domingo, 31 de agosto de 2008

Psicologia da tortura



Assustadora a notícia publicada hoje no JB Online:

A Psicologia da tortura nas prisões

Desde a Primeira Guerra Mundial a Associação Americana de Psicólogos (APA, na sigla em inglês) mantém um relacionamento muito próximo com as Forças Armadas americanas.

Entre suas diversas funções, psicólogos americanos foram pioneiros em desenvolver e padronizar técnicas agressivas de interrogatórios, como o isolamento prolongado, a privação de sono e o afogamento simulado – técnicas inicialmente desenvolvidas para fortalecer mentalmente os militares americanos em treinamento, mas que passaram a ser largamente utilizadas no presídio ultramarino de segurança máxima em Guantánamo, o que vem gerando críticas e condenações da ONU e de algumas das agências humanitárias mais influentes do mundo, que consideram estas técnicas como tortura.

– A tortura está acontecendo em Guantánamo e psicólogos estão participando disso – denunciou Bryant Welch, membro da APA e autor do livro State of confusion: political manipulation and the assault on the american mind.

Em seu relatório deste ano, descrevendo o atual estado dos direitos humanos em âmbito global, a ONG Anistia Internacional chegou a exigir o fechamento da base naval de Guantánamo:

“Os EUA deveriam fechar Guantánamo e outras prisões secretas, conceder aos detentos direito a julgamentos justos ou senão libertá-los, rejeitando sempre e de forma inequívoca o uso da tortura e dos maus-tratos”, diz o relatório.

Em função de denúncias recorrentes de torturas em Guantánamo, alguns psicólogos da APA querem acabar com a velha política de cooperação com as Forças Armadas, que entendem encorajar uma cumplicidade promíscua com militares em interrogatórios suspeitos.

Durante a última conferência anual da APA, realizada em Boston no dia 16 de agosto, seus membros apresentaram ao conselho o primeiro referendo da história da organização, pedindo a proibição de contratos de cooperação entre psicólogos e as Forças Armadas em prisões militares que violem direitos humanos assegurados em leis internacionais. O resultado do referendo só será divulgado no fim de setembro.

– Os regulamentos gerados pelo governo Bush foram projetados para coagir e torturar prisioneiros – ressaltou Welch. – Psicólogos não devem participar de tal processo.

Opositores da medida, contudo, acreditam que ela ameaça limitar de forma significativa o âmbito das atividades dos psicólogos, cujo trabalho em hospitais psiquiátricos, prisões estaduais, e diversos outros cenários opressivos tem função importante na sociedade.

Robert Resnick, psicólogo e porta-voz dos que se opõem ao referendo, acredita que a linguagem do documento é ambígua por citar como parâmetros as “leis do direito internacional”, mas sem definir a quais tratados ou corpos legislativos do volátil sistema internacional se refere. Segundo Resnick, isso deixará psicólogos inocentes suscetíveis a processos frívolos e custosos.

– A APA nunca disse que a tortura é apropriada - acrescentou Resnick durante o recente programa Talk of the Nation da rádio pública americana, NPR.

–Temos dispositivos em nosso Código de Ética proibindo psicólogos de participarem no planejamento de quase duas dúzias de técnicas. Se adicionarmos o referendo, estaremos condenando locais específicos, como Guantánamo, em vez de comportamentos.

Resnick e seus simpatizantes justificam a presença de psicólogos em interrogatórios ligados à segurança nacional como uma forma de garantir que as técnicas utilizadas pelos militares não ultrapassem a fronteira do ético. Insistem que restringir a participação de psicólogos tornará os interrogatórios mais perigosos para os presos.

Há duas semanas, a recusa de uma psicóloga militar de depor no caso de Mohammad Jawad – afegão de 23 anos que alega ter sido torturado em 2003 por seus interrogadores em Guantánamo, alegadamente com o incentivo da terapeuta – serviu para incendiar ainda mais esse debate polêmico que está polarizando a APA.

Para se esquivar da audiência, a psicóloga recorreu a uma lei militar equivalente à Quinta Emenda da Constituição Americana: o privilégio de permanecer calada para evitar a auto-incriminação.

Se aprovado, o que necessita a obtenção de mais de 50% dos votos, o referendo irá proibir que psicólogos estejam na folha de pagamento do Exército. A proibição não valeria para os profissionais contratados por agências humanitárias ou até mesmo pelos próprios detentos.

– Tanto Guantánamo quanto os chamados “sítios negros” da CIA são propositalmente lugares extremamente inacessíveis, para assim evitar o alcance de algumas de nossas leis e dificultar que informações vazem – afirmou Bob Olson, psiquiatra da Universidade de Northwestern, e um dos líderes do referendo. – É impossível saber o que acontece por lá.

Não é de hoje que psicólogos se envolvem em atividades escusas. Outro dia, no livro Ministério do Silêncio do jornalista Lucas Figueiredo, li que muitos psicólogos contribuíram, durante a ditadura militar brasileira, no treinamento de agentes do Sistema Brasileiro de Inteligência (SNI, hoje Abin) que espionavam e deduravam para o DOI-CODI (órgão repressor do exército) indivíduos supostamente subversivos. Muitos destes corajosos rebeldes foram torturados e vários mortos. E nós demos a nossa contribuição para isso...



Curta da Semana - A história das coisas


ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!!!


Descobri este curta no blog Psicossocial. Fiquei espantado com seu conteúdo e encantado com sua forma (a animação é espetacular). BRILHANTE!!! OBS1: o curta não é tão curto assim: tem 21 minutos mas acreditem: vale muito a pena assisti-lo integralmente...


OBS2: psicólogos normalmente não pensam nestas questões, mas é interessante constatar que - essencialmente - não existe psicologia sem mundo...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Diário de um psicólogo de primeira viagem - p.2

Dia 27 de Agosto - Hoje é Dia do Picólogo e cá estou, em Viçosa, buscando me tornar um. Bem, hoje acordei às 6:00 e fui à Divisão de Saúde para realizar a coleta de sangue e entregar os demais "materiais" para análise clínica. A seguir, às 9:00, fiz o exame psicológico. A psicóloga - simpatissíssima - aplicou em mim o teste PMK (vulgo Psicotécnico - ver fotos abaixo). Sempre que o faço acho que fui mal, mas quando vejo os resultados no final, percebo que nem fui tão mal assim.

Para saber mais sobre o teste PMK clique aqui.

Conversando com a psicóloga após a aplicação do teste (que passei!), descobri que vou trabalhar no Serviço Psicossocial, órgão vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários. Empolgadíssima de me conhecer (pois todos sabiam que um tal de Felipe seria o novo psicólogo, mas ninguém sabia realmente como ele seria), ela ligou para a psicóloga-chefe do "Psicossocial" e disse, a meu pedido, que eu daria uma passadinha por lá. E lá fui eu...

