terça-feira, 29 de maio de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Psicologia Cristã em questão - A carta do CPPC
Com o objetivo de ampliar o debate que venho tentando promover através deste blog e Twitter sobre a relação entre psicologia e religião, reproduzo abaixo, na íntegra, uma carta pública escrita pela diretoria do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC) e publicada no início deste mês no site da entidade:
Prezados profissionais membros do CPPC,
No CPPC temos aprendido a conjugar e fazer conviver ciência psi com a fé cristã há mais de 30 anos, e estamos convictos de que, apesar de tensões que aparecem, não é necessário e não é bom subordinar uma à outra. Em nossa declaração de fé consta que cremos que tanto a verdade revelada quanto a verdade científica vêm de Deus. Assim entendemos que a Ciência da Psicologia e da Psiquiatria tem direito a existir como tal, e a Fé Cristã também tem o direito de existir como tal. Então, quando um cristão como nós se dedica à prática profissional da psicologia ou psiquiatria, o que ele faz será boa ciência, boa psicologia/psiquiatria; ele não criará uma "psicologia cristã" ou “psiquiatria cristã”, mas será um bom cristão e um bom psicólogo/psiquiatra.
Para exemplificar: nós não recomendamos utilizar o tempo e o espaço de uma sessão terapêutica para orações, estudos bíblicos, apelos, profecias, imposição de mãos e outras práticas comuns nas igrejas. Inclusive porque o evangelho nós recebemos de graça, e a psicologia/psiquiatria foi uma formação profissional que cursamos, da qual tiramos o sustento para a vida. Outro motivo para não fazê-lo é que a posição de psicoterapeuta já é por si só uma posição de poder na relação; mesclá-la com um atendimento "em nome de Deus" iria levar o terapeuta a assumir uma posição por demais empoderada, que tende a fazer mais mal do que bem para o paciente. Nos casos em que houver questões espirituais a serem tratadas, achamos melhor propor, caso o paciente concorde, que ele procure um pastor, um padre, ou uma igreja para tratar de sua "sede espiritual".
Isso não quer dizer que não sejamos cristãos: Amamos nossos pacientes, colegas de ONGs ou alunos, oramos a Deus por eles, pedimos ao Senhor que nos ajude em nosso trabalho psicológico. Mas no contato profissional nos esmeramos no exercício da psicologia/psiquiatria, em manejar bem os conceitos, técnicas, intervenções, sintomas, significados, transferências, medicações, campanhas, cada um de acordo com sua linha de formação e atuação.
Escrevemos isso para ilustrar porque acreditamos que não é adequado falar que praticamos "Psicologia Cristã/Psiquiatria Cristã", como se fosse uma ciência diferente da que aprendemos nas universidades. Não é. O diferencial nesse caso somos nós, as pessoas que a praticam – nós é que somos cristãos. Mas mesmo como cristãos, somos profissionais da área da saúde, onde praticamos a Psicologia/Psiquiatria, sem adjetivos. Sei que alguns irmãos e irmãs se apresentam de modo diferente, mas não concordamos com essa postura.
A própria Bíblia nos orienta, como em 1Pe 2.11-17, a “manter vosso procedimento exemplar no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação,” e também recomenda o respeito às autoridades legalmente constituídas.
Neste sentido, ao mesmo tempo em que pertencemos a uma associação de psicólogos e psiquiatras cristãos, não procuramos utilizar nossa fé como arma em conflitos. Quanto às questões que envolvem psicologia/psiquiatria e fé, não nos furtamos ao diálogo acadêmico e científico: transformamos estas questões em pesquisas, dissertações e teses, escrita de artigos e livros, participação em fóruns de debate, cursos, palestras e aulas em diálogos interdisciplinares. Sem preconceito nem contra nem a favor, promovemos encontros, congressos, simpósios e debates, atuamos em ONGs, na saúde pública, em campanhas educativas, participamos de esforços de socorrismo. Os resultados destes esforços respaldam nosso diálogo com os conselhos profissionais e ambientes acadêmicos, como por exemplo, a respeito da importância da fé para a saúde, que não pode ser negligenciada.
Ao longo de tantos anos, o Senhor tem nos ajudado a crescer e discernir melhor essa relação. Ainda temos mais coisas a aprender, mas quanto à auto-denominação, nós sugerimos apresentar-nos primeiramente como profissionais. É verdade que somos psicólogos/psiquiatras e somos cristãos, assim como podemos também dizer que somos casados ou solteiros, pai/mãe de filhos, etc., e não estará errado se nos apresentarmos assim. Mas observem que a recomendação bíblica é para que sejam vistas nossas boas práticas (obras), não palavras, argumentos ou bordões.
Sabemos que dependemos de Deus para todas as áreas de nossa vida, e cremos não só que Ele existe, mas também que é bom para todos os que dele se aproximam. Que nosso bom Deus, portanto, nos ajude a sermos bons profissionais neste mundo caótico, trazendo assim bom testemunho da sua bondade onde estivermos!
Agora pergunto a você, querid@ leitor@ deste blog: qual sua opinião sobre esta carta? E como você enxerga a relação psicólog@s-religião? Gostaria muito de saber o que você pensa...
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
A psicóloga cristã e eu: uma tentativa de diálogo
Todos já devem estar à par da polêmica envolvendo a auto-denominada psicóloga cristã Marisa Lobo (saiba mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Pois bem, outro dia resolvi interpelá-la diretamente no Twitter para lhe perguntar algumas coisas. Inicialmente escrevi o seguinte:

