terça-feira, 25 de novembro de 2008

Psicologia na TV - Parte 2


Descobri no blog Ciência e Psicologia um programa de TV que parece interessante, apesar de apelativo - como quase todos os programas de "vida real". O programa, já na nona temporada, chama-se True Life (!!!) e é vinculado pela MTV às 23:00 horas de Quinta-Feira com reprise à 1:00 hora da manhã no Sábado (na verdade Domingo).

Outros episódios que parecem interessantes são: "Tenho Síndrome do Pânico" (saiba mais aqui); "Tenho Síndrome de Tourette", "Sou viciado em Metanfetamina", dentre outros. Fica a dica!
Cada programa mostra o dia-a-dia de uma ou várias pessoas com problemas específicos. Por exemplo, o último episódio vinculado na MTV Brasil, intitulado "True Life: Sou um alcólatra", acompanha a jovem Casey (foto abaixo) que, de acordo com o site do programa, "se mudou recentemente para Las Vegas, onde gasta todo o dinheiro dado pelos pais para pagar o aluguel em bebidas alcoólicas. Aos 21 anos, ela já foi presa algumas vezes, foi pega dirigindo embriagada e não consegue se manter num emprego. Agora, sem a ajuda dos pais e sem grana para pagar o aluguel, ela terá que arrumar um emprego e, ao mesmo tempo, largar a bebida que a acompanha diariamente". O outro caso mostrado neste episódio é o de Cristina, que "tem 24 anos e é uma alcoólatra assumida. Ela argumenta que bebe para tratar sua depressão, mas reconhece que não leva uma vida muito saudável. Depois de um porre homérico numa boate, ela finalmente começa a freqüentar as reuniões do AA. Mesmo assim, continua num forte ritmo de bebedeiras aos finais de semana até levar um fora do namorado por conta desses exageros. Depois disso, ela cai na real, larga o álcool, pede ajuda para família e amigos e planeja passar o primeiro aniversário sóbria em três anos". 

OBS: No site do programa tem uma enquete ridícula: Com que freqüência você toma um porre? O absurdo é que não há a alternativa "Não tomo um porre" ou "Não bebo". Infelizmente essa não tem sido uma opção para a juventude (que se diz tão independente, mas "depende" da bebida para se divertir). Beber muito ou excessivamente, eis a questão!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Não dá para competir - Volume 8


Como será essa Terapia do Toque? O que vocês acham? Quem postar a melhor resposta vai ganhar... meu sincero parabéns!

Para ver os volumes anteriores clique: aqui (1), aqui (2), aqui (3), aqui (4), aqui (5) , aqui (6) e aqui (7).

Notícias imbecis, manchetes idem - p.3


Saiu ontem no site português Exame Informática:
E se o telemóvel substituir o psicólogo?
Um professor de psicologia japonês teve uma ideia capaz de fazer corar Freud e criou sessões interactivas de psicologia através do telemóvel.



A missão de Yutaka Ohno é ambiciosa: curar um país à beira da depressão, com o recurso ao celular. O sistema desenvolvido pelo investigador japonês utiliza o telemóvel para classificar os níveis de depressão do utilizador, fazendo perguntas sobre hábitos de alimentação ou de repouso. Os telemóveis dos japoneses são utilizados para servir de carteira, bilhetes nos transportes públicos e de televisão. Ohno explicou que o sistema não substitui completamente um tratamento de um psicólogo e que serve de complemento, noticia o Yahoo!Tech. O Japão tem uma das taxas de suicídio mais elevadas do mundo, com 30 mil vítimas em 2007.

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É absurdo (e até perigoso) acreditar que uma máquina um dia substituirá o contato humano na resolução de problemas complexos como a depressão - que é gerada e mantida por muito mais fatores do que os hábitos de alimentação e repouso de uma pessoa. Pode ser que o futuro mostre o quanto estou errado e que uma máquina possa efetivamente substituir um psicólogo e tratar a depressão, mas felizmente estamos longe disto: a humanidade ainda persiste. No mais acabou de surgir um novo significado para Terapia Celular.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Psicologia na TV - Parte 1



Na revista Veja desta semana saiu uma pequena reportagem ("O Big Brother do vício"), publicada imediatamente após a reportagem de capa, sobre um programa de TV denominado Intervenção, vinculado no Brasil pelo canal pago A&E. A seguir um trecho da matéria:

