segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sou Obama, McCain não é?



Agora que Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos muita gente se pergunta: o que efetivamente vai mudar no mundo? Parece que muito pouco. É uma ilusão acreditar que Obama, mesmo tendo a melhor das intenções, mudará o mundo de forma significativa. Quem comanda os EUA e o mundo são as grandes corporações. O presidente americano, seja quem ele for (negro ou branco, homem ou mulher, democrata ou republicano), é apenas uma marionete na mão dos grandes empresários. E além do mais, Obama, ainda que integrante de uma minoria étnica, faz parte da elite econômico-cultural dos EUA. Formado em direito pela prestigiosa Universidade de Harvard, Barack Hussein Obama não é, nem de longe, socialista, como muitos imaginam. Ao contrário, como bom capitalista e neoliberalista, Obama é protecionista e defende o estado mínimo (ainda que, no caso da saúde - em função do apelo popular - prometa a cobertura universal). E além do mais ele defenderá, a todo custo (de forma menos radical que Bush, espero) os interesses dos Estados Unidos. Ele não será presidente do mundo, mas dos EUA e de seus interesses muitas vezes espúrios. Ilógico acreditar que acabarão as guerras por petróleo ou contra o "terrorismo". O que podemos esperar certamente é uma melhor diplomacia. Obama já sinalizou intenções de conversar com o presidente do Irã, com Hugo Chavéz, e até mesmo de debater o embargo econômico a Cuba. Isto, na minha opinião, é o máximo que podemos esperar: diálogo. Acreditar que Obama será o salvador do mundo é uma grande ilusão e provavelmente só gerará frustação. Depositar todas nossas esperanças em uma só pessoa é cometer o mesmo erro que cometemos com Lula. Sem dúvida Lula fez muito, mas muito menos do que esperávamos e com muitos e graves erros pelo caminho. Mas talvez a simbólica e emocionante vitória de Obama gere uma corrente de esperança que acabe por gerar outras mudanças, mais concretas, para o mundo. Quem sabe... 

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