Uma coisa eu tenho certeza: todos imaginavam alguém mais velho. Daí a surpresa (com uma pitada de decepção) que senti no ar quando cheguei ao local e encontrei meus novos - e primeiros - companheiros de trabalho. Fiquei bastante inseguro com este pré-julgamento - que pode estar somente na minha cabeça, admito. Realmente não tenho experiência profissional, mas as pessoas tem que começar em algum momento. E esta é a minha hora!!! Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance. Quero aproveitar cada momento a sorte que tive de passar em um bom concurso - ainda por cima federal - com menos de 1 ano de formado. Não vou desperdiçar esta oportunidade. Mas confesso: estou assustado com as mudanças que virão. Minha vida já está muito diferente do que vinha sendo, agora imaginem o que virá!

Gostei muito dos meus futuros colegas: eles passaram uma seriedade e um compromisso que acredito serem essenciais para um trabalho efetivo. Conversamos por cerca de uma hora sobre o trabalho que vêm fazendo e senti que estão motivados e abertos a novas idéias. Nossa quipe, dentro de pouco tempo, será composta por 4 psicólogos, uma assistente social e um psiquiatra. E o trabalho, pelo que captei nesta conversa inicial, consistirá predominantemente de atividades em grupo voltadas para servidores e estudantes da universidade. O carro-chefe do "Psicossocial" tem sido o PREA - Programa de Reintegração e Educação do Alcoolista, mas outras atividades também são desenvolvidas: reorientação profissional, terapia de grupo, etc. De acordo com o site da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, o Serviço Psicossocial "conta com a atuação de profissionais das áreas de Serviço Social e Psicologica Social, tem por finalidade orientar alunos, servidores e seus dependentes nas áreas preventivas de: saúde, social e psicológica, promover a reintegração do servidor nas suas atividades profissionais, elaborar análises sócio-econômicas de servidores e assessorar aos órgãos da Universidade Federal de Viçosa em assuntos de sua competência". Legal, né? Saberei mais na semana que vem. E para amanhã está marcado o exame médico final que avaliará se estou apto ou não para assumir o cargo. Torçam por mim!!!
OBS: realmente vou trabalhar aqui:

Homenagem infeliz

Ontem, recebi por e-mail a seguinte "homenagem" da editora Artmed:



Quando não temos o que dizer, a melhor coisa a fazer é não dizer nada, não é mesmo? A Artmed (que publica excelentes livros de psicologia) podia ter dito simplesmente "Parabéns" ao invés de seguir o senso comum e confundir o psicólogo com um Ouvido Gigante. Ou podia esculachar de vez e colocar o mesmo texto com a foto abaixo ao fundo.



Ou então com a foto a seguir, mais simbólica:



quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Diário de um psicólogo de primeira viagem - p.1

Breve introdução: bem, eu me formei em dezembro de 2007 pela Universidade Federal de Juiz de Fora e, perdido quanto ao meu futuro e desencantado com o meio acadêmico, decidi seguir a via do concurso público. Em abril me matriculei em um cursinho público, em maio fiz a prova para psicólogo da UFV e em junho fiquei sabendo que passei. Eram duas vagas e passei em segundo lugar (ufa!). Sexta-feira passada (22/08) fui nomeado e vim esta semana à Viçosa fazer os exames necessários. E cá estou...

Dia 26 de Agosto: saí de Juiz de Fora 7:45 da manhã e cheguei à Viçosa 11:00. Almocei e fui ao Departamento de Recursos Humanos (DRH) levar os documentos exigidos. A atendente, - muito simpática - me explicou que o contrato com a universidade só é firmado após o parecer do médico do trabalho que, analisando os exames clínicos e psicológicos, avaliará se eu estou apto ou não para ocupar o cargo. Espero que tudo dê certo! Depois de alguma burocracia básica, perguntei para a atendente se ela fazia alguma idéia de onde eu trabalharia e o que eu faria. Ela me explicou que eu vou trabalhar para Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e não no próprio DRH como eu imaginava. Vou ser um psicólogo social-comunitário e não um psicólogo organizacional. Ainda bem! Meu maior medo era cair no RH e ter de fazer aquelas chatices (pelo menos para mim) que os psicólogos organizacionais fazem: avaliação de desempenho, avaliação psicológica (normalmente com testes projetivos), pesquisa de clima, etc. Do DRH fui à Divisão de Saúde (uma espécie de UBS da universidade) pegar os potinhos para recolhimento de material clínico (não preciso explicar, né?). O exame psicológico ficou marcado para o dia seguinte. Vamos ver como eu me saio... Aguardem os próximos capítulos desta novela!!!
OBS: acho que vou trabalhar aqui:

Dia do Psicólogo - Mensagem do CFP



Mensagem do XIV Plenário do CFP aos psicólogos brasileiros

Fazemos hoje 46 anos de profissão regulamentada no Brasil. Temos muitos motivos para comemorarmos essa data, mas preferimos hoje focar nossa atenção nos desafios da sociedade brasileira.

Próximos das eleições municipais, temos um cenário ainda marcado pelos efeitos perversos da legitimação da desigualdade social, presentes em um número elevado de municípios brasileiros, embora tenhamos também em curso no país a implementação de um conjunto de políticas públicas formuladas com a participação, mesmo que incipiente, da sociedade para o enfrentamento das causas estruturais dessa desigualdade.

Esse cenário nos alerta para os discursos e movimentos contrários às mudanças que são produzidas por essas políticas, numa reação que ameaça o avanço da democracia e a consolidação dos direitos de cidadania de todos os brasileiros. Exemplos disso, encontramos na ameaça aos povos indígenas na T.I. Raposa Serra do Sol, no norte do país, onde vivem 20.000 índios. Nesse lugar, um reduzido grupo de 5 arrozeiros, ligado ao agronegócio e apoiado por setores militares, tenta anular a demarcação das terras já homologadas, apelando ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Encontramos também presente em ataques ao Sistema Único de Saúde (SUS), assim como à atual política de atenção aos portadores de sofrimento mental, por parte de profissionais e políticos com interesses pessoais na privatização da saúde e/ou na manutenção de hospitais psiquiátricos, mesmo após sua condenação histórica em todo o mundo.
Vimos, ainda, no projeto de redução da maioridade penal, que visa a condenação e o encarceramento de adolescentes em conflito com a lei, desrespeitando todas as razões que levaram a sociedade à construção do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que fez 18 anos recentemente e que propõe uma atenção digna e respeitosa às nossas crianças e aos adolescentes.

E, ainda, não alcançamos a tão esperada democratização nos meios de comunicação. Por essa razão, o Conselho Federal produziu programas sobre esse tema que estão disponíveis no link abaixo e em nosso site. Essa é mais uma contribuição do CFP ao debate e à Campanha Pró-Conferencia Nacional de Comunicação. Esperamos que esses programas sejam divulgados amplamente.