Atração do canal pago A&E, o reality show americano Intervenção oferece uma visão da luta contra o vício. A cada episódio, aborda-se um drama real. A pessoa é informada de que uma equipe de TV vai à sua casa para gravar sua participação num documentário sobre o tema. Na verdade, o programa foi contatado por parentes e amigos que buscam uma forma de arrancar o doente do vício. Invariavelmente, a situação é desesperadora. As pessoas estão a tal ponto enredadas que não se contêm nem diante das câmeras, nos cinco dias em que seus passos são acompanhados. Uma violinista adolescente consome speedball, mistura de heroína e cocaína, enquanto coça as erupções purulentas provocadas pela substância em sua pele. Um lenhador usa uma droga não menos destrutiva, a metanfetamina – e arrisca a própria pele derrubando imensos pinheiros, totalmente fora de si. O clímax de cada episódio é a "intervenção". A pessoa é confrontada pela família e por um terapeuta, empenhados em convencê-la a se internar numa clínica.

Intervenção está em sua quinta temporada e é o programa mais visto do A&E nos Estados Unidos (na TV paga brasileira, pode-se acompanhá-lo nos fins de tarde de sábado, pelo mesmo canal). Seus bons índices de audiência deram origem a um fenômeno mórbido: outros programas transformaram a guerra contra o vício em entretenimento. Numa era em que clínicas de reabilitação – rehab, na forma simplificada em inglês – ganharam visibilidade pelo entra-e-sai de famosos, o Celebrity Rehab (sem previsão de ser exibido no Brasil)do canal VH1, enfoca os esforços de gente como a loira dinamarquesa Brigitte Nielsen, ex de Sylvester Stallone e presença constante em reality shows, para largar o álcool e as drogas. O próprio A&E investiu numa versão ficcional de Intervenção. No ar no Brasil há um mês, a série The Cleaner traz Benjamin Bratt no papel de um "interventor".

Os interventores são treinados para lidar com o vício em sua forma mais pesada. O episódio que mostrou o drama do lenhador viciado em metanfetamina expôs o ponto de tensão a que a coisa pode chegar: acuado, por pouco ele não explodiu. Só com muita lábia Candy Finnigan, uma das três interventoras do programa, o acalmou. Candy, de 61 anos, é uma ex-alcoólatraDiz ela: "Faz 23 anos que parei de beber e ainda vivo minha recuperação a cada dia".

Vocês entenderam a proposta do Reality Show? Um pessoa no fundo do poço em função da dependência de álcool e outras drogas recebe uma intervenção surpresa da família e amigos orientados por um especialista. Parece interessante, apesar de que buscar audiência em cima do profundo sofrimento e degradação de uma pessoa é no mínimo questionável eticamente, além de muito batido (afinal o que é o Big Brother?). De qualquer forma fica a dica: o programa passa todos os sábados às 18:00 horas no canal A&E. Para saber mais sobre a série vale a pena dar uma lida numa reportagem do jornal New York Times, traduzida e publicada pelo site Último Segundo e transcrita abaixo:



Intervenção: eles bebem, se drogam e você está lá

Atualmente em sua quinta temporada, “Intervenção” fala para usuários de drogas, alcoólatras e toda uma variedade de viciados que eles estão sendo filmados para um documentário sobre vícios quando, na verdade, suas famílias estão se preparando para confrontá-los em uma suíte de hotel para serem rígidos com seu bem-estar. Normalmente, os últimos 25 minutos de cada episódio são dedicados à intervenção em si, sempre guiada por um conselheiro profissional.

Dos 102 viciados apresentados no programa, somente 2 cortaram suas importantes relações pessoais e recusaram tratamento. (Um deles concordou em ir para uma clínica de reabilitação um mês depois).

“Intervention” se tornou o maior programa do A&E. Recentemente foi nomeado para seu primeiro prêmio Emmy, por excelente série de reality show, e não há dúvida de que ele se destaca. Nada na televisão se compara com seu diferente cálculo de exploração e boa vontade. As câmeras filmam os viciados enquanto eles injetam, fumam, pedem por dinheiro e conseguem a droga.

Nessa temporada vimos Charles, um viciado em heroína que destruiu todas as suas veias, tentou se injetar intramuscularmente, atrás de seu quadril, como se fosse uma mulher de 40 anos administrando seus remédios para fertilidade. Charles tinha as mãos imundas. “Intervenção” gosta de lembrá-lo que higiene pessoal é um dos pontos-fracos dos viciados; cenas mostram unhas que parecem que passaram um ano no carvão entre agulhas e garrafas vazias de vodka.

