financeiro ocorria durante a menstruação: só US$ 185. Trata-se de uma variação média de 45% nos rendimentos."
Esses resultados constituem a primeira evidência econômica direta da existência e da importância do estro [cio] em fêmeas humanas contemporâneas, num contexto real", escrevem os pesquisadores. O mais curioso é que as strippers que tomavam anticoncepcionais (suprimindo, dessa forma, seu pico de ovulação) também não tinham alta em seus ganhos.
Piroterapia - Notícia bizarra!
Psicólogo é acusado de queimar uma paciente durante a terapia
Segundo o depoimento de Oliveira e de duas testemunhas à polícia, o psicólogo Edson Rodrigues de Souza, 28, colocou fogo na cama da paciente, para estimulá-la durante a terapia.
O advogado de Souza, Euripes Rosa, disse que a vítima "pulou no fogo". "Meu cliente tentou socorrê-la e até se queimou." Como tem curso superior, Souza está preso num batalhão da PM por lesão corporal e incêndio.
"Esse tipo de procedimento [atear fogo] não é comum, não é terapêutico. Ele foi infeliz", disse Maurício Candiotto, diretor do hospital.
Curta da Semana - Integralidade
Pierre Weil (1924-2008)

Saiu anteontem no site do CFP:
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É com pesar que o Conselho Federal de Psicologia comunica o falecimento do psicólogo francês Pierre Weil. Doutor pela Universidade de Paris, professor e autor de mais de 40 obras, morreu em Brasília, no dia 09/10, aos 84 anos. Pierre fundou a Universidade Internacional da Paz em 1987, onde são desenvolvidos projetos sociais com crianças e adolecentes de 2 a 17 anos em situação de risco. Sua bandeira de luta sempre foi a disseminação da paz entre os povos de todo o mundo por intermédio da educação. O corpo de Pierre Weil foi velado por parentes e amigos em Brasília, na própria Unipaz.
Pierre Weil escreveu, dentre muitos outros, o clássico:
Uma grande perda para a Psicologia brasileira e internacional...
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Pense Magro - A dieta definitiva de Beck
Saiu anteontem na revista Veja:A Dieta do Pensamento
Não tem nada de mágica, não. Para você perder osquilos a mais e ficar elegante para sempre, a terapiacognitivo-comportamental oferece um caminho: deixarde "pensar gordo" e passar a "pensar magro"
Você está pensando em internar-se num spa de emagrecimento? Então tenha duas certezas: sim, você eliminará alguns quilos de sua silhueta. E, sim, você engordará tudo (ou quase) de novo depois de voltar à rotina diária. Spas são ilhas da fantasia: zero de stress, refeições em porções controladíssimas, prescritas por nutricionistas, e uma intensa programação de atividade física. Entre a lembrança de um bombom e a saudade do pudim da mamãe, há a opção da massagem relaxante, do ofurô ou da conversa catártica com o gordinho ao lado, que, assim como você, sua frio ao pensar numa torta de morango. No mundo real, tudo conspira a favor do excesso de comida e do sedentarismo. É o fast-food na hora do almoço, o biscoitinho na mesa do colega de trabalho, a geladeira pronta para ser assaltada, o sofá aconchegante com a televisãozona na frente. Como resistir?
Você já tentou... pensar? Não, não se ofenda. É claro que você pensa, e às vezes até em aspectos filosóficos da vida. Mas será que você pensa certo no que se refere às suas formas? Ou melhor, será que você não está "pensando gordo" em vez de "pensar magro"? Pensar magro (vamos abolir as aspas como um excesso adiposo) significa, basicamente, reprogramar seu cérebro para que ele passe a dominar a fome ou a simples gulodice até o ponto em que você possa ignorar um prato de coxinhas da mesma maneira que despreza aquele ex-amigo fofoqueiro. Reprogramar o cérebro não implica tomar choques elétricos ou aderir ao zen-budismo. Requer enfrentar frituras, salgadinhos, doces e refrigerantes sem subterfúgios – e, espera-se, com alguma altivez. Nada de tentar cancelar-lhes a existência, porque, afinal de contas, o mundo não é um spa. A resistência mental definitiva é o que prega a terapia cognitivo-comportamental (TCC), hoje considerada o tratamento de primeira linha contra o excesso de peso. "Quanto mais resistirmos aos desejos de comida, menos freqüentes eles se tornarão", disse a VEJA a psicóloga americana Judith Beck, autora do livro Pense Magro – A Dieta Definitiva de Beck, recém-lançado no Brasil pela editora Artmed.