Por tudo isso, e por muito mais é que queremos, nesse dia, reafirmar a presença da Psicologia Brasileira, na construção de sua ciência e profissão comprometidas com os problemas sociais, tornando-se mais próxima da realidade cotidiana de todos os brasileiros e apresentando-se como co-responsável pela transformação social tão necessária ao nosso país.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

27 de Agosto - Dia do Psicólogo

Pra não dizer que não falei das flores



Saiu hoje no JC Online:


Nuzman admite necessidade de psicólogo na deleçação
Apesar de ter avaliado a participação brasileira na Olimpíada de Pequim como a melhor da história, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, admitiu neste domingo a necessidade de incluir psicólogos na delegação do Brasil que vai aos Jogos Olímpicos. Ele, porém, explicou que isso é difícil de ser implantado, pois depende dos treinadores de cada atleta ou equipe.
Segundo Nuzman, agora é hora de fazer um balanço na participação brasileira na Olimpíada para melhorar o trabalho. "Existem algumas correções de rumo a serem feitas", disse o dirigente, citando a presença do psicólogo como uma dessas possíveis mudanças. Afinal, alguns atletas do Brasil que eram favoritos ao pódio acabaram fracassando em Pequim, enquanto muitos outros tiveram performance abaixo do que já fizeram na carreira.

De qualquer maneira, Nuzman entende que a evolução brasileira é evidente. "O Brasil está no caminho para ser uma potência olímpica, estamos trabalhando para isso", avisou o presidente do COB, satisfeito com a performance na Olimpíada de Pequim. "Temos que agradecer aos atletas pelo esforço, empenho e dedicação mostrados."

domingo, 24 de agosto de 2008

Psicólogos em ONGs



Em um artigo anterior afirmei que, para o psicólogo recém-formado, há basicamente duas possibilidades de obtenção de emprego: no sistema privado ou no público. Por descuido esqueci do atualmente relevante terceiro setor (ONGs) que, cada vez mais, tem recrutado profissionais (inclusive psicólogos) para a composição de seu quadro funcional. De acordo com o excelente encarte especial “O poder das ONGs” da revista Época (disponível aqui) existem atualmente no Brasil 338 mil ONGs que empregam mais de 1,8 milhão de pessoas - o que corresponde a mais de três vezes o número de funcionários públicos federais.
Por outro lado, segundo a reportagem, “a quantidade de dinheiro disponível no Terceiro Setor atrai não apenas gente bem-intencionada. Os esquemas de corrupção e desvio de dinheiro público que surgiram ao redor das ONGs devem ser combatidos e investigados. A legislação que as regula também deve ser aperfeiçoada para evitar as brecas que permitem estes desvios. Mas, surpreendentemente, a maior parte do dinheiro das ONGs não vem do governo. De acordo com pesquisa da John Hopkins, apenas 14% dos recursos das ONGs brasileiras se originam de convênios e subvenções governamentais. A maior fatia - 69% - vem da venda de produtos e serviços. E 17% se originam de doações do setor privado”. Você sabia disso? Eu não. Daí minha surpresa ao constatar a diminuta contribuição governamental às ONGs.
Diminuta, mas não irrelevante, pois, somente em 2006 o governo repassou ao setor cerca de R$161,7 milhões. Tanto dinheiro, levantou, posteriormente, suspeitas de irregularidades, que “hoje são investigadas, simultaneamente, pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e pelo Ministério Público”. Além, é claro, da CPI das ONGs, criada em 2007 pelo Senado Federal, e que, atualmente, investiga cerca de 200 ONGs.
Felizmente, porém, a maioria das ONGs parece fazer um trabalho honesto e socialmente relevante. Na reportagem, dois psicólogos são apontados como importantes empreendedores sociais brasileiros. A primeira, Raquel Barros, fundadora da ONG Lua Nova de Sorocaba (SP), chegou inclusive a ser agraciada com um prêmio da fundação Ashoka por seu trabalho de “abrigo e apoio médico, psicológico e educacional a jovens mães solteiras e seus filhos, além de programas de geração de renda para as residentes”. A ONG beneficia diretamente 500 pessoas, além dos 25 funcionários contratados. Como diretora da ONG Raquel ganha um pró-labore de R$4500,00. Mas de uma forma geral o salário médio de um funcionário do terceiro setor é de R$1577,00 ou 3,8 salários mínimos. Razoável, não?
O outro companheiro citado pela matéria é Marcus Góes, psicólogo e coordenador do Instituto Sou da Paz. De acordo com a revista: “Foi na faculdade de Psicologia que Marcus Góes teve contato com o universo que definiria os rumos de sua vida profissional. Envolveu-se tanto com o sistema carcerário na época do estágio que acabou fundando uma ONG, a União de Vila Nova, em São Miguel Paulista, na periferia de São Paulo, com um ex-presidiário. A associação oferecia cursos de artesanato, capoeira e teatro à comunidade local. Em 2002, Marcus deixou a Vila Nova nas mãos do amigo e migrou para o instituto Sou da Paz, como contratado. Lá coordenou um projeto de revitalização de praças, envolvendo as comunidades locais. Após quatro anos foi promovido a coordenador da área para supervisionar os projetos ligados à juventude. Além da ONG, Marcus é psicólogo clínico. Os planos para o futuro? Dar consultoria a ONGs na área de planejamento e avaliação. ‘Quero conhecer e ajudar a fortalecer as instituições sociais que estão aí’, diz ele”. Fico muito feliz de ver um psicólogo retratado em outra função, além da clínica. Esta imagem tradicional vai sendo quebrada aos poucos, à medida que os psicólogos vão deixando de lado o conforto do consultório particular e indo até quem realmente precisa de nós: a população excluída do país.
É bom ficarmos atentos: cada vez mais as ONGs tem buscado profissionalizar sua gestão. Perceberam que somente com boas intenções o trabalho não avançaria. Segundo a revista “pessoas capacitadas passaram a gerenciar as ONGs com ferramentas da iniciativa privada: tabela salarial, modelo de recrutamento, planos de benefícios e avaliação de desempenho”. Em tudo isso temos muito a contribuir. Mas um alerta: não espere ficar rico com seu trabalho na ONG (a menos que você faça parte de um “esquema” de desvio de dinheiro público). De acordo com Mario Aquino, da FGV, “a remuneração nas ONGs é menor, mas é compensada pelos valores”. Pois é...

sábado, 23 de agosto de 2008

Como capturar um leão no Saara


São Métodos “Alternativos” para se capturar um Leão no Saara:

Método Homeopático: Dilua o deserto inteiro em 100 partes de água. Tome uma parte da solução e dilua novamente em 100 partes de água. Repita o processo cerca de 30 vezes. Por fim, pegue uma gota da solução final. A memória da água nos garante que ela terá um efeito equivalente a muitos leões, então você não precisa mais se preocupar com o método Alopático de capturar UM leão no Saara.

Método Astrológico: A Lua do leão está em Gêmeos. Isso quer dizer que ele é um pouco preguiçoso, mas sabe trabalhar duro quando é necessário. Marte em Sagitário nos diz que ele não faz muitos amigos, mas os que ele tem são bem próximos. Mercúrio em Escorpião mostra que ele é bastante tímido na presença de desconhecidos mas é extrovertido junto aos amigos. E por fim, ele têm Plutão em Leão o que torna claro que ele não gosta nem um pouco de ser capturado, e ele têm Éris em Ofiúco que nos prova que você deveria desistir de capturar esse leão.