Histórias tristes

A fórmula usada pelo programa foi feita para sustentar um dos principais princípios do movimento de recuperação: que todo viciado realmente é a mesma alma triste – fumando, injetando e bebendo para preencher um buraco destruidor. Quase nenhum episódio de “Intervenção” acontece sem uma montagem de fotos dos viciados em épocas mais felizes, a infância passada com o cabelo sempre cortado, andando de bicicleta, indo à praia, tocando a flauta. E mesmo assim todos os detalhes do vício são, de diversas maneiras, horríveis.

Molestada quando criança, Allison nunca foi bem na escola até que seu namorado a apresentou aos inalantes durante seu primeiro ano na Universidade de Boston. Quando o programa a filmou alguns anos depois, ela passava quase todo momento baforando em garrafas de removedor de poeira de computador. Ela comprava 10 por dia, da mesma loja, que a deixavam falando e parecendo como uma versão grosseira de uma das bruxas de “MacBeth”.

Esse episódio foi um dos mais impressionantes da televisão em sabe-se lá quanto tempo. Mas mesmo quando o “Intervenção” se foca mais no convencional – bebida – os resultados nunca foram leves.

A temporada começou no Havaí com Dan, que acordava às 4 da manhã e abria uma cerveja à caminho do banho. Durante um período ele melhorou, disse sua mulher, Lisa: “ele estava meio que controlando, escolhendo uma long neck ao invés de uma caixa com 12 latas. Então pensei comigo mesma, ‘ele está indo tão bem’”.

O programa sabe quem, no final, vai bem e quem não consegue. Os produtores permanecem em contato com os viciados, conselheiros e parentes para ver quem recaiu e quem se manteve no caminho certo. Em um episódio de acompanhamento na temporada passada, Ryan, da anterior, não teve sucesso no tratamento e foi espancado enquanto comprava heroína em Los Angeles.

De acordo com o programa, 75% dos viciados permaneceram sóbrios depois que a série começou há quatro anos. “Intervenção” é violento, às vezes sensacional e um pouco louco.

OBS: no YouTube há uma série de videos, sem legenda, com os episódios de Intervenção.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Notícias que vão mudar o mundo - p. 2



Xuxa está em uma saia justa. A apresentadora, que está processando o programa Atualíssima da Band por danos morais, perdeu o processo e terá que se submeter a um exame psicológico se quiser seguir na briga com a emissora. Por decisão da Justiça, ela terá que provar que realmente ficou abalada emocionalmente com a divulgação de imagens dela nua exibidas no programa como alegou. De acordo com a "Folha Online", a assessoria de Xuxa não quis se pronunciar e disse que não fala sobre o assunto até o fim do processo.

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Até imagino o psicólogo perguntando: Xuxa, como você se sente, em uma escala de 0 a 10, ao ver esta figura (abaixo)? Pois é, Xuxa, fez merda, agora aguenta! Infelizmente OOOOOOOOOOO TEU PASSADO TE CONDENA!!! Se você, querida leitora deste blog, pretende se tornar apresentadora de programa infantil pense bastante antes de aceitar participar de um filme (no caso o erótico "Amor estranho amor" de 1982) em que você se deita nua e fala sacanagens com um garoto de 12 anos... Mas se tiver de fazê-lo, lembre-se de que, depois de feita a merda, proibir é a melhor forma de divulgar e disseminar alguma coisa em tempos de internet...

Não use drogas! - Parte 1



O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O uso prolongado de algodão doce transforma você em uma baranga

Fábio Assunção vai pra Rehab



O assunto que certamente vai bombar na net e nas conversas esta semana é o afastamento do ator Fábio Assunção da novela "Negócio da China" (onde é protagonista) para tratamento da dependência de cocaína. O assunto é capa da revista Veja desta semana, bem como de diversas reportagens na imprensa escrita e digital. A abordagem da mídia tem sido, como sempre, sensacionalista, pouco informativa e nada reflexiva (como vocês podem ver pela irônica e idiota manchete do jornal Meia Hora do dia 14 de Novembro, reproduzida acima). E como sempre a dependência é entendida como fraqueza de caráter. O próprio autor da novela, Miguel Falabella, disse para o JB Online que "gostaria que ele voltasse para o fim da novela. O Fábio é bonito, talentoso, mas está passando por um período de fraqueza. E quem não tem as suas?". Fábio não tem uma fraqueza, mas uma doença. Isto não significa que ele não tem responsabilidade sobre seu tratamento, mas também não é o único algoz de seu problema. Fábio, como qualquer dependente químico, é, ao mesmo tempo, mocinho e vilão de sua dependência. De qualquer forma, espero que a internação ajude Fábio a superá-la.

Aproveito a oportunidade para indicar dois livros recém-lançados pela editora Artmed sobre o tratamento em dependência química. O primeiro, intitulado "Prática psicoterápica eficaz dos problemas de álcool e drogas" (de A. M. Washton e J. B. Zweben), parece espetacular. Segundo o site da editora, este livro "mostra como: conduzir avaliações precisas do uso de álcool e drogas; engajar os pacientes 'onde eles estão' e intensificar a motivação para a mudança; desenvolver um plano de tratamento individualizado; trabalhar em direção a objetivos aceitos mutuamente de abstinência ou redução de danos; abordar os problemas emocionais e psiquiátricos coexistentes; reduzir os riscos de recaída e administrar os reveses; abordar os assuntos psicodinâmicos centrais ligados aos transtornos relacionados ao uso de substâncias". Diz ainda que, além de um "guia prático de valor inestimável, este livro é leitura obrigatória de profissionais de qualquer orientação ou disciplina teórica, incluindo psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, conselheiros, terapeutas de família e enfermeiros, assim como alunos com estudos avançados nessas áreas. Os especialistas no tratamento do uso de substâncias também encontrarão uma fonte exclusiva de informações". 

O outro livro (re)lançado pela editora é o clássico "Prevenção de recaída: estratégias de manutenção no tratamento de comportamentos aditivos" (de G. A. Marlatt, D. M. Donovan e colaboradores), publicado originalmente por Marlatt e Judith Gordon em 1985, lançado no Brasil em 1993, esgotado e (finalmente!) re-lançado agora em uma segunda edição revista e ampliada pela mesma editora. O livro é imperdível para quem trabalha com dependentes químicos. De acordo com o site da editora, "fundamentado em pesquisa e ilustrado com inúmeras vinhetas clínicas, Prevenção de recaída apresenta maneiras inovadoras para ajudar as pessoas a manterem a abstinência e os difíceis objetivos do tratamento de redução do dano – mesmo em situações de alto risco. Com extensa revisão dos capítulos sobre álcool, fumo e transtornos alimentares, esta edição apresenta novos capítulos sobre estimulantes, opióides, cannabis, club drugs, jogo patológico, comportamentos sexuais de risco e de transgressão sexual e questões etnoculturais na prevenção da recaída. Este livro apresenta conceitos e ferramentas essenciais para todos os profissionais que trabalham nesta área desafiadora, incluindo psicólogos clínicos, assistentes sociais, psiquiatras e conselheiros de dependências químicas, e profissionais de saúde afins. Os estudantes e residentes nestes campos vão considerá-lo um texto extremamente informativo".

OBS: Ontem mandei um e-mail para a editora perguntando se não tem intenção de re-lançar outro livro magnífico, "Processos humanos de mudança", do psicólogo construtivista Michael J. Mahoney. Esgotado há alguns anos, este livro deveria ser amplamente lido e estudado nas faculdades de psicologia. Não recebi resposta da editora ainda... Update (18/11): a Artmed disse não ter previsão de editar o livro novamente. Triste!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ensaio sobre a nossa cegueira



No último fim-de-semana finalmente assisti o filme Ensaio sobre a cegueira, do brilhante diretor Fernando Meirelles. Apenas uma palavra: MARAVILHOSO!!! Fernando, como era de se esperar, acertou ao escolher levar às telas a interessantíssima alegoria sobre a humanidade de José Saramago. E felizmente não se rendeu ao estilo hollywoodiano de contar histórias. O filme tem um ritmo mais lento e, coerentemente com o enredo, a maior parte das imagens são desfocadas e esbranquiçadas, o que impede que captemos exatamente o que está ocorrendo na tela. O filme nos coloca na posição de cegos. Não vou falar mais, pois ninguém melhor do que o próprio Saramago para falar sobre uma adaptação de sua obra:

OBS: A crítica de Pablo Vilaça do filme, como sempre, é excelente.

Video da Semana - Terapia Comunitária (C&S)



Enquete: o que vocês acharam da experiência mostrada no video?

Neurociência na TV



Estreou no Fantástico do último domingo um quadro excelente, denominado NeuroLógica, comandado pela respeitada (e linda) neurocientista Suzana Herculano-Houzel. O quadro, como os livros de Suzana, se propõe a explicar o funcionamento do cérebro de uma forma simples e lúdica, com muitos exemplos do cotidiano. O primeiro episódio trabalhou a questão "Por que as crianças não obedecem ao não?" e pode ser visto abaixo. Os livros da neurocientista também são muito bons: Cérebro nosso de cada dia; Sexo, drogas, rock'n' roll... e cholocate; Cérebro em transformação; Por que o bocejo é contagioso?; Fique de bem com seu cérebro. Suzana é uma espetacular divulgadora científica... além de ser linda e  simpática (já fiz um curso com ela)!


OBS: No YouTube há também uma série de videos (9 no total) que reproduzem a participação de Suzana no programa Roda Viva da TV Cultura. Outra dica é o site da neurocientista (Cérebro nosso de cada dia), igualmente excelente.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sou Obama, McCain não é?



Agora que Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos muita gente se pergunta: o que efetivamente vai mudar no mundo? Parece que muito pouco. É uma ilusão acreditar que Obama, mesmo tendo a melhor das intenções, mudará o mundo de forma significativa. Quem comanda os EUA e o mundo são as grandes corporações. O presidente americano, seja quem ele for (negro ou branco, homem ou mulher, democrata ou republicano), é apenas uma marionete na mão dos grandes empresários. E além do mais, Obama, ainda que integrante de uma minoria étnica, faz parte da elite econômico-cultural dos EUA. Formado em direito pela prestigiosa Universidade de Harvard, Barack Hussein Obama não é, nem de longe, socialista, como muitos imaginam. Ao contrário, como bom capitalista e neoliberalista, Obama é protecionista e defende o estado mínimo (ainda que, no caso da saúde - em função do apelo popular - prometa a cobertura universal). E além do mais ele defenderá, a todo custo (de forma menos radical que Bush, espero) os interesses dos Estados Unidos. Ele não será presidente do mundo, mas dos EUA e de seus interesses muitas vezes espúrios. Ilógico acreditar que acabarão as guerras por petróleo ou contra o "terrorismo". O que podemos esperar certamente é uma melhor diplomacia. Obama já sinalizou intenções de conversar com o presidente do Irã, com Hugo Chavéz, e até mesmo de debater o embargo econômico a Cuba. Isto, na minha opinião, é o máximo que podemos esperar: diálogo. Acreditar que Obama será o salvador do mundo é uma grande ilusão e provavelmente só gerará frustação. Depositar todas nossas esperanças em uma só pessoa é cometer o mesmo erro que cometemos com Lula. Sem dúvida Lula fez muito, mas muito menos do que esperávamos e com muitos e graves erros pelo caminho. Mas talvez a simbólica e emocionante vitória de Obama gere uma corrente de esperança que acabe por gerar outras mudanças, mais concretas, para o mundo. Quem sabe... 

Não dá para competir - Volume 7



Definitivamente não dá para competir com quem tem A RESPOSTA PARA ABSOLUTAMENTE TUDO. Quanta pretenção, meu deus!!! Os autores (e agora "cineastas") de auto-ajuda sempre dão um jeito de se superar. O Segredo atualmente não é mais do que um misteriozinho bobo diante da RESPOSTA PARA ABSOLUTAMENTE TUDO. E além do mais estes picaretas odeiam artigo indefinido: nunca falam em um Segredo, mas n'O SEGREDO; nunca em uma resposta, mas n'A RESPOSTA. Isto para não falar que filmes como esse são ABSOLUTAMENTE CHATOS, como vocês podem ver no trailler do filme:

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Psicóloga é executada em São Paulo!



Marido de paciente é o principal suspeito

SÃO PAULO - O marido de uma paciente é o principal suspeito de ter encomendado a morte da psicóloga Renata Novaes Pinto, de 44 anos, assassinada na manhã de quinta-feira, por volta de 7h15m, após deixar os filhos na escola. O suspeito acreditava que Renata pudesse ter levado ao processo de separação do casal.

- Podemos descartar latrocínio (matar para roubar). O motivo do assassinato tem relação com o seu trabalho profissional - comentou o delegado Jorge Carlos Carrasco, titular da 3ª Delegacia Seccional.

Segundo testemunhas, Renata chegou a comentar sobre a paciente e seu marido. A mulher que Renata atendia havia feito boletim de ocorrência, queixando-se à polícia de que ocupantes de uma moto a perseguiam. Ela anotou a placa. Os policiais pesquisaram. Chegaram ao nome de um detetive particular que tem antecedentes criminais. O marido da paciente, inconformado com o pedido de separação, também suspeitava de traição e, por isso, teria contratado os serviços do detetive.

Renata deixou os quatro filhos na escola, no Butantã. Normalmente, dali seguiria direto para o trabalho. Menos às quintas-feiras, por causa do rodízio do seu carro. Ela voltou para a sua casa para trocar de veículo. Ela pegaria o Fiat Doblô do marido e, então, iria para a Unifesp.

Minutos antes de Renata parar o carro na porta de casa, uma moto com dois homens parou a 30 metros da residência. O garupa, de blusa moleton vermelho, desceu com capacete e foi em direção do Ford Fiesta. Quando Renata abriu a porta do carro, ele disparou três vezes. Não disse nada. O matador montou na garupa da moto e saiu em disparada cobrindo a placa da motocicleta. Renata, baleada na cabeça, foi levada por ambulância ao Hospital das Clínicas, onde morreu.

A principal testemunha do homicídio de Renata é um homem que trabalhava em frente do local do homicídio. Ele presenciou o crime a menos de dez metros. Segundo o homem, que pediu para não ser identificado, a maior preocupação dos criminosos foi esconder a placa da moto. "Esconde a placa, esconde a placa", foi o que disse o piloto depois dos disparos do comparsa. "Eles ficaram olhando para mim, mas eu me escondi atrás da arvore, pensei que eles iriam me matar", disse o marceneiro. A moto usada no crime é de baixa cilindrada, cor prata.

Câmara flagrou os assassinos

A polícia tem imagens de uma câmera instalada em uma padaria do bairro que mostra os assassinos na moto. As equipes do Setor de Investigações Gerais (SIG) refizeram os possíveis caminhos que Renata utilizou para levar os filhos à escola, no Butantã, também na Zona Oeste. O que os policiais ainda não têm certeza é se os criminosos seguiram o carro da psicóloga. E por isso, querem saber se, no caminho, há estabelecimentos comerciais com sistema de câmera que permita uma possível identificação dos criminosos.

A polícia acredita que a motocicleta utilizada pelos matadores não tenha queixa de furto ou roubo. Isso porque o motorista da moto mandou o garupa cobrir a placa, indicando que o veículo não poderia ser identificado. As características da moto usada no crime são semelhantes às da moto que seguia a paciente de Renata.

Marido não quis levar filhos para escola

O advogado Sergio Henrique Cardoso, de 49 anos, marido da vítima, entrou em estado de choque. De dentro da casa, ele ouviu dois tiros. Viu, pela janela, os assassinos fugirem na moto.

Lisboa não conseguia assimilar a morte da companheira, principalmente porque a deixou um tanto brava logo de manhã. Renata queria que ele levasse os quatro filhos para a escola. Sérgio, alegando estar atrasado, pediu à mulher que o fizesse. Disse para a psicóloga que deixaria o café pronto. Renata saiu pisando duro. Ao lembrar disso na delegacia, durante seu depoimento, o advogado passou mal. Vomitou.

Renata e Cardoso eram casados há 18 anos. O casal tem quatro filhos, com idades entre 9 e 15 anos. Tanto o marido, que trabalha como corretor de imóveis, quanto os vizinhos descrevem a relação familiar como harmônica.

Na vizinhança da Rua Judite, na Vila Madalena, Zona Oeste de São Paulo, a psicóloga era vista como uma pessoa simpática e normal. "Ela sempre saía para passear com o cachorro e cumprimentava todo mundo. Uma pessoa reservada, mas muito simpática", diz a dona de uma pizzaria em frente à casa onde a psicóloga vivia.

Renata se formou em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1986. A psicóloga entrou na Unifesp há dez anos. Em 1998, ela iniciou a pesquisa para a tese "A comunicação do diagnóstico em pacientes com câncer", que lhe valeu o mestrado em psiquiatria e psicologia médica, obtido em 2001. Já em 2002, ela foi efetivada como funcionária da instituição. Renata era professora de psicologia do diagnóstico para alunos do 2 ano de medicina. Além disso, trabalhava no atendimento psicológico a pacientes de outros setores da Unifesp.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Obama, Obama, Obama!!!

Reproduzo ao lado um relógio que conta quantos dias, horas, minutos e segundos faltam para o "presidente" George W. Bush deixar o poder... nas mãos de Obama, espero! E abaixo um video de ninguém mais, ninguém menos que Homer Simpsons votando (ou melhor, tentando votar) em Obama. Espero que dê sorte!


Update: tirei o relógio do blog, mas ele pode ser visto aqui.

Lançamento - Mentes Perigosas


Depois de publicar "Mentes Inquietas" (sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH) , "Mentes & manias" (sobre o Transtorno Obssessivo-Compulsivo - TOC), "Mentes com medo" (sobre os Transtornos de Ansiedade: fobia, síndrome do pânico, ansiedade generalizada, TEPT, etc.) e "Mentes insaciáveis" (sobre os Transtornos Alimentares: anorexia, bulimia, vigorexia e obesidade), a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva acaba de lançar o livro "Mentes perigosas - O Psicopata mora ao lado", sobre o Transtorno de Personalidade Antissocial, popularmente conhecido como psicopatia.

Ana Beatriz, acusada por muitos acadêmicos invejosos e pouco (ou nada) lidos, de superficial e popularesca, é, na minha opinião, uma ótima divulgadora do campo “psi”. Ainda que não tenha a genialidade dos grande divulgadores científicos (Carl Sagan, Stephen Jay Golud, Richard Dawkins, Antonio Damásio, etc), a autora atinge seu objetivo (alertar e explicar à população sobre as psicopatologias) sem precisar recorrer ao insuportável porém disseminado "academiquês", linguagem hermética e ininteligível, utilizada por intelectuais - comumente psicanalistas - que, inseguros quanto ao próprio conhecimento, escrevem de forma a gerar nos leitores um estranho comportamento: quanto menos eles entendem o que está escrito, mais admiram o escritor. Devem pensar: “se eu não estou entendendo o texto é porque eu sou burro; e se eu sou burro é porque o escritor é inteligente”. E assim, estes intelectuais são colocados no Olimpo acadêmico e idealizados para todo o sempre... NOT!!! (como diria Borat).



De qualquer forma, o tema deste novo livro é fascinante e já foi intensamente explorado – muitas vezes equivocadamente - no cinema, em filmes de serial killers (Seven, Do inferno, Jogos Mortais, etc.) e em séries de TV (CSI, Bones, Dexter, etc), além de novelas (vide Flora). Mas ainda há poucos livros sérios e artigos científicos sobre o assunto. Este lançamento vem a calhar. Além disso, na esteira dos acontecimentos em Santo André, que culminou com a morte de Eloá e a prisão do jovem Lindemberg Faria, a mídia voltou sua atenção para a psicopatia (ainda que haja muitas dúvidas se, neste caso, há realmente um diagnóstico). O assunto foi capa da Istoé da semana passada, bem como de reportagem/entrevista da revista Época.

Psicologia Espacial


Mesmo com tantas áreas já existentes na Psicologia (clínica, escolar/ educacional, organizacional/do trabalho, hospitalar, jurídica/ forense, desportiva, ambiental, social-comunitária, política/ econômica, neuropsicologia, etc), vira e mexe uma nova área é criada. Chegou a vez Psicologia Espacial. Sobre esta nova "possibilidade" de atuação do psicólogo, sugiro a leitura da seguinte notícia, publicada mês passado no site da revista Info:

Astronautas ganham psicólogo online

BOSTON – Seu trabalho é perigoso e seus colegas dependem de você para ficar vivos. Você não pode se afastar desses colegas, não vê sua família por meses – até anos – e a comida não é boa. E esqueça de dar uma volta para tomar um ar. Sem dúvida, a aventura do vôo no espaço pode sempre ser estressante, isolador e depressivo. Por isso, cientistas estão trabalhando para dar aos computadores a possibilidade de oferecer o entendimento – se não todo o conforto – de um terapeuta humano, antes que problemas psicológicos e conflitos interpessoais comprometam a missão. Testes clínicos no projeto de US$ 1,74 milhão e quatro anos para a Nasa, chamado Estação Espacial Virtual, devem começar em Boston no próximo mês. O novo programa não tem nada do HAL, de “2001: uma Odisséia no Espaço”. A interação entre o astronauta e a Estação Espacial Virtual é menos sofisticada e mais benevolente. No projeto, patrocinado pelo National Space Biomedical Research Institute, um terapeuta gravado em um vídeo guia o astronauta por uma terapia bastante usada na depressão chamada “tratamento de resolução de problemas”. A gravação ajuda os astronautas a identificarem as razões para sua depressão. O programa, então, ajuda-os a fazer planos para lutar contra a depressão, baseados nas descrições que os astronautas digitam sobre seus problemas. Os astronautas também podem aprender estratégias para lidar com conflitos por um jogo interativo e até mesmo ler livros de psicologia. Apesar de ser direcionado a astronautas, os líderes do projeto acreditam que ele poderia ajudar os pacientes da Terra que não vão a um terapeuta por causa do custo ou do orgulho, ou por viverem em áreas rurais com poucos psicólogos.


Ainda sobre este assunto comenta o psicólogo behaviorista Felipe Epaminontas em seu excelente blog Ciência e Psicologia:

Eu sempre quis ir ao espaço, mas pra que enviariam um psicólogo ao espaço? Bom, de acordo com o Universe Today, eu já tenho uma desculpa para isso! O fator psicológico dos astronautas é de grande preocupação atualmente para a NASA, principalmente quando se pensa em viagens de longa duração à Lua e Marte. A grande preocupação é a possibilidade de depressão e conflitos interpessoais. Em outro planeta, se ocorre algum desentendimento entre você e seu colega, não há como excluí-lo de sua vida. Se sentir saudades, não dá para voltar para casa. Em caso de acidentes, não existem serviços de emergência. Um estudo já está sendo feito na Terra em que voluntários passam vários dias isolados do resto do mundo realizando tarefas, com o objetivo de encontrar os principais desafios psicológicos do isolamento e maneiras de superá-los. Desafio que pode ser comparado aos grandes navegadores deixando seus continentes pela primeira vez. Mas nem tudo são tragédias: ao passar muito tempo no espaço ou andando pela Lua, alguns astronautas (ex. Russel Schweikart, Apollo 9; Edgar Mitchell, Apollo 14) relataram uma sensação de euforia e uma espécie de “conexão cósmica” com o universo. Um estado semelhante ao de monges budistas (ou algumas pessoas sobre efeito de LSD?). Será efeito da falta de gravidade no cérebro? Ou resultado de experiências tão diferentes? 
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Esta nova "possibilidade" de atuação profissional não deve vingar no Brasil. Estamos como sempre estivemos, por fora da corrida espacial em andamento no mundo. Com relação à atuação online já temos algumas experiências (ver aqui, aqui e aqui), embora o CFP proiba qualquer trabalho psicoterapêutico não-experimental mediado por computador (ver Resolução n° 12 de 2005) e tenha instituido, através da Resolução n° 6 de 2000, a Comissão Nacional de Credenciamento e Fiscalização dos Serviços de Psicologia pela Internet. De acordo com a primeira resolução citada (12/2005):

São reconhecidos os serviços psicológicos mediados por computador, desde que não psicoterapêuticos, tais como orientação psicológica e afetivo-sexual, orientação profissional, orientação de aprendizagem e Psicologia escolar, orientação ergonômica, consultorias a empresas, reabilitação cognitiva, ideomotora e comunicativa, processos prévios de seleção de pessoal, utilização de testes psicológicos informatizados com avaliação favorável de acordo com Resolução CFP N° 002/03, utilização de softwares informativos e educativos com resposta automatizada, e outros, desde que pontuais e informativos e que não firam o disposto no Código de Ética Profissional do Psicólogo e nesta Resolução.

CFP versus Vaticano

Antes do CFP eu já havia publicado e me manifestado sobre a recém-lançada resolução do Vaticano que exige a avaliação, por psicólogos, da orientação sexual de candidatos a sacristia. Hoje (dia 3 de Novembro) finalmente o CFP se posicionou: Um documento divulgado pelo Vaticano na última quinta-feira (30), anunciando a decisão de recorrer a psicólogos para avaliar se os candidatos a entrar nos seminários da Igreja Católica são homossexuais foi repudiado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Pelo menos no Brasil, os psicólogos não poderão avaliar pessoas para essa finalidade, sob pena de infringirem o Código de Ética da categoria e a Resolução 001/99 do CFP, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.
 
Considerando que a homossexualidade não é doença, nem distúrbio e nem perversão, a Resolução define que os psicólogos “não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”. A Resolução determina ainda que “os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.

Apesar de considerar preconceituosa a posição, o Conselho não desconhece a soberania do Vaticano em definir suas normas internas. Contesta, isto sim, que a Igreja recorra aos psicólogos para respaldar esta posição e ignore os avanços dos movimentos sociais em todo o mundo, que defendem o direito à livre orientação sexual.

Frases brilhantes de psicólogos - p.2




Imbecilidades a parte, uma coisa é certa: alguns animais realmente precisam de terapia...