terça-feira, 20 de outubro de 2009

Lançamentos Psi - Yalom e Shawn



Este mês foram lançados dois livros interessantíssimos. O primeiro é o livro "Vou chamar a polícia - e Outras histórias de terapia e literatura" (Ediouro, 264 páginas, R$49,90), do psiquiatra e psicoterapeuta americano Irvin Yalom, autor dos geniais Quando Nietzsche chorou, A cura de Schoppenhauer, Mentiras no divã, Os desafios da terapia (livro que ele comenta no video abaixo), O Carrasco do Amor, Mamãe e o sentido da vida e De frente para o sol. Todos magníficos!!! Segundo a revista Veja, o novo livro é uma junção de um conto com outro livro do autor: "Como Vou Chamar a Polícia é um pequeno conto, a Ediouro juntou ao texto uma obra lançada por Yalom nos Estados Unidos há cerca de dez anos, The Yalom Reader - O Leitor de Yalom, em tradução livre para o português. Nela, o autor analisa sua produção literária. 'É uma espécie de antologia minha', explica o prolífico terapeuta, que já trabalha em um novo projeto, um livro sobre - adivinhe - um filósofo: Bento de Spinoza". Para quem se interessar, no site da Veja há uma entrevista com o autor, além de um trecho de seu novo livro, cuja história-título retrata a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, "um drama vivido por seu amigo, o também médico, Robert Berger".

O segundo lançamento é o livro "Bem que eu queria ir" (Companhia das Letras, 312 páginas, R$48,00), do músico americano Allen Shawn, um fóbico generalizado. Segundo a resenha oficial:

Allen Shawn tem medo de muitas coisas, inclusive de altura, água, campos abertos, estacionamentos, túneis e estradas desconhecidas. Ele evita andar de metrô, usar elevadores ou atravessar pontes - ou seja, ele é agorafóbico, o que quer dizer que tem medo tanto de espaços públicos quanto de qualquer espécie de isolamento. Parte memória, parte investigação científica, parte reflexão, Bem que eu queria ir é um livro inusitado sobre a experiência de sentir medo. A busca por compreender suas próprias limitações levou Shawn a examinar as reminiscências da infância: nascido no seio de uma das mais prestigiadas famílias literárias dos Estados Unidos - seu pai era William Shawn, legendário editor da revista The New Yorker durante 35 anos, e seu irmão é o reconhecido dramaturgo e ator Wallace Shawn -, o autor sofreu a convivência traumática com uma irmã gêmea autista, que foi enviada para um lar especial quando eles tinham oito anos de idade, e o segredo da vida dupla do pai, que manteve durante décadas um relacionamento extraconjugal. Nesta arqueologia de suas fobias, Shawn se move agilmente entre a história pessoal e a ciência. Investiga o mundo das pessoas que estudam a psique e o comportamento humanos, tentando decodificar os modos de funcionamento do cérebro e da mente. Entre elas se incluem pesquisadores que procuram mapear a psicologia do medo, e psicólogos e psiquiatras que ainda lutam com o mistério que é a formação de nossos hábitos de pensamento e de comportamento. Ao fazê-lo, ele oferece ideias sensíveis a respeito do papel da dor, da natureza do medo e da definição de mortalidade. O livro honesto de Allen Shawn explora o mistério daquilo que nos torna o que somos, pelos caminhos da criação, da constituição genética ou de nossas próprias escolhas. De dentro do isolamento do medo, ele confronta a luta universal que é encararmos nossos fantasmas.

Este livro vem no encalço de vários outros auto-relatos de portadores de transtornos mentais: Demônio do meio-dia (de Andrew Solomon, sobre depressão), Memórias do Delírio (de LF Barros, sobre esquizofrenia), Não sou uma só, Uma mente inquieta e À espera do sol (sobre o transtorno bipolar), dentre muitos outros. Ler auto-relatos e autobiografias é uma excelente forma de entender determinado transtorno, não sob a fria perspectiva nosológica, mas sobre a intensa (e única) perspectiva subjetiva. Afinal, doenças são abstrações estatísticas. Pessoas são reais...

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