Método Numerológico: “Captura” resulta num número 3, assim com “Leão”. Mas “Saara” resulta num 8. Você deve então mudar o nome do deserto para “Saarah” para que a soma seja 5 e combine com os 3’s de forma que a vibração e a energia destes números tornem mais fácil capturar um Leão no decorrer da sua vida. De forma alguma renomeie o deserto como “Sara”, já que isso resulta num 7 e você nunca conseguirá capturar o Leão devido às vibrações negativas desse número.

Método Espiritualista-Quântico: Devido à não-localidade dos fenômenos quânticos sabemos que a mente do leão forma um campo de consciência que cobre todo o deserto. Ela pode então realizar um salto quântico para uma existência de maior energia, mais próxima dos Mestres Ascencionados. Isso é demonstrado pela diferença na cor da aura do leão devido a sua mudança para uma frequência vibratória superior onde ele pode realizar os mais incríveis feitos como a telepatia e a levitação. Não obstante, o leão estará num nível de iluminação maior que o seu e você nunca poderá capturá-lo.

Método Ufológico: Você pode, atualmente, capturar um leão no Saara. Entretanto, é impossível que os povos antigos pudessem capturar um leão no Saara, já que não tinham a tecnologia necessária. Então é óbvio que os povos antigos tiveram ajuda de alienígenas para capturar um leão no Saara, como demonstra o alinhamento das pirâmides do Egito com a Constelação do Leão, e os hieroglifos da forma de leões acompanhados de outros da forma de disco que podem ser encontrados na Grande Pirâmide.

Método de Regressão à Vidas Passadas: Em alguma vida passada, você foi um leão do Saara que foi capturado, o que resultou num grande trauma que ficou marcado no seu Karma e foi carregado para todas suas existências seguintes. Gaste uma fortura com uma terapia de Regressão e descubra como foi captura. Agora é só usar o mesmo método.

Método teorista da Conspiração: Não há leão algum no Saara. Isso é só uma jogada dos Illuminati para manter todos na ignorância e conservar seu poder para criar a Nova Ordem Mundial. Vá para casa e escreva um artigo de tablóide e um livro sobre isso. Não confie em ninguém!

Método d’O Segredo: Pense a todo momento que você VAI capturar o leão. As vibrações emitidas pelo seu pensamento farão com que o Universo conspire ao seu favor e o leão venha até você para ser capturado. Mas só se você pensar positivo! Não importa o quanto o Leão pense positivo, sabemos que o Universo gosta mais dos seres humanos que dos leões.

Fonte: site Humor na Ciência

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Fui nomeado!!! Yes..



Saiu hoje (22/08/08) no Diário Oficial da União:

Yes!!! Tenho a partir de hoje 1 mês para tomar posse, ou seja, começar a trabalhar. Semana que vem vou à Viçosa levar os documentos e fazer os exames (médicos e psicológicos) necessários e, na semana seguinte, pretendo organizar minha mudança e já começar na labuta. Inevitavelmente, em função desta nova fase da minha vida, este blog vai se transformar: é claro que vou continuar esculachando os livros e filmes de auto-ajuda e as pseudociências (isto é minha vida!!!), publicando e comentando notícias "psi", mas pretendo acrescentar também relatos de um psicólogo de primeira viagem. Espero que me acompanhem nesta aventura...

Vem aí...



Paródias do filme "Quem somos nós?"

Galera, publico abaixo duas engraçadíssimas paródias do pseudo-documentário pseudo-científico de auto-ajuda "Quem somos nós?". Quem já o assistiu vai entender a gozação com o tom apocalíptico e confuso do filme. Mas quem não assistiu vai rir do mesmo jeito, pois os atores (em especial o primeiro) são hilários. De qualquer forma recomendo, para aqueles que não viram, que este fim-de-semana vá até a locadora mais próxima e alugue o pioneiro dos filmes de auto-ajuda. É um filme muito bem feito e, no mínimo, muito engraçado. Mas, cientificamente falando, é imbecil! Fica a dica... Depois de assisti-lo, leia o Guia Cético, indicado em um post anterior.

Eu sou um vândalo!!!

Tenho que confessar uma coisa: toda vez que vou a uma livraria - como fui hoje - e vejo um livro de auto-ajuda (no caso o Inteligência Multifocal, do pilantra-mor Augusto Cury) na seção de Psicologia faço questão de devolvê-lo à sua seção de origem, ou seja, a de Auto-ajuda. São duas as boas conseqüências desta ação: a primeira é devolver a César o que é de César, ou seja, retornar o livro de auto-ajuda a seu habitat natural; a segunda boa - na verdade excelente - conseqüência deste ato é que quando um cliente chegar à livraria procurando o tal livro a atendente tem maiores possibilidades de não encontrá-lo e o cliente maiores possibilidades de desistir de comprá-lo. Não é uma boa? Recomendo que todos tomem tal atitude numa espécie de protesto silencioso contra a confusão constantemente cometida pelas livrarias de colocar livros de auto-ajuda junto com livros de psicologia. Psicólogos do mundo, uni-vos!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Colocando "O Segredo" em prática

Companheiros, quando puderem assistam a esta pérola desconhecida do YouTube. Pura sacanagem com "O Segredo". A-do-rei...



OBS: outro excelente artigo sobre o tema pode ser lido aqui.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Filmes de auto-ajuda - parte 1

Relacionado com o post anterior, recomendo insistentemente a leitura dos seguintes textos, também do blog Dragão na Garagem:

OBS: são textos grandes mas valem muito a pena, especialmente se você viu os filmes (e/ou leu o livro no primeiro caso). Se não for o caso, ainda sim vale a pena ler...


Guia Cético para assistir a "O Segredo"

Parte 1
Parte 2
Parte3

Guia Cético para assistir a "Quem somos nós?"
Parte 1
Parte 2
Parte3
Ambos os filmes fazem parte de um disseminado movimento que o engenheiro Wilson Porto Reis intitulou de "Festival de Besteiras Quânticas que Assolam o País". Eu já havia alertado sobre isto em minha resenha sobre O Segredo, mas agora quem diz é um especialista: a física quântica vem sendo utilizada, repetida e errôneamente, na tentativa - fracassada - de dar um embasamento científico às maiores baboseiras do mundo, dentre elas aquelas proferidas pelos filmes em questão.

A bizarra legislação pernambucana


Reproduzo abaixo, integralmente, uma das notícias mais bizarras que já me deparei na internet. Ela foi publicada no espetacular blog “sobre ciência e pensamento crítico” Dragão da Garagem, comandado pelos engenheiros Widson Porto reis e Alexandre Taschetto.