Ela respondeu imediatamente:

Ela respondeu:

Eu repliquei:

E emendei a pergunta:

Então ela respondeu, soltando a seguinte pérola:

Fiz outra pergunta, que ela não respondeu. Insisti, repetindo-a:

Ela respondeu, de forma confusa:

Diante desta resposta insisti em uma pergunta anterior. Pensei o seguinte: se ela não é favorável à extinção do CFP mas também não concorda com sua fiscalização (que é sua função central), para quê, afinal serviria o CFP, na visão dela? Repeti minha pergunta.

Ela não somente não respondeu como partiu para o ataque.

Obsessão? Como assim? Fiz apenas quatro perguntas e emiti duas opiniões. Não considero que isto seja suficiente para eu ser considerado obsessivo. Nunca havia me comunicado com ela antes. Mas, neste dia, quando resolvi estabelecer contato, ela começou respondendo, eu segui perguntando. E como assim, "se fosse crente Deus já tinha te curado"? Por acaso ela sabe se eu sou ou não crente? Porque a estou questionando não posso ser crente? De fato não sou, mas há muitos cristãos que não concordam com sua visão de mundo e com sua atuação, que mistura de forma confusa psicologia e religião (este artigo expõe tal confusão). Mas o que mais me espantou, de verdade, nem foi esta reprimenda dela, mas o tweet seguinte, de um de seus seguidores - ou melhor, seu cão de guarda.

Peraí!!! O que tem a ver o fato dela ser casada e fiel ao marido com minhas perguntas e opiniões emitidas em poucos tweets (disponíveis para quem quiser ver). Esse cara tá maluco! Tá confundindo as coisas. Como dizem, tá trocando alhos por bugalhos. Enquanto psicólogo, quis saber um pouco mais da opinião dela sobre algumas questões. O twitter dela é público e ela responde se quiser. Ela respondeu e eu me senti à vontade para fazer mais perguntas. E estas não se dirigiram, em nenhum momento, à vida pessoal dela, mas à sua persona pública. Importante ressaltar que ela própria tem se exposto nas redes sociais. Inclusive foi ela que colocou na internet a cópia do processo instaurado pelo CRP-08 contra ela. O Conselho não poderia nunca fazer isto, tendo em vista o sigilo de todo o processo disciplinar. Mas o triste é que parece que ela espera receber somente elogios por suas atitudes. Perguntas e críticas não são bem vindas. Respondi à agressão de seu cão de guarda com educação e não voltei mais a me dirigir a eles.

Mas a agressão continuou...


E Marisa ainda me chamou, gratuitamente, de burro... até agora não sei qual foi exatamente, minha burrice. Questionar suas atitudes?