O objetivo da TCC é, por meio da combinação de confronto e resistência, "desligar" os comandos cerebrais que acionam os pensamentos distorcidos – no caso, aqueles que levam as pessoas a empanturrar-se. De fato, na maioria das vezes, as pessoas que pensam gordo o fazem por causa de uma associação meramente subjetiva entre comida e determinados sentimentos. Há as que comem porque estão felizes e as que comem porque estão infelizes (ou ambos). Existem as que se empanzinam porque estão numa festa e vêem os outros comendo e as que se empacham porque estão completamente sozinhas (ou ambos)... Desconectar apetite e situação, eis a chave da terapia cognitivo-comportamental. O programa proposto por Judith Beck estabelece seis semanas – mais precisamente 42 dias – de exercícios práticos para desprogramar o cérebro da vontade injustificável de comer. Você confunde fome com gula? Um dos exercícios ajuda o pensador gordo a diferenciar uma da outra. Você mal acaba o almoço e já imagina como será o jantar? Judith ensina a fazer como os magros – que só pensam em comida no horário da refeição.
Judith é filha do psiquiatra Aaron Beck, fundador, nos anos 60, da terapia cognitivo-comportamental. Na visão dos adeptos desse método, grande parte dos distúrbios psíquicos, como a depressão, a ansiedade e as fobias, deve-se a interpretações errôneas do mundo concreto. Assim, o substrato da TCC é a exposição da pessoa à realidade que a afeta, de modo a levá-la a reagir proporcionalmente a ela. Em geral, o prazo é de vinte sessões. No tratamento de fobias, por exemplo, confronta-se o paciente com o objeto de seu medo exagerado. Se a fobia é de cachorro, o fóbico "desaprende" a temer o animal entrando em contato direto com ele. Judith sugere que o compulsivo por comida a enfrente como quem se expõe ao pavor por cachorro. As bases da terapia cognitivo-comportamental, cujas taxas de sucesso são bastante altas (veja quadro nas páginas 156 e 157), remontam às teorias do médico russo Ivan Pavlov (1849-1936) e às do psicólogo americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), precursores do behaviorismo. Pavlov formulou a tese do reflexo condicionado, segundo a qual a repetição constante de um estímulo "ensina" o sistema nervoso a responder invariavelmente da mesma forma. Sua teoria foi elaborada a partir de estudos com cães que eram alimentados depois que ele tocava um sino. Com o tempo, Pavlov constatou que bastava tocar o sino para que os animais salivassem. Skinner, por sua vez, chegou ao conceito de condicionamento operante, por meio de experiências com ratos de laboratório. Quando os roedores apertavam um botão, uma portinhola com comida se abria. Os ratos, por fim, aprenderam que, para comer, era preciso pressionar o botão. A diferença entre o reflexo condicionado de Pavlov e o condicionamento operante de Skinner é que o primeiro é uma resposta a um estímulo puramente externo (o sino toca, o cachorro saliva), ao passo que o segundo é o hábito produzido por uma ação estranha à natureza do animal (o rato que aperta botão para comer). Na terapia cognitivo-comportamental, para simplificar, o sino e a portinhola seriam os estímulos (ou desestímulos) que contrariam a tendência doentia – sejam eles o confronto calculado do fóbico com o objeto do medo ou o auto-elogio de quem resiste a uma refeição gordurosa.
Por ser um programa de treinamento psicológico, o livro Pense Magro é um manual sobre dieta sem nenhuma receita alimentar. Sua autora não recomenda nem condena nenhum alimento. Ela preconiza que, com uma programação mental adequada, qualquer dieta razoável dá certo – permanentemente. A psicóloga começou a utilizar o método para o controle de peso há vinte anos, em pacientes psiquiátricos que engordavam por causa dos efeitos colaterais de medicamentos. Embora a ansiedade integre a personalidade de quase todos os gulosos, a terapia cognitivo-comportamental, ao contrário da psicanálise, não sai em busca dos motivos que levam uma pessoa a afogar as mágoas numa travessa de espaguete. Simplesmente ensina como anular os pensamentos engordativos. "Eu era do tipo que sempre fazia uma pausa para beliscar. Tudo era motivo para parar o que eu estava fazendo e ir atrás de um lanchinho", conta a carioca Ialda Costa de Farias. Há cerca de quatro anos, ela mudou a sua relação com a comida. Por meio da TCC, conseguiu regular suas escolhas, antes marcadas pela compulsão. Agora, sua palavra de ordem é planejamento. Ela sabe exatamente o que e quanto vai comer ao longo do dia e, obedecendo aos ditames da terapia, anota minuciosamente todas as suas refeições, inclusive as escapadelas. Perdeu 31 quilos desde então e não os incorporou mais. "Só de saber que terá de anotar os erros e os excessos alimentares cometidos, a pessoa já pensa duas vezes antes de comer exageradamente", diz o endocrinologista Walmir Coutinho, vice-presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade.
Judith mantém há dez anos o mesmo peso – 52,5 quilos distribuídos em 1,61 metro – graças, ela jura, à terapia cognitivo-comportamental. Ex-cheinha (pesava 8 quilos a mais), agora pensa magro. E reafirma que ninguém se mantém enxuto sem algum sacrifício dietético. Ainda não há estudos sobre as alterações na química cerebral de quem usa a TCC para emagrecer, como ocorre em relação aos pacientes de depressão que recorrem à terapia. Mas as pesquisas clínicas são animadoras. A mais célebre foi conduzida por pesquisadores suecos, com dois grupos – em dez semanas, aquele que se submeteu à terapia perdeu 8 quilos, em média. Passados dezoito meses, 92% dos seus participantes haviam emagrecido ainda mais. Já o grupo de controle, que só fez dieta, voltou a engordar depois de um ano e meio.
Driblar a compulsão por comida é tarefa das mais difíceis. Para se ter uma idéia do seu grau de complexidade, a linha mais recente de pesquisas sobre os mecanismos da obesidade a compara ao vício, por envolver o sistema cerebral de recompensa. "Em obesos, o metabolismo cerebral é muito semelhante ao dos viciados em drogas", diz Ivan de Araújo, neurofisiologista e pesquisador da Escola de Medicina da Universidade Yale, nos Estados Unidos. No cérebro dos gordos, por uma deficiência na atividade do neurotransmissor dopamina, o grau de recompensa gerado pela ingestão de alimentos é menor que no dos magros. Para se sentirem satisfeitos, portanto, eles precisam comer mais. É provável que novos estudos mostrem que o recondicionamento para pensar magro transforma a química cerebral. Não há nada de mágico nisso – errou quem fez associações entre o livro de Judith e O Segredo, da australiana Rhonda Byrne, a auto-ajuda que requenta a lengalenga de que o "pensamento positivo" opera milagres. Pensar magro demanda empenho e disciplina. Envolve cultivar melhor as emoções e adquirir novos comportamentos. A perda de peso não é da noite para o dia. Em situações mais difíceis, para prevenir as recaídas, seguir o manual não é suficiente. Torna-se necessário recorrer a um especialista. "Na luta contra o excesso de peso, não existe bala de prata", diz Mônica Duchesne, terapeuta cognitivo-comportamental e coordenadora do grupo de obesidade e transtornos alimentares da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Existe trabalho. Vá à luta.