Paranormal também é gente

A constituição do estado de Pernambuco é uma das mais avançadas do mundo. É a única no planeta a prever assistência social obrigatória aos necessitados de todo o tipo que se possa imaginar: inválidos, menores abandonados, idosos desamparados e paranormais. Sim, eu disse paranormais.Está lá, nos artigos 174 e 175:

Art. 174 - O Estado e os Municípios, diretamente ou através do auxilio de entidades privadas de caráter Assistencial, regularmente constituídas, em funcionamento e sem fins lucrativos, prestarão Assistência aos necessitados, ao menor abandonado ou desvalido, ao superdotado, ao paranormal e a velhice desamparada.
§ 1º - Os auxílios as entidades referidas no caput deste artigo somente serão concedidos após a verificação, pelo órgão técnico competente do Poder Executivo, da idoneidade da instituição, da sua capacidade de Assistência e das necessidades dos assistidos.

§ 2º - Nenhum auxilio será entregue sem a verificação prevista no Parágrafo anterior e, no caso de subvenção, será suspenso o pagamento, se o Tribunal de Contas do Estado não aprovar as aplicações precedentes ou se o órgão técnico competente verificar que não foram aténdidas as necessidades Assistenciais mínimas exigidas.

Art. 175 - A Assistência social será prestada, tendo por finalidade:

I - a proteção e amparo a Família, a matérnidade, a infância, a adolescência e a velhice;

II - a promoção da integração ao mercado de trabalho;

III - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiências e sua integração na sociedade;

IV - a garantia, as pessoas portadoras de deficiência visual, da gratuidade nos transportes coletivos urbanos;V - executar, com a participação de entidades representativas da sociedade, ações de prevenção, tratamento e reabilitação de deficiências físicas, mentais e sensoriais.

Ou seja, se você está em Pernambuco e vê gente morta, lê pensamentos, entorta colheres, prevê o futuro usando borra de café, consegue levitar, tem visão de raios-x etc., pode contar com assistência social gratuita do estado. Difícil é descobrir o que o estado pernambucano pode fazer por você, já que um paranormal não carece de nenhuma das assistências definidas no artigo 175, nem mesmo a integração ao mercado de trabalho de que fala o item II; os que se dizem paranormais no Brasil precisam no máximo de empresários, não de oportunidade para ganhar dinheiro. Ainda bem. Seria mesmo engraçado garantir a gratuidade nos ônibus municipais para ciganas e Pais de Santo.

Diferentemente do que dizem vários sites espíritas e de parapsicologia por aí, o texto da lei não menciona a necessidade de nenhuma comprovação da alegada paranormalidade, apenas fiscaliza as entidades que oferecem, com dinheiro do governo, assistência aos paranormais. Ou seja, uma ONG em defesa dos direitos dos paranormais parece ser um bom negócio em Pernambuco, uma vez que conta com recursos garantidos por lei e pouca certeza sobre quem é merecedor dos recursos públicos. Não me espantaria se Pernambuco fosse o estado com o maior número de médiuns per capita do país.

A despeito da imensa, e mundialmente inédita, preocupação social do governo pernambucano, fica a pergunta: por quê um paranormal se candidataria à precária assistência pública brasileira se pode faturar a bagatela de 1 milhão de dólares no
Desafio Paranormal da Fundação Educacional James Randi?
Eu juro que não acreditei quando li, mas foi só entrar no site do Governo de Pernambuco para meu queixo cair novamente no chão. É verdade, companheiros! Só tenho uma coisa a "dizer"...


domingo, 17 de agosto de 2008

Não dá para competir - Volume 6

Terapia Aura-Soma



OBS: Puta que pariu! O bom senso está morto no chão: apanhou, caiu, foi pisado, cuspido e esquartejado. Este video, que faz parte do programa Gente que faz... (merda), expõe o máximo do misticismo, da charlatanice e da picaretagam. "Essência do mar e das borboletas", "cromopultura", "calendário maia na ativação dos portais"? Puta que pariu! Com aqueles que tem respostas para todas as perguntas e que prometem a "felicidade do corpo e da alma" não dá, definitivamente, para competir... A seriedade parece estar em processo de extinção!
Para ver o quinto volume da série "Não dá para competir", clique aqui.

Nada a ver, mas...

Para quem acompanha este blog, peço desculpas pelas poucas atualizações este semana. Não tem nenhuma razão especial para isto, só que estou um bocado ansioso com a espera da nomeação da UFV. Bem, para quem não sabe, em junho eu passei no concurso para psicólogo da Universidade Federal de Viçosa (MG) e até agora não fui chamado. Algumas pessoas que passaram junto comigo para outros cargos até já começaram a trabalhar. Mas, segundo os organizadores do concurso, houve um problema técnico com o lançamentos de 5 cargos no sistema (dentre eles os 2 de psicólogo). Por isso a demora. Eu sempre soube que demoraria mas, na prática, a demora é angustiante. Além do fato de que odeio ficar à toa, esperando, esperando, esperando o trem (como diria Chico Buarque). Desculpem o desabafo: não é, de forma alguma, o objetivo deste blog. Concebi-o como uma revista virtual sobre a psicologia e os psicólogos brasileiros. Até agora, com este, já publiquei 74 posts e, por não saber mexer direito com o Google Analytics, não sei quantas pessoas acessaram o blog. O que sei é que poucas comentaram. De qualquer forma não desisto fácil. Continuarei publicando sobre assuntos que considero importantes. Esta semana pretendo publicar dois artigos: um sobre o (inexistente) piso salarial dos psicólogos e outro sobre a escolha do curso de psicologia. Pretendo também continuar com as séries "Humor de Psicólogo", "Não dá para competir", "Psicólogos célebres, mas não pela Psicologia", etc., além de comentar notícias publicadas na mídia. Também espero publicar, em breve, neste blog meu artigo científico (elaborado sob orientação do professor Altemir Gonçalves Barbosa) "Formação em Psicologia no Brasil: um perfil dos cursos de graduação", que enviei esta semana para a revista Psicologia: Ciência e Profissão. Espero que seja aprovado pois, modéstia a parte, está muito bom. Trata-se de um estudo inédito sobre a quantidade, qualidade e características dos cursos de psicologia no Brasil. Em breve disponibilizarei-o aqui.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Redução da maioridade penal em pauta... novamente!

Este semestre, a questão volta ao plenário do Congresso Nacional. De acordo com o Jornal do Senado da semana passada: "A primeira sessão de votação [deste semestre] deve ocorrer na terça-feira [5 de agosto]. Seis propostas de mudança constitucional reduzem a maioridade penal. Em abril de 2007, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) concordou com substitutivo apresentado pelo senador Demostenes Torres (DEM-GO) à PEC 20/99. O texto estabelece que os menores de 18 anos e maiores de 16 anos só poderão ser penalmente imputáveis ou responsáveis se, à época em que cometeram a ação criminosa, apresentavam "plena capacidade" de entender que o ato era ilícito. Para isso, o juiz pedirá um laudo de especialistas. Se condenados, os jovens cumprirão pena separados dos presos maiores de 18 anos". Sem dúvida os psicólogos farão parte da equipe de especialistas responsáveis por este laudo de "plena capacidade". Mas será que, por isso, devemos apoiar tal proposta? De forma nenhuma. Várias entidades de psicologia (dentre elas o CFP) já se manifestaram contra qualquer proposta que vise a redução da maioridadade penal. E eu concordo totalmente com os 10 motivos apresentados por elas para sua não aprovação. Você já leu este manifesto? Não? Então segue abaixo...

1. A adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa. O desafio da sociedade é educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado tanto do ponto de vista emocional e social quanto físico;

2. É urgente garantir o tempo social de infância e juventude, com escola de qualidade, visando condições aos jovens para o exercício e vivência de cidadania, que permitirão a construção dos papéis sociais para a constituição da própria sociedade;

3. A adolescência é momento de passagem da infância para a vida adulta. A inserção do jovem no mundo adulto prevê, em nossa sociedade, ações que assegurem este ingresso, de modo a oferecer – lhe as condições sociais e legais, bem como as capacidades educacionais e emocionais necessárias. É preciso garantir essas condições para todos os adolescentes;

4. A adolescência é momento importante na construção de um projeto de vida adulta. Toda atuação da sociedade voltada para esta fase deve ser guiada pela perspectiva de orientação. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho;

5. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. O ECA não propõe impunidade. É adequado, do ponto de vista da Psicologia, uma sociedade buscar corrigir a conduta dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes;

6. O critério de fixação da maioridade penal é social, cultural e político, sendo expressão da forma como uma sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude; implica a eleição de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Os psicólogos sabem que a repressão não é uma forma adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência - ameaça, não previne, e punição não corrige;

7. As decisões da sociedade, em todos os âmbitos, não devem jamais desviar a atenção, daqueles que nela vivem, das causas reais de seus problemas. Uma das causas da violência está na imensa desigualdade social e, conseqüentemente, nas péssimas condições de vida a que estão submetidos alguns cidadãos. O debate sobre a redução da maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a questão;

8. A violência não é solucionada pela culpabilização e pela punição, antes pela ação nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que a produzem. Agir punindo e sem se preocupar em revelar os mecanismos produtores e mantenedores de violência tem como um de seus efeitos principais aumentar a violência;

9. Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade;

10. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. Nossa posição é de reforço a políticas públicas que tenham uma adolescência sadia como meta.

Para maiores informações clique aqui.



terça-feira, 12 de agosto de 2008

Curta da semana - Deus é Pai

Ficha Técnica:

Gênero: Animação, CONTEÚDO ADULTO
Diretor Allan Sieber
Ano: 1999
Duração: 4 minutos
País: Brasil
Sinopse: Após milhares de anos de convivência, a relação de Deus com seu amado filho, Jesus, sofreu um inevitável desgaste. Para melhorar a relação, uma terapeuta passará por maus bocados...



Para ver o curta anterior clique aqui.

Concursos de Psicologia - Agosto

Este mês abriram os seguintes concursos com vagas para psicólogos:

- NACIONAIS

Ministério da Justiça
Vagas:
05
Remuneração: R$ 3.800,00
Inscrições: 04/08/2008 a 22/08/2008
Edital: acesse aqui

- MINAS GERAIS

Prefeitura de Nepomuceno
Vagas:
cadastro reserva
Remuneração: R$ 1.503,70
Inscrições: Prorrogadas até 17/08/2008
Edital: acesse aqui

Prefeitura de Itabira
Vagas:
08
Remuneração: R$ 1.312,50
Inscrições: 05/08/2008 a 22/08/2008
Edital: acesse aqui

Para informações atualizadas sobre concursos em Psicologia clique aqui.

Não dá para competir - Volume 5


Para ver o quarto volume da série "Não dá para competir", clique aqui.

Nomes (im)próprios - Volume 1

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Seu último livro de auto-ajuda!


Pesquisando no site Submarino.com acabei me deparando com algo inusitado: dentro da lista de livros de auto-ajuda (categoria "geral") há o anúncio do livro de sociologia "O suicídio", de Emile Durkheim. Será uma falha ou uma dica? Talvez os editores do site estejam sutilmente dizendo: "se tudo o que vocês leram anteriormente não funcionar tente este livro! É a solução final!". E é mesmo...

sábado, 9 de agosto de 2008

Psicologia não é auto-ajuda!!!

Reproduzo abaixo um excelente artigo, publicado hoje na Gazeta Esportiva, que evidencia o quanto a atuação psicológica séria é distante da auto-ajuda. Felizmente existem profissionais inteligentes e críticos como João Ricardo, psicólogo esportivo e autor do artigo. Uma injeção de ânimo para aqueles que, como eu, vivem uma relação de amor e ódio com a Psicologia!
Uma palestra e nada mais

São Paulo (SP) - 'Considerem-se vitoriosos! Por que? Pelo simples fato de, um dia, já terem sido espermatozóides que venceram a árdua batalha contra outros milhões e se tornaram seres vivos brilhantes e cheios de luz!'.
Que tal? Alguém ficou motivado?
Amigos, os motivadores de plantão estão novamente à solta. As equipes que estão caindo pela tabela têm apelado para estes senhores (e senhoritas), na maioria, sem a formação psicológica adequada (administradores, economistas, engenheiros), para ministrar palestras de auto-ajuda que, quase sempre, 'auto-atrapalham' ou matam os atletas de dar risada. Não há a preocupação e o cuidado no levantamento das demandas motivacionais dos jogadores para se preparar um encontro produtivo e coerente.O que importa, mesmo, é o jogo de cena.
Hoje em dia, basta ter uma boa retórica, vídeos do Ayrton Senna, frases de efeito (defeituosas) e um discurso convincente para se tornar um 'psicólogo esportivo'.
Trabalhar a mente e as emoções dos jogadores de futebol se transformou na mais pura banalização e falta de reconhecimento da ação, quase sempre corrosiva, destes fatores no desempenho individual e coletivo dos atletas.
Creio que existam algumas explicações para que o mercado do futebol abra espaço para estes aproveitadores. Em primeiro lugar, há a falta de cursos acadêmicos de Psicologia do Esporte neste país. Aqueles que desejam ingressar na área, recomendo que procurem alternativas no exterior (Espanha e Cuba contam com ótimos cursos de especialização).
Além desta lacuna universitária, há uma luta travada contra a ignorância da maioria dos dirigentes que concebem a presença de um psicólogo como um perigo ou algo que irá depor contra a boa (?) condição de saúde mental, social e pública dos clubes.
Cada vez que fico sabendo que uma determinada equipe contratou um destes senhores (quase sempre em momentos críticos, já que falar em prevenção e promoção de saúde no esporte é quase um crime), confesso que desanimo em minha luta de mais de quinze anos pela divulgação, dignidade, ética e ensino da Psicologia Esportiva.
Conto nos dedos da metade de uma mão, os dirigentes que tive a sorte de conhecer e que valorizam, de forma correta e séria, o papel de um trabalho psicológico científico no futebol.
Os técnicos que aí estão, na maioria, ex-boleiros, são os primeiros a empunhar a bandeira contra a o trabalho de psicólogos do esporte nas equipes. Em geral, a soberba, vaidade, ignorância, frutos da insegurança e total falta de humildade são as armas (letais) recorrentes destes treinadores. Já outros ex-boleiros do passado – atuais aspirantes à jornalista - ratificam este mesmo discurso na televisão, rádios e jornais. Uma lástima total.
O trabalho do psicólogo esportivo, em geral só é lembrado quando vários treinadores foram demitidos, boa parte do elenco foi modificada, pais e mães de santo convocados para benzer e, pasmem, até padres fanáticos pelos clubes convidados para palestrar com o uniforme do time do coração embaixo da batina.
A cultura da preparação esportiva no Brasil está anos luz atrasada diante de outros países. O brasileiro ainda sofre pelos tabus e preconceitos quando as necessidades emocionais e mentais dos atletas pedem passagem. Os dirigentes buscam soluções vazias e superficiais, na tentativa desesperada de encobrir as feridas geradas pela desinformação e idéias equivocadas a respeito da alma.
Deixem o Ayrton Senna em paz. Esqueçam os espermatozóides e todos os demais discursos e palestras enlatadas que só causam indigestão num curto espaço de tempo. É só uma questão de postura e, claro, bom senso.
Mais sobre Psicologia do Esporte:

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Psicóloga troca consultório pelo Funk


Encontrei esta notícia no blog Superpositiva. De acordo com a reportagem "para as amigas de faculdade, a psicóloga Tatiana Gomes é uma funkeira. Para os fãs e novos amigos das comunidades onde canta Tati, ela é uma 'patricinha' da Zona Sul carioca querendo se enturmar no funk. Assim, devagarzinho, ela já emplacou os sucessos “Essa Garota (Poderosa)” e “Estrela da TV”, ao lado de Ronaldinho Plebeu, com quem faz a dupla de MCs Princesa e Plebeu. São, em média, sete shows por semana. Além de estabilidade financeira, a carreira já rendeu aos dois muitas viagens pelo país e até para o exterior. Em comum com Tati Quebra Barraco, só o primeiro nome. Com a voz mais suave e um corpo de fazer inveja, Tatiana Gomes conseguiu no funk a estabilidade financeira que a psicologia não lhe dava. O começo da carreira de psicologia é muito difícil. 'O retorno é o inverso da música, em que, quanto mais novo, mais fresco, mais trabalho', compara ela, que, formada pela PUC e pós-graduada na UFRJ, atendia há dois anos em seu consultório."

Esta história é representativa de um problema endêmico em nossa categoria (mas não só nela): o abandono da profissão. No caso, Tatiana trocou a Psicologia pelo funk em função da instabilidade financeira da atividade clínica. Mas ela não está sozinha. Pesquisas apontam que entre 15 e 40% dos formados em psicologia nunca atuaram ou abandonaram, voluntária ou involuntariamente, a profissão. São muitos os motivos alegados para o não-exercício da Psicologia: dificuldade em se conseguir emprego ou manter uma atuação autônoma; instabilidade financeira e/ou remuneração insuficiente; desilusão com a “prática profissional”; falta de reconhecimento, etc. Além disso, sendo a Psicologia uma profissão predominantemente feminina, a maternidade e o casamento ainda são motivos importantes para o abandono da profissão.

Um excelente artigo que trata especificamente desse tema chama-se “Adeus às armas: o abandono da profissão entre os psicólogos potiguares”. Para acessá-lo basta clicar aqui (pdf). Outro texto, clássico, que toca neste e em muitos outros temas importantes para nossa categoria, é o livro “Quem é o Psicólogo brasileiro?” (1988), resultado do último grande levantamento sobre nossa formação e profissão. Este ano, em comemoração aos 20 anos de sua publicação, o CFP, em parceria com a UFBA, deverá publicar a nova pesquisa nacional. Espero ansioso! Já indiquei em um post anterior, mas repito: este livro, essencial (e esgotado na editora), está disponível na seção de E-Books do site BVS-Psi. Para facilitar disponibilizo-o aqui (pdf).

Paradoxos da mídia - Volume 1

A reportagem de capa da revista Galileu deste mês trata das conseqüências positivas da lei seca (como a diminuição substancial do número de acidentes e mortes no trânsito), bem como dos danos físicos e psicológicos decorrentes do uso de álcool, a curto e a longo prazo. Muito interessante! O problema, que deve ter passado despercebido para a maioria dos leitores, é que na contracapa da revista há uma enorme e colorida propaganda de... CERVEJA! Os editores poderiam ter colocado esta propaganda em qualquer lugar da revista (o ideal seria que não a colocassem em lugar nenhum), mas não na contracapa. Este erro gera um efeito bizarro: o que a capa afirma a contracapa nega. Já passou da hora de as propagandas de bebidas álcoolicas serem restringidas. Um projeto de lei sobre o tema chegou este ano ao congresso nacional mas acabou não sendo aprovado, devido à enorme pressão de empresas "etílicas" e de propaganda. Quem perdeu, novamente, foi a saúde do povo brasileiro!

Blog Sexpedia - Sensacional!


Galera, quando puderem dêem uma olhada no espetacular blog Sexpedia. Escrito pela jornalista Fernanda Colavittire, este blog se propõe a discutir o sexo na modernidade, além de apresentar produtos e práticas sexuais nada convencionais. Só para vocês terem uma idéia do conteúdo deste blog, reproduzo uma lista de estranhos fetiches sexuais. O ser humano é mesmo fascinante... e bizarro!!!

Autonepiofilia: prazer em usar fraldas, babadores ou chupetas e ser tratado com o um bebê por outros adultos

Oculofilia: pessoas que se excitam com olhos de outras pessoas, a ponto de chegar ao orgasmos tocando, lambendo e até penetrando (não imagino como...) a zona ocular

Flatofilia: prazer erótico por escutar, cheirar e apreciar gases intestinais próprios e alheios.

Dentrofilia: algumas pessoas só atingem o orgasmo quando se esfregam em troncos de árvores

Furtiling: excitar-se penetrando com o dedo genitais recortados em uma foto ou desenho

Insuflação: excitar-se soprando com força os orifícios corporais alheios

Latronudia: uma ramificação do exibicionismo em que se incluem as pessoas que se excitam tirando a roupa para médicos. Normalmente essas pessoas fingem doenças para realizar essa fantasia

Microgenitalismo: atração sexual por pênis pequenos. Quanto menor, maior a excitação

Misofilia: indivíduos que se excitam com o cheiro, a visão ou a manipulação de roupas sujas de outras pessoas
Psicrofilia: pessoas que chegam ao orgasmos sentindo frio ou observando outros indivíduos nessa situação

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Jornada de Trabalho dos Psicólogos

Dia 11 de Julho, no Portal da Câmara dos Deputados, foi publicada a seguinte notícia. Importantíssima para nossa categoria!!!

Psicólogo pode ter jornada semanal de 24 horas
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3338/08, do deputado Felipe Bornier (PHS-RJ), que estabelece em 24 horas semanais a carga horária dos psicólogos nos setores público e privado. Atualmente, não existe carga horária para essa categoria profissional em lei federal. Segundo a proposta, a carga horária de 24 horas semanais não será vinculada ao piso salarial da categoria.
O projeto também obriga os órgãos públicos municipais, estaduais e federais a fixar essa carga horária nos editais de concursos públicos para psicólogos. "No Rio de Janeiro, por exemplo, psicólogos foram surpreendidos ao tomar posse no emprego porque a prefeitura mudou para 40 horas a carga horária semanal, embora a previsão do edital do concurso fosse de 32 horas", disse. Na avaliação do deputado, assim como médicos e professores, os psicólogos hoje são forçados a ter mais de um emprego para compensar os baixos salários.
Horas extras
Segundo a proposta, os psicólogos deverão receber o pagamento de horas extras quando a carga horária exceder o limite de 24 horas semanais. O pagamento dessas horas será regulado por contrato firmado entre empregado e empregador.
O projeto altera a Lei 5.766/71, que criou o Conselho Federal e os conselhos regionais de Psicologia.
Tramitação
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
- PL-3338/2008

Psicologia do Esporte em alta no Brasil

A julgar pelas reportagens encontradas através do portal Google Notícias e, considerando o período pré-olimpíadas, tenho me espantado com a crescente inserção da psicologia no mundo do esporte. Em reportagem publicada hoje pelo JC Online, a psicóloga Grace Barros Correia busca definir esta área emergente. Interessante!

Psicologia do esporte
O esporte é uma prática que faz parte da história da humanidade. Faz bem à saúde e, para os que querem se profissionalizar, exige disciplina, determinação e dedicação plena.

Os caminhos a se percorrer em qualquer modalidade esportiva são repletos de ensinamentos sobre o viver, conviver, vencer obstáculos, alcançar metas, buscar o sucesso. A cada apresentação, o teste de desempenho, da competência, das condições físicas e psicológicas. A avaliação constante. Os críticos, a imprensa, as expectativas dos apaixonados que não desculpam falhas.

O esporte desencadeia um processo educativo onde os atletas se colocam em constante desafio, tendo que lidar com os limites capazes de os fazerem entender que são humanos. Aprendizagem contínua em direção ao pensar e agir cooperativamente com visão no coletivo. Reconhecer os vencedores, admitir e aprender com as derrotas, não desistir, competir com ética e respeito aos adversários.

A Psicologia tem entre suas especializações profissionais a Psicologia do Esporte, que trata questões emergentes relacionadas à pesquisa, às formas de intervenção, aos aspectos individuais como personalidade e motivação, as relações nos grupos, a coesão, a formação de vínculo, a liderança, dentre outros temas.

A Psicologia do Esporte pode contribuir com os clubes, mas também com os gestores organizacionais, através da orientação sobre a formação e desenvolvimento de times de trabalho que, com disciplina, treinamento e cooperação, são capazes de funcionar com sinergia.


Para quem se interessar disponibilizo abaixo outras reportagens sobre o assunto publicadas recentemente em diversos sites e disponíveis no Google Notícias. OBS: algumas matérias poderiam tranquilamente fazer parte da série "Notícias imbecis, manchetes idem".

Náutico pede ajuda para psicóloga para reagir no Brasileirão
Psicóloga garante seleção sem 'apagão' nas Olimpíadas de Pequim

Atlético-PR chama psicólogo para fazer gols

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Site do CRP-MG de cara nova

O site do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (www.crpmg.org.br) está de cara nova. Agora, dentre outras novidades, o Jornal do Psicólogo, que os inscritos recebem em casa, está disponível para quem se interessar. As duas edições anteriores podem ser acessadas a partir dos links abaixo. Vale a pena conferir!

Edição 91 - Junho e Julho de 2008 (pdf)

O último boletim informativo do CRP/MG (de 28 de Julho) também está disponível no novo site e pode ser acessado pelo link abaixo. Há indicação de uma série de eventos programados para o segundo semestre de 2008.

Boletim Psico Online - Edição 28/07

E fiquem atentos, em Agosto acontece, em BH, a terceira edição do Psicologia nas Gerais. Maiores informações no site do CRP-MG (clique na imagem abaixo).


sábado, 2 de agosto de 2008

Curta da Semana - Soda sexo

Ficha Técnica:

Gênero: Animação, CONTEÚDO ADULTO
Diretor Andrés Lieban
Ano: 2002
Duração: 3 min
País: Brasil
Sinopse: tarado vai ao psicanalista.

Para ver o video clique na imagem abaixo:



sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Pagando para trabalhar - v. 1

Abriu esta semana o edital para a prefeitura de Arraial do Cabo, com 5 vagas para psicólogo. A carga horária é de 20 horas semanais e o salário é de R$495,00. Você não leu errado não... é R$495,00 mesmo. Repito: o salário para o psicólogo da prefeitura de Arraial do Cabo é de R$495,00, um pouco mais que um salário mínimo (isto sem contar com os descontos para a previdência). Tão zoando com a nossa cara, só pode ser! Cinco anos de estudo para ganhar esta esmola. Na verdade ninguém deveria ganhar um salário como este, ainda mais alguém com ensino superior. O problema é que ainda não foi estabelecido para nossa categoria um piso salarial. Há uma proposta já encaminhada ao congresso, mas não há pressão dos psicólogos para que seja levada à votação e aprovada. Enquanto isto não acontecer vão continuar aparecendo concursos com salários como este. Psicólogos do mundo, uni-vos!

Por que não te calas, Maluf?


Não sei se vocês viram ontem, na Band, o debate com os candidatos à prefeitura de São Paulo mas saibam que, durante as considerações finais, o nível baixou consideravelmente. Principalmente quando o Sr. Paulo Maluf falou aos telespectadores: "Eu acredito que está mais preparado para ser prefeito não uma psicóloga (Marta Suplicy) nem um anestesista (Geraldo Alckmin), mas sim um engenheiro (ele próprio)". Este é, segundo Maluf, o seu "grande diferencial" e o que mais lhe capacita para a gestão da prefeitura de São Paulo. Para ele nem uma psicóloga nem um médico estão tão capacitados para a vida pública quanto um engenheiro. O detalhe é que nenhum deles exercem as profissões em que formaram já há muitos anos, em alguns casos há décadas: tornaram-se políticos profissionais. De qualquer forma, a frase do Paulo "Rouba mas faz" Maluf é de um preconceito imenso contra as duas categorias profissionais citadas. O que faz a competência de um político não é, de forma alguma, sua profissão ou sua formação profissional. Outros fatores são fundamentais como a capacidade de articulação, a responsabilidade, a honestidade, etc. Caro Maluf, não confunda as coisas! Um bom profissional não é necessariamente um bom político, muito menos o contrário.