Por um segundo, imaginei ser possível um diálogo racional.Vã ilusão!
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
Fragmentos de "O médico e o charlatão" (1957)
Interessantíssimo o filme "O médico e o charlatão" (Il medico e lo strogone, de 1957) do diretor italiano Mario Monicelli. O filme conta a história do médico Francesco Marchetti (interpretado pelo ator Marcello Mastroianni), que se muda para uma pequena cidade no interior da Itália, onde pretende atender pessoas em seu consultório e implementanr ações de saúde coletiva, iniciando pela aplicação massiva de vacinação antitifo. Tudo isto imbuído dos mais nobres princípios científicos. O problema é que a população idolatra o curandeiro local Dom Antônio (interpretado pelo ator e diretor Vittorio de Sica, hilário), a quem recorre-se para lidar tanto com questões de saúde quanto para resolver problemas pessoais e espirituais. Inicia-se, então, um embate entre a ciência do Dr. Marchetti e a eficácia simbólica de Dom Antônio, pela atenção e credibilidade da população. O que está em jogo é a visão de mundo materialista, do médico, em oposição à visão espiritualista e holística do curandeiro, considerado charlatão pelo primeiro. Em um diálogo interessante, uma senhora afirma estar com dificuldade para dormir, ao que o Dr. Marchelli afirma:
- A insônia é um mal muito comum, mas também é verdade que há ótimos medicamentos.
Ela nega a oferta medicamentosa e afirma:
- Sem ofendê-lo, mas vocês médicos são muito materialistas. Veja, em certos casos, é o espírito que é curado. À noite, depois de ouvir uma boa música, durmo muito bem.
Em outra cena, Dom Antônio é chamado à delegacia para explicar algumas de suas práticas pouco ortodoxas. O médico está presente no local. O chefe de polícia afirma, em certo momento do interrogatório, que Dom Antônio possui diversas propriedades, compradas a partir do dinheiro ganho com tais práticas. O curandeiro então se manifesta:
- Há anos eu atendo essa gente. [falando para o médico} O senhor trabalha de graça?
Dr. Marchelli responde:
- Eu não vendo escapulário, chá de ervas, sapos secos.
Dom Antônio afirma então:
- A superstição. Sempre houve superstição. Há mais supersticiosos do que quem apoie a eficiência da medicina. Como não? O senhor, por exemplo, senhor chefe de polícia. Não prendeu um pedaço de coral a seu relógio de pulso? E aposto que no bolso não tem pílulas contra dores reumáticas, embora sofra disso. O fato é, meus caros senhores, que nem todos conhecem a miséria e ignorância de alguns. Tudo bem, a culpa não é de ninguém. É coisa de séculos. Mas porque nos admirarmos se preferem sistemas de cura com séculos de idade? Acreditam em certas coisas? Bem, eu os satisfaço. E assim eles se sentem compreendidos e talvez acreditem que estão melhor. Às vezes vocês sabem, estão realmente melhor porque a vontade de sarar faz mais do que qualquer remédio.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Medicalização da vida - Parte 12
Sufoco da Vida
Harmonia Enlouquece
Estou vivendo
No mundo do hospital
Tomando remédios
De psiquiatria mental
Estou vivendo
No mundo do hospital
Tomando remédios
De psiquiatria mental
Haldol, Diazepam
Rohypnol, Prometazina
Meu médico não sabe
Como me tornar
Um cara normal
Me amarram, me aplicam
Me sufocam
Num quarto trancado
Socorro
Sou um cara normal
Asfixiado
Minha mãe, meu irmão
Minha tia, minha tia
Me encheram de drogas
De levomepromazina
Ai, ai, ai
Que sufoco da vida
Sufoco louco
Tô cansado
De tanta
Levomepromazina
Medicalização da vida - Parte 11
Canção da depressão
Os Seminovos
Você anda deprimido?
Mas que coisa démodé!
Tem um mundo colorido
Na farmácia, pra você!
A dor forte de perder uma paixão
Não vai mais te incomodar
O emprego que só causa frustração
Você vai passar a amar!
Refrão:
Fluoxetina, Sertralina, Citalopran
Paroxetina, Nefazodona, Clonazepan
Pra dormir bem à noite e acordar de manhã bem melhor!
Você vai curtir novela
Vai gostar de ficar só
Vai achar que a vida é bela
Você vai dançar forró
Vai cantar os refrões bestas das canções...
Que só tocam por jabá...
Decorar todos os hits dos verões...
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá...
Acredite no que a bula diz:
A felicidade é química! Ninguém é infeliz...
Você será pra sempre cool... por isso a receita é azul!
